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São muitos convidados e muita coisa para gerir. É esse o trabalho que passa por José de Bouza Serrano, especialista em protocolo real, que se junta agora a nós em direto. Bom dia, José de Bouza Serrano, obrigado por ter aceitado o nosso convite. Bem-vindo à Rádio Observador. Gostava de lhe perguntar como é que é feita a gestão para sentar mais de 1200 convidados.

Bom dia, André Maia. Eu sou só uma peça do puzzle. Nós somos um grupo de várias pessoas que trata do protocolo e é um grupo muito mais alargado. Há uma prática que nós temos nas cerimónias de fazer o assentamento das pessoas que assistem. Temos que partir da própria precedência de cada um, porque cada pessoa tem a sua precedência, que se mantém mesmo nos atos que são privados.

Tendo em conta isso, o mapa do lugar foi difícil de elaborar aqui que ninguém nos ouve? Foi complicado chegar a consenso para sentar toda a gente?

Aqui à confidência, posso lhe dizer que foi um bocado difícil por uma razão muito simples: porque era um universo mutante. De repente as pessoas diziam: "A Princesa Léa não pode vir. Entretanto, uma das Habsburgos morreu, há uma série de pessoas que não vêm." As contingências que limitam a própria assistência ao ato.

Disse-nos há pouco e obviamente que seria de esperar que tem uma grande equipa a trabalhar consigo.

Não, eu sou só um membro da equipa.

Exatamente.

Nós somos vários colegas do Ministério dos Negócios Estrangeiros e temos também duas pessoas especialistas em protocolo. No fundo, temos um núcleo duro que somos quatro, cinco pessoas. Temos que decidir em função das respostas aos convites.

Claro.

Porque a senhora Isabel mandou um save the date há dois, três meses e as respostas muitas vezes calharam no meio do verão, as pessoas não tinham logo ali a agenda, não responderam logo e as coisas complicaram-se agora para o fim da data.

Tendo em conta essa equipa que tem, sendo 1200 convidados que vêm de áreas distintas da sociedade, com contextos diferentes, quão informados tiveram de estar vocês para saber onde é que deviam sentar cada pessoa? Tinham realmente um perfil de cada pessoa? Isto porque em termos políticos haverá algumas pessoas que devem estar mais próximas do que outras. Isto no fundo quase que era preciso ser um pouco historiador para sentar esta gente toda, não?

Não, o Almanaque do Gotha, em princípio, ordena toda a nobreza e toda a realeza europeia e no fundo mundial, mas sobretudo europeia. Por um lado, para Portugal, nós temos a Lei das Precedências, que é uma lei aprovada na Assembleia da República, em que cada pessoa sabe qual é o seu sítio certo. O senhor Presidente da República irá, a título particular, mas como é o Presidente da República, o primeiro magistrado da Nação, terá sempre o seu lugar primordial. Chefe de Estado, o presidente Ramos Horta declinou que não pôde aceitar o convite, mas vem o Príncipe Regente de Malta, que tem tratamento de chefe de Estado. E depois, dentro da sociedade portuguesa, há uma série de poderes autárquicos e, por exemplo, o presidente da Câmara de Mafra, pela Lei das Precedências, como se realiza no seu conselho, tem categoria de ministro. Depois têm antigos primeiros-ministros que virão também, há outros políticos e depois são os parentes da família de Bragança. São todos aqueles descendentes do rei Dom Miguel que estão espalhados pela Europa, desde os Saxe-Coburgos até aos Liechtenstein ou aos Thurn e Taxis, e esses virão. Ou vêm os chefes da casa propriamente. Das casas reinantes não vem nenhum chefe de casa. Porque também a senhora Maria Francisca é herdeira Bragança, mas não é a chefe de casa futura.

Herdeira direta.

Exatamente. Que foi o que aconteceu quando o senhor Duarte casou, ele era o chefe da casa já. Portanto, o casamento dele teve uma diferença há 28 anos, porque realmente já era chefe de casa.

José de Bouza Serrano, apenas uma última questão, que é: que expectativa é que tem para o evento de mais logo? Não só a expectativa profissional, tendo em conta que foi uma das peças do evento, mas também pessoal, o que espera de ver mais logo no Palácio de Mafra?

Um dia maravilhoso, porque para quem acredita nestas coisas e quem há muitos anos segue estes ideais e estas causas, um casamento na Casa de Bragança, que é a primeira família de Portugal, enche-me de orgulho e de contentamento, o que é natural. Nem toda a gente partilha os mesmos sentimentos, mas o meu é este e eu espero que seja um dia muito feliz. Os noivos estão muito apaixonados, são muito simpáticos e são realmente o exemplo da nova juventude e espero que seja um dia, embora caloroso, terá muito calor humano, com certeza, mas será um dia muito bonito numa das mais bonitas basílicas de Portugal, que no fundo foi instituída pelo sétimo avô da senhora dona Maria Francisca.