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Junta-se a nós Paulo Santos, especialista em assuntos internacionais. Bom dia e desde já muito obrigado pela disponibilidade. Paulo Santos, afinal Joe Biden não registou uma hecatombe e os democratas vão conseguir manter este controle. Que impacto é que isto tem também nos anos que faltam até ao fim deste mandato de Biden?
De facto, estas intercalares acabaram por ser uma surpresa no sentido oposto àquele que se pensava ser o resultado e que muitas das previsões apontavam. Esta vitória dos democratas há quem diga que é apesar de Joe Biden e não graças a Joe Biden. De facto, Joe Biden está muito fragilizado na opinião dos norte-americanos, muito fragilizado aos olhos dos próprios democratas ou pelo menos uma parte deles. É obviamente um alívio para ele, mas é sobretudo uma vitória democrata que garante várias coisas, nomeadamente vocês já aí disseram, a questão dos juízes, vai poder continuar a onda de confirmação de juízes, obviamente mais pró-democratas do que pró-republicanos, nomeadamente para o Supremo. E por outro lado, não vai haver certamente uma onda legislativa pró-republicana que ponha em causa muitos dos grandes objetivos desta presidência. Portanto, há aqui um alívio muito grande por parte dos democratas, que já foi expressado nos últimos tempos. Agora esta vitória, ou se quisermos, esta semiderrota republicana, tem muito a ver com Donald Trump e com a forma como as primárias republicanas para os vários estados que estavam em causa foram disputadas. E a imposição por parte de Trump de muitos dos seus apoiantes, de alguns negacionistas ou muitos negacionistas mesmo daquilo que foram os resultados das eleições presidenciais, acabou também por dividir o Partido Republicano e neste momento, na análise de muitos daqueles que falam sobre isto do lado dos republicanos, do GOP, do Grand Old Party, neste momento a questão de Trump se candidatar e anunciar essa candidatura, eu não vou dizer que esteja em causa, não faço ideia nenhuma do que vai na cabeça dele, mas é naturalmente uma apresentação muito fragilizada. Seria uma apresentação gloriosa, uma declaração gloriosa na próxima terça-feira e dizer: "Bom, ganhámos, controlamos o Congresso." Não é o caso.
Desculpe interrompê-lo, porque é na sequência daí que estava a dizer, que é esse esfriar das intenções de Donald Trump com estes resultados podem também contar com questões como, por exemplo, a vitória do Ron DeSantis, que depois de ter ganho a Flórida, começa a ser apontado como uma alternativa a Donald Trump para os republicanos.
Ron DeSantis saiu claramente como um dos vencedores destas eleições e a Flórida deixou de ser um estado "fog red", portanto um estado onde a eleição pode ser disputada. Pelo contrário, os republicanos ganharam claramente. Aliás, se olharmos para a mancha, nomeadamente no que diz respeito ao Senado do mapa norte-americano, relativamente a onde é que estão as preferências dos norte-americanos, há lá uma grande divisão. Eu diria que é talvez a conclusão mais óbvia de tudo isto, há uma grande divisão nos Estados Unidos, uma divisão que também é geográfica, mas todo o Oeste é democrata. E os estados do centro dos Estados Unidos são muito mais conservadores, se quisermos. Por outro lado, do lado Leste, no Norte temos algumas vitórias surpreendentes, nomeadamente a Pensilvânia, diria eu, por parte dos democratas, e no Sudeste, vamos ver a Geórgia, vamos ver o que acontece na Geórgia. E o que acontece na Geórgia também é importante. O Sul é mais republicano. E o que acontece na Geórgia, no que diz respeito ao Senado, também é importante para perceber se a maioria democrata será uma maioria de 51/49 ou será 50/50 com o desempate para o vice-presidente. E isso também tem importância no funcionamento do Congresso.
Obrigado a Paulo Santos, especialista em assuntos internacionais, aqui a ajudar-nos a interpretar estes resultados. Uma eleição que, como referimos, não está ainda fechada, mas onde está já garantido o controle do Senado por parte dos democratas.