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Conosco temos agora o secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, Jorge Botelho. Muito boa tarde, senhor secretário de Estado.

Muito boa tarde.

É o coordenador do combate à Covid-19 na região do Algarve. Temos aqui estado atentos a todos estes sinais que nos vão chegando da região. Nesta altura, podemos dizer que a situação que se vive no Algarve, podemos classificá-la de preocupante?

Sim, eu acho que podemos. O Algarve, como sabe, e como todos sabem, isso é público, está com uma taxa de incidência elevada. Isso não é segredo para ninguém. E obviamente o RT da região também é superior a 1,3. Isso quer dizer que é uma situação que nos preocupa. Isso é por demais evidente, porque qualquer situação que eleve a transmissibilidade preocupa-nos e quando a taxa é relativamente elevada, preocupa-nos ainda mais. Para isso é que muitas entidades estão a trabalhar para tentar cortar cadeias.

E o que é que vai ser feito?

Neste momento, a Autoridade de Saúde Pública, porque nós temos ter uma ideia de que, primeiro, a questão da vacinação reforçada no Algarve e está a ter um novo impulso para que leve ainda mais pessoas a ser vacinadas com importância para haver imunidade, tem que ser feita. A segunda questão é cortar as cadeias de transmissão. Hoje foi conhecida uma decisão da Autoridade de Saúde Pública do Algarve em fechar as escolas de cinco concelhos da região, que têm uma taxa de incidência mais alta. É uma decisão da competência exclusiva da Direção-Geral de Saúde e da sua representante da região, que tem, e foi isso que tomou a decisão.

Obrigado por estar a fazer essa explicação, porque é essa a explicação para que esse tipo de medida não seja repetido noutros concelhos? Essa avaliação é feita pela DGS?

Essa é uma monitorização permanente que é feita pela Autoridade de Saúde Pública regional, que tem os delegados de saúde, que trabalham obviamente nos focos da incidência e no controle e nas despistagens das situações epidemiológicas para pôr as pessoas em isolamento, todas as que vão aparecendo. E esse trabalho de saúde pública, juntamente com o hospital para as pessoas que ficam infetadas e juntamente com as autarquias, com os meios que colocam à disposição, é um trabalho muito miudinho de muita gente. Para quê? Para controlar e atuar preventivamente nas situações de contágio. Essa é uma situação. Outra situação é a vacinação, que estamos a impulsionar e a dar maior ritmo para que haja mais gente vacinada na região. E obviamente, a questão dos testes, que têm vindo a aumentar também porque a saúde pública está a mandar testar muita gente ao mesmo tempo.

Senhor secretário de Estado Jorge Botelho, em que é que se traduz, na prática, essa aposta na vacinação? Que exemplos é que nos pode dar para tentar perceber melhor o que é essa aceleração da vacinação?

O que se traduz, na prática, é que nós, com a vacinação, temos as causas mais graves. Nós temos cerca de 40 e qualquer coisa internados hoje no hospital e, em condições normais, teríamos situações mais graves no hospital se não tivéssemos vacinado as pessoas, neste caso, mais idosas.

Há mais postos para vacinação? Os horários são alargados?

Há os mesmos postos de vacinação, as decisões que foram tomadas ainda na semana passada, reforçando um planeamento de agendamento central para que mais pessoas sejam convocadas para os centros de vacinação. Nós estávamos a assistir que havia predominantemente vacinação na parte da manhã e o que nós queremos é que haja também vacinação em grande intensidade na parte da tarde. E por isso o agendamento central, que é feito obviamente centralmente, aumentou, juntamente com o agendamento local, que tem uma expressão menor, mas que diria que funcionaria muito para as faltas, porque há muitas pessoas também que na vacinação acaba por não comparecer. E é esta dinâmica de impulso do registo da vacinação que é fundamental para prevenir situações futuras. Gente vacinada é gente protegida, não quer dizer que não fique contagiada, mas quer dizer que já consegue resistir melhor à situação de doença grave.

E vamos assistir também a um controle de entradas e saídas no Algarve, como estamos a assistir aos fins de semana na região da Grande Lisboa?

Isso eu não sei, que isso é uma decisão do Conselho de Ministros. O que me parece neste momento é que a região está aberta, as pessoas movimentam-se.

O senhor é o coordenador do combate à Covid na região do Algarve, não é?

Tenho uma opinião sobre essa matéria. A minha opinião sobre essa matéria é que neste momento não se justifica essa situação, porque as autoridades de saúde pública estão a tentar e fazer com que as disseminações não sejam dessa forma. O Algarve é uma região aberta, está aberta às pessoas, há muitas pessoas que estão neste momento na região do Algarve também a usufruir das suas férias. E mais, a incidência não é predominantemente nos concelhos todos. Se olhar para o mapa do Algarve, verá onde é que os casos predominantemente estão a acontecer. Neste momento, mais na zona central. Já tivemos mais casos na zona do Sotavento, já tivemos mais casos na zona do Barlavento, neste momento estamos na zona centro. O que nós queremos neste momento é baixar a incidência, rastrear mais, cortar os links e obviamente assistindo a que cada vez menos pessoas possam ser internadas, porque aquilo que temos assistido é que estes contágios que estão a acontecer é de gente mais nova, que não tem situações agudas de doença predominantemente, mas obviamente estão infetados e estando infetados contam para os números. E isso é que é a notícia, que é o número que conta.

Estão espalhando a doença, não é?

Está bem, exatamente. E os números vão aumentando porque ainda temos um RT superior a um. Como é gente mais nova, gente de mais baixa idade, 20, 30, 40, que ficam doentes, infetados, mas menos doentes em termos agudos, um número é um número, uma unidade é uma unidade e vão contando. O que nós precisamos agora é baixar estes números.