Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Junta-se agora a nós, em direto ao telefone, Henrique Neto. Ele foi candidato presidencial independente nas presidenciais de 2016. É também militante, antigo deputado do PSI e já tinha dito que apoiaria uma candidatura de Ana Gomes. Bom dia, Henrique Neto. Como é que vê esta decisão da ex-eurodeputada?
Bom dia aos ouvintes, bom dia a todos. Vejo com um olhar muito positivo. Considero-a uma candidatura potencialmente vencedora. As condições são muito favoráveis, contrariamente àquilo que aconteceu há quatro anos, não há muitos candidatos.
Mas Henrique Neto, deixe-me só interromper. Lembrando a história, nunca nenhum presidente recandidato perdeu eleições.
É verdade, mas a história só serve para ser alterada. É isso que faz a história, são as suas alterações mais que as suas continuidades.
E que qualidades então vê na candidatura de Ana Gomes?
É evidente que Marcelo Rebelo de Sousa parte com alguma vantagem, mas não devemos esquecer que estamos a viver uma crise econômica, social e financeira complexa, que ela se vai agudizar muito daqui até às eleições, que o atual presidente da República é visto pelos portugueses com muito carinho, é verdade, mas também como alguém que sempre apoiou as políticas do governo e que sempre esteve ao lado do governo durante quatro anos. Ora, a crise que se está a acentuar não pode deixar de pôr em causa a governação do país e acontecendo isso, é evidente que põe em causa o seguidismo do presidente da República atual em relação à governação. E isso, a meu ver, alterará muito os dados do problema. Por outro lado, os portugueses cada vez verificarão com maior rigor que, de facto, o presidente da República, com toda a sua simpatia, nunca contribuiu para que os problemas do país se resolvessem. Os problemas agudizaram-se, agravaram-se, e não apenas pela pandemia, mas já vinham de trás, e são problemas econômicos, problemas financeiros. Temos uma dívida enorme que não estamos a pagar e, portanto, todos esses problemas vão desembocar numa crise cada vez mais grave. E isso vai colocar em causa não apenas o governo, mas também o presidente da República. Em qualquer dos casos, a candidatura de Ana Gomes é um ar fresco que surge na política portuguesa, porque senão não haveria grandes alternativas. Era entre o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o CHEGA de André Ventura. Ora, isso não é uma alternativa que se possa pôr num país democrático, em que deveriam existir mais candidaturas, porque existem mais setores da sociedade que não se reveem nem no atual presidente, nem no líder do CHEGA.
Henrique Neto, e agora? É claro que Ana Gomes avança com uma candidatura pessoal, como é suposto. Que posição é que o Partido Socialista deve ter agora?
O Partido Socialista está numa posição incômoda, como é evidente, tendo à revelia da vontade expressa dos socialistas, o primeiro-ministro anunciado o apoio público à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, e havendo muitos socialistas, que todos nós conhecemos, que não se reveem nessa candidatura. É evidente que o atual primeiro-ministro fica numa posição difícil, porque fez esse anúncio à revelia dos órgãos do Partido Socialista.
Vamos ter um partido dividido nas presidenciais?
Vamos ter, espero eu, um partido dividido por esse facto. Não é normal que num país democrático, um partido com a tradição democrática do Partido Socialista ou partido do Mário Soares, se apresente com uma candidatura do atual presidente, sem nenhum debate, sem nenhuma votação no interior do próprio partido. Portanto, isto não é normal, isto é um absurdo e é uma aberração democrática. E os socialistas, estou certo, vão tirar disso as devidas conclusões.
Henrique Neto, o senhor tem experiência de uma corrida eleitoral porque foi candidato independente há quatro anos. Se Ana Gomes não tiver o apoio formal de um partido, do PS, neste caso, tem menos hipóteses de conseguir, por exemplo, ir à segunda volta?
É evidente que os partidos têm vantagem. Têm vantagem essencialmente do ponto de vista financeiro. Uma candidatura à presidência, para ter sucesso, ou com a ambição de ter sucesso, custa muito dinheiro. Todos sabemos isso, por experiência. E, portanto, os partidos têm esse dinheiro, têm o apoio do Estado, e o apoio do Estado às candidaturas presidenciais é condicionado pela votação que cada candidato venha a ter. Essa é uma das razões, estou certo, porque existem tão poucas candidaturas para as eleições do ano que vem, em relação a quatro anos atrás, porque os candidatos há quatro anos e os outros que não foram, mas que estavam nessas candidaturas, aprenderam que não é fácil, do ponto de vista financeiro, apresentar uma candidatura. E daí que haja muito menos candidaturas, na minha opinião, o que enfraquece a democracia. Todavia, Ana Gomes, penso, vai ter um amplo apoio de muitos setores da sociedade, e o facto de não ter o apoio de nenhum partido não vai impedir a sua popularidade, que já é elevada. As pessoas conhecem, sabem as causas porque ela lutou ao longo dos anos. Não é uma recém-chegada à política portuguesa, tem créditos firmados e, portanto, isso, penso eu, bastará para que ela possa fazer um combate potencialmente vitorioso nesta campanha.