Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Rádio Observador. Aconteça o que acontecer.

Nuno, como é que surgiu esta ideia de participar e de voltar, sei que o Nuno foi piloto, a este bichinho? Este bichinho eu presumo que nunca se perde.

Nunca se perde.

Quando é que surgiu a ideia? Como é que decidiu participar no Rally de Portugal e participar nos moldes em que vai participar?

Sim, o bichinho nunca se perde. Quando se é piloto é difícil, apesar de estar adormecido há muitos anos, porque tenho feito mais o trabalho sem estar ao volante, mas o bichinho nunca desaparece e a minha paixão pelos ralis sempre existiu e continuará sempre a existir. No início do ano, antes de começar a Fórmula 1, eu estive com o João Carlos Costa a comentar as duas primeiras provas do Mundial de Ralis, o Monte Carlo e a Suécia, e ali despertou-me muita curiosidade de voltar a fazer um rali. O último que tinha feito foi em 2021, mas na Indonésia, e tinha-me divertido muito, mas tinha feito um, dois ralis por ano, esporadicamente lá. Fiz em 2019, 2021. Agora, quando me deu esta vontade, olhei para o calendário e pensava que o Rally de Portugal era coincidente com uma prova de Fórmula 1. Nos últimos anos tem sido sempre, mas não foi. E ao não ser coincidente, tinha esta semana livre em termos de trabalho e comecei a pensar que se calhar era uma boa ideia fazer o rally. E depois quando reparei na data, que era o Rally de Portugal 2023, fazia 20 anos desde a primeira vez que eu disputei o Rally de Portugal, que foi em 2003. Mas mais do que isso, fazia 40 anos desde a primeira vez que eu fui ver o Rally de Portugal como espetador, um miúdo. Mas lembro-me perfeitamente, é a primeira recordação que tenho de corridas, foi do Rally de Portugal de 1983. Então achei que era giro. Também estes 20, mas estes 40 anos desde a primeira vez que eu vi o Rally de Portugal. E pensei vir como espetador, mas depois surgiu a possibilidade de fazer como piloto.

Como é que surgiu essa possibilidade?

Essa possibilidade passou porque eu já trabalhava com a equipa Sports&You e com a Citroën nos ralis que fazemos na Indonésia. São eles que foram lá, que trataram da preparação dos carros, venderam os carros e são eles que nos dão assistência lá. E eles também me disseram: "Por que é que não vens fazer? Podes vir fazer conosco, vamos trabalhar e vamos fazer um esforço e vamos fazer o rally para tu te divertires." E foi assim, foi de acordo com o convite e com a motivação extra que a equipa me deu e o carro veio também emprestado pela equipa da Indonésia, por um dos meus pilotos com quem eu trabalho lá, que é o Sean Gelael. E então tudo junto conseguimos pôr este projeto a andar para eu poder vir fazer alguns quilómetros e matar o vício no Rally de Portugal.

Muito bem. E o carro é virgem, permita-me a expressão, é todo branquinho. O Nuno vai ter nomes de pessoas que fizeram donativo pra causa, independentemente do valor, o nome vai lá estar sempre. Tinham que doar até ontem. Posso lhe perguntar se já sabe com quantos nomes vai correr este fim de semana?

Eu sei. Era até ontem para fazer o autocolante para estar no carro do rally, mas a causa só termina no domingo.

Certo.

No domingo, até ao fim do rally, podem contribuir porque não vão estar no carro, porque o autocolante já teve que ser feito, mas toda a gente que contribuir até domingo vai ficar habilitado de igual maneira a um par de luvas e a um chapéu que nós vamos sortear assinados pelos pilotos da Fórmula 1 e acho que é um prêmio muito interessante. Até ontem, eu acho que são à volta de 400 nomes que contribuíram até ontem às 19h e são esses que estão no carro.

Nuno, já agora pegou também no prêmio final, deixe-me perguntar se está uma pressão acrescida, se não tem medo de fazer má figura e depois ser gozado pelo Lance ou pelo Fernando quando voltar.

Isso já aconteceu, por isso não há problema. Eles já estão a apertar comigo, já estão a dizer que eu não vou andar nada e não estou a andar nada, mas essa não é a parte mais importante. Eu estou aqui, não tenho quilómetros no carro, não sou piloto a tempo inteiro, por isso eu estou aqui para me divertir e não para andar depressa. Vou tentar andar o melhor que souber, e que é pouco neste momento, mas a parte depois da gozação e de que eles vão brincar comigo e vão-me dar cabo da cabeça, sem dúvida que estou preparado para isso na próxima semana. O mais importante é arrancar, tentar não fazer erros, que podem acontecer, mas tentar não os fazer para fazer o maior número de quilómetros possível. Também tenho consciência de que se começar a andar e se começar a fazer mais quilómetros, o ritmo vai melhorar ao longo do rally e depois se calhar tenho que arranjar algum troço que eu esteja mais confiante ou que conheça um bocadinho melhor, ou que me lembre ainda do passado para andar um bocadinho melhor e mostrar-lhes só essa folha de tempos e eles não olharem pra classificação final, porque senão eu tenho a vida desgraçada. Não é só pra próxima prova, é pro resto do ano.

Nuno, uma última pergunta. Já tem destino o valor total dos donativos?

Não, porque ainda não está terminado, mas eu penso que vai ser doado na íntegra a uma ou a mais instituições. Vou depois do rally, porque agora efetivamente ainda não consegui tomar essa decisão. Provavelmente vou até pôr alguns nomes das instituições e as mesmas pessoas que contribuíram, provavelmente vamos fazer uma votação para quem contribuiu também decidir para que causa é que, causa ou causas, podemos também dividir se o montante for tão bom como o que eu espero, e os sinais são muito positivos, se calhar vamos depois decidir juntamente com quem contribuiu a que instituições é que vamos ajudar e doar a totalidade do que for angariado.

Já agora, Nuno, para acabar, é só mesmo para saber se tem noção. Tem mais ou menos noção de quanto é que conseguiu angariar até agora?

Acho que já passamos os € 5.000, se eu não estou em erro, por isso é muito positivo.

Até domingo ainda está aberto.

Exatamente. Como começou até três dias, já temos esse valor, acho que é muito positivo. Mesmo que fosse mais baixo, seja o que for, é bom para as armas. Acho que já estamos num bom número, mas vamos esperar até domingo e vamos tentar que as pessoas entendam que ter um par de luvas de Fórmula 1 usadas no Grande Prêmio da Austrália e assinadas pelos dois pilotos é um prêmio único e que vale a pena contribuir e tentar participar.

Nuno, foi um gosto falar consigo. Muito obrigado e boa sorte.

Muito obrigado e um abraço.