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As razões que motivam esta greve são várias e já são antigas. Nomeadamente, a harmonização de dias de férias entre funcionários públicos e contratos a tempo indeterminado. Também a aplicação da legislação que diz respeito ao horário de trabalho dos colegas da psiquiatria e da oncologia, que neste momento não se encontra a ser cumprida nesta Unidade Local de Saúde. E depois várias questões relacionadas com o Decreto 80-B de 2022, que possibilitou a contagem de pontos e a progressão na carreira para os enfermeiros, que estávamos com as carreiras congeladas. E nesse âmbito, há vários pontos a ter em consideração. Em primeiro lugar, o facto de alguns enfermeiros desta unidade terem gasto 10 pontos, que correspondem a 10 anos de serviço, para progredirem €7 na grelha salarial, ao invés daquilo que a legislação defende, que um salto salarial não pode ser inferior a €28. Aqui os enfermeiros tiveram um salto de €7 por 10 anos de trabalho. Temos também a questão da contabilização de pontos no ano de início de exercício profissional para colegas que iniciaram a sua prestação no segundo