Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Contamos nesta emissão especial com o redator principal do Observador, Luís Rosas, que está conosco em estúdio. Boa noite, Luís. Qual é a primeira leitura que fazes desta declaração do secretário-geral socialista?

Pedro Nuno Santos deu explicações pormenorizadas sobre a origem dos fundos, mas parece-me que não respondeu a todas as perguntas. Em primeiro lugar, começou por estranhar o momento da divulgação da notícia e disse mesmo que teve uma preocupação com a origem da informação, ou seja, com as fontes dos jornalistas e com as fontes da comunicação social. Não me parece que faça muito sentido esta preocupação, porque o sigilo profissional dos jornalistas é algo que está protegido constitucionalmente e, portanto, não se percebe muito bem onde é que o Pedro Nuno Santos está a querer ir. Mas acima de tudo, o que me parece que é relevante nas explicações que deu, é que, por exemplo, há uma pergunta que Pedro Nuno Santos não responde. Aliás, é logo a primeira pergunta que é feita por um colega nosso, em que nas declarações que fez à revista Sábado, na primeira situação que este assunto foi colocado em cima da mesa, nomeadamente sobre a origem dos fundos que financiaram a aquisição da casa em Lisboa, no valor total de €140 mil, Pedro Nuno Santos diz que há uma parte desses fundos que, nessa primeira resposta, vêm do pai. E depois, numa segunda fase, e manteve agora com esta declaração ao "Público", que essa parte dos fundos que serviu para amortizar na totalidade o crédito que tinha contraído para comprar a casa, afinal é o produto da venda da sua primeira casa em Lisboa, que se situa ao pé do Parlamento, na Praça das Flores, em Lisboa. Portanto, Pedro Nuno Santos foge à resposta, não consegue responder a essa incongruência e fica a dúvida. Foi o produto da venda, mas se foi assim, por que razão é que disse numa primeira vez, quando falou com o Sábado, que o dinheiro vinha do pai? Portanto, não se percebe esta questão, sendo que ele mais à frente até explica que é natural que os pais ajudaram os filhos. Eu também concordo, é perfeitamente natural que assim seja. Mas seja como for, deu respostas relevantes sobre a questão dessa aquisição da Casa de Lisboa. Disse que, por exemplo, há aqui uma mistura de fundos da sua mulher e dele próprio. Nomeadamente, fala no sinal de €92 mil que vieram de duas contas suas. Depois houve um empréstimo de €450 mil e depois há o valor que sai da conta da mulher, no valor de €197.500. No que diz respeito à averiguação preventiva no Ministério Público, estas explicações vão ter que ser muito mais pormenorizadas, porque não só toda a origem do sinal que Pedro Nuno Santos pagou e toda a origem deste dinheiro que saiu da conta da mulher vai ter que ser explicado, nomeadamente a sua origem, se advém dos rendimentos do trabalho, se advém de uma herança. Isso não foi concretizado, foi apenas feita uma descrição sumária dessa situação. O mesmo se aplica à questão da casa de Montemor-o-Novo. Depois, na parte final, houve aqui um desafio a Luís Montenegro, que também é relevante, obviamente, porque o Pedro Nuno Santos continua com um discurso e com uma narrativa de que é diferente de Luís Montenegro. E precisamente para mostrar que é diferente, vai mostrar a documentação toda num site. Não se percebeu bem qual era o site, se era do Partido Socialista.

Estava agora aqui o nosso jornalista António José Soares, que está no Largo do Rato, a dizer que a documentação vai ser disponibilizada no site da campanha.

No site da campanha, muito bem. Vamos ver a documentação que será disponibilizada. Mas o Pedro Nuno Santos fez um desafio que obviamente é relevante a Luís Montenegro, apesar das situações serem diferentes, porque uma coisa é a sua aquisição de casas, nomeadamente em nome pessoal, e portanto a informação está em poder de Pedro Nuno Santos e da sua mulher e pode ser disponibilizada. Outra questão são os clientes de uma empresa, mas mesmo assim eu pessoalmente sempre achei que Luís Montenegro já deveria ter divulgado todos os clientes da Spinoviva há muito tempo. E portanto Pedro Nuno Santos insistiu nessa tecla: divulgue todos os clientes da Spinoviva. Divulgue também o trabalho de reestruturação, que é uma matéria que nós estamos aqui a trabalhar no Observador, o trabalho de reestruturação da chamada gasolineira, que é um cliente de Luís Montenegro. Nós aqui no Observador divulgamos, que era uma dúvida que Pedro Nuno Santos tinha explicitado publicamente, toda a documentação relativa ao trabalho prestado pela Spinoviva sobre o RGPD, sobre o Regime Geral de Proteção de Dados. Pedro Nuno Santos publicamente tinha duvidado que esse trabalho tivesse sido feito, disse isso explicitamente. O nosso trabalho clarificou e o próprio Pedro Nuno Santos sentiu-se esclarecido. Ainda hoje repetiu isso novamente e portanto está esclarecido. E portanto está a desafiar o primeiro-ministro para divulgar todo o trabalho de reestruturação da chamada gasolineira, que é uma empresa muito relevante em Braga. E finalmente que Montenegro revele toda a informação em relação à forma como pagou a sua residência em Espinho, que é outra matéria que tem sido muito falada. Acho que Pedro Nuno Santos esteve bem aqui, está a fazer um desafio. Nós jornalistas somos a favor da transparência, queremos sempre informação para exercer o nosso trabalho de escrutínio. Acho que Pedro Nuno Santos esteve bem. No princípio, não percebi muito bem, repito, a insinuação sobre a preocupação de Pedro Nuno Santos sobre o timing da divulgação da notícia e as fontes dos jornalistas. Acho que isso não lhe fica bem, ter essas preocupações, mas tentou explicar a origem dos fundos que financiaram a aquisição desses três imóveis entre 2018 e 2023, que vão ser analisados nesta averiguação preventiva, mas parece-me que ainda há questões por esclarecer.

