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Junta-se agora a nós António Sousa Uva, professor e membro do Centro de Investigação em Saúde Pública. Antes de mais, obrigado por esta disponibilidade. Olhamos para a subida destes números de casos. Ouvimos aqui uma explicação, também dada hoje pelo Ministério da Saúde, a falar do período de férias, e agora este alerta deixado por António Costa. Este é o número mais alto desde 20 de abril. Estamos a poucos dias do arranque das aulas. Vamos ter muito mais gente a circular no país. É caso para ficarmos muito preocupados, António Sousa Uva?

Eu julgo que a preocupação não é a melhor companhia durante uma pandemia. Eu acho que nós devemos estar em alerta e conscientes de cada situação concreta em cada momento. E o que nós temos que ter presente sempre, e acho que não é só o aumento da circulação de pessoas relacionado com vários aspectos, se bem que agora a abertura do ano escolar é o que é mais falado. Mas dizia eu que é preciso não relaxarmos aquilo que é decisivo actualmente, uma vez que não há vacina, nem terapêutica etiotrópica, dirigida à origem.

Como é que se entende este aumento tão elevado?

Era um pouco previsível. Sabe que o que é mais eficaz é o distanciamento físico, que alguns chamam de distanciamento social, mas, de facto, ele é físico. Uma distância de dois metros, dois metros e meio, tem, de facto, uma grande eficácia. E naturalmente, quanto mais as pessoas circularem e tiverem contacto umas com as outras, não é por terem máscaras. Eu defendo o uso da máscara, é muito interessante essa utilização, mas muitas vezes as pessoas acham que como têm a máscara, estão protegidas, que aquilo é um equipamento de proteção individual. Eu costumo chamar a máscara um EPO, um EPI, um equipamento de proteção do outro. Se todos usarmos máscaras, estamos todos protegidos, porque ela também protege as pessoas, naturalmente, mas fundamentalmente protege os outros. E, portanto, esta reabertura e agora com a abertura do ano escolar, acarreta um aumento do número de casos. Era previsível que isso acontecesse, não é novidade. O problema é se isso fica num número que nós consideremos aceitável.

Isso. E quais são os riscos para os hospitais nesta altura, para a saúde pública? Ou seja, com este aumento, vamos conseguir controlar, em termos hospitalar, este tipo de casos, este aumento?

Aparentemente, aquilo que se passa agora é diferente do que se passou em abril ou em maio. Enfim, o epicentro foi em abril, onde o número de internamentos e o número de internados em cuidados intensivos e mesmo o número de óbitos, foi muito superior àquilo que nós temos atualmente. Isso provavelmente tem a ver com os grupos etários, e nós sabemos isso, com as idades hoje mais atingidas. Felizmente, estamos a proteger mais as pessoas que se encontram em maior risco, por exemplo, os idosos em lares ou pessoas que têm muitas doenças. Hoje usa-se uns nomes muito complicados, das comorbilidades. Comorbilidades quer dizer que as pessoas têm várias doenças ao mesmo tempo, não quer dizer mais do que isso. E aparentemente, o número de mortes e o número de internados nos hospitais e o número de internados nas unidades de cuidados intensivos, mantém-se baixo, o ideal é zero, mas que é revelador que o perfil não é exatamente igual àquilo que aconteceu em abril.