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Boa noite, Arménio Carlos. Antes de mais, muito obrigado pela sua disponibilidade em falar com a Rádio Observador. Perguntava-lhe qual é o principal legado que Carlos Brito deixa à democracia portuguesa?
Eu creio que Carlos Brito foi um homem que não só se assumiu como antifascista, como lutou contra o regime ditatorial, com todas as consequências que são conhecidas do ponto de vista da privação da sua vida e acima de tudo também dos impactos que isso teve. Mas, por outro lado, foi um homem que teve um papel importante no PCP imediatamente a seguir ao 25 de Abril. Foi presidente do grupo parlamentar e naturalmente é um democrata que lamentamos que agora nos tenha deixado. Eu creio que é isso, na essencial. Um homem que lutou pela liberdade, pela democracia.
Mais tarde, Carlos Brito tornou-se uma voz crítica do próprio PCP. Como é que vê essa fase dele?
Foi uma opinião, foi uma opção que o Carlos Brito teve relativamente a manifestar discordâncias com a direção do PCP. Não foi o único, mas independentemente disso, nunca deixou de afirmar publicamente as suas posições pela afirmação da liberdade, da democracia e também da necessidade de uma resposta da esquerda em relação às políticas de direita desenvolvidas por diversos governos, nomeadamente do PSD e do CDS.