Luís, deve Pedro Nuno Santos alterar de alguma forma a estratégia de campanha eleitoral, falar menos da Spinoviva para também não sofrer ataques por parte da AD, por exemplo?

Aparentemente, parece que não. Aliás, é interessante que Pedro Nuno Santos explorou muito o caso Spin Livra, falou muito em honestidade e em seriedade. Depois, como percebeu que isso se calhar não estava a dar resultado, não sei se foi através dos focus group que o Partido Socialista tem, das sondagens que o Partido Socialista tem, mas o que é certo é que isso não estava a ter muito feedback da parte da opinião pública e Pedro Nuno Santos abandonou essa linha, precisamente antes do início dos debates televisivos. E agora, com este caso, volta a pôr o caso em cima da mesa, mas eu acho que ele está numa fuga em frente e, portanto, vai continuar agora a explorar o caso Spin Livra e vamos ver o que é que Luís Montenegro vai responder sobre esta matéria dos clientes da Spin Livra, sobre o trabalho de estruturação da gasolineira e também sobre o custo da residência em Espinho. Também é importante perceber o que o primeiro-ministro tem para dizer, mas parece-me que Pedro Nuno Santos vai voltar a explorar o caso Spin Livra para mostrar que é diferente. Do ponto de vista factual e do ponto de vista formal, Pedro Nuno Santos tem uma averiguação preventiva, como Luís Montenegro tem no Ministério Público. Nesse ponto, estão exatamente no mesmo patamar.

Vês, Luís, alguma semelhança entre este caso e o caso da Spin Livra?

São casos diferentes. Não têm uma coisa a ver com outra e vou já saltar para o fim. Acho que os dois casos vão ser esclarecidos rapidamente pelos próprios. A Spin Livra já mostrou toda a documentação à Procuradoria-Geral da República sobre os seus clientes, sobre a sua faturação. Pedro Nuno Santos vai também mostrar toda a documentação à Procuradoria-Geral da República e acredito que até possa mostrar mais documentação à Procuradoria-Geral da República do que aquela que vai mostrar amanhã no site da campanha do Partido Socialista. Mas acho que estes dois casos vão ser esclarecidos e sinceramente, nem vejo, no caso da Spin Livra, nenhum indício da prática de um crime. Se existisse, poderia existir alguma suspeita do crime de recebimento indevido de vantagem, mas de todos os procuradores, juízes e advogados com quem eu tenho falado nas últimas semanas sobre esta matéria, praticamente nenhum vê alguma viabilidade numa prova irrefutável que leva a uma acusação. E portanto, é uma matéria que não me parece que tenha grande sucesso. O mesmo se aplica aqui a Pedro Nuno Santos. Acho que Pedro Nuno Santos muito provavelmente vai conseguir explicar a origem destes fundos. Vamos ver se o consegue ou não. Nesta declaração, como eu disse há pouco, acho que não esclareceu tudo. Acho que deixou ali matérias por responder, nomeadamente a origem precisa dos fundos, da sua mulher e também dele próprio, sem ser os créditos bancários. Agora, acho que ele vai conseguir explicar, vai mostrar documentação bancária, vai demonstrar a origem destes fundos e vai conseguir explicar a situação. E acho que o mesmo se passa com Luís Montenegro e com o chamado caso Spin Livra. Tu perguntas-me: "São casos diferentes?" São, mas acho que vão ter o mesmo resultado, que é eventualmente um arquivamento das duas situações. A não ser que me esteja a escapar aqui informação que eu não tenho neste momento em meu poder e que haja realmente uma grande surpresa nas duas averiguações preventivas, que eu não sei o que lá está, mas se aquilo que lá está é aquilo que é conhecido publicamente, parece-me que as duas vão ser arquivadas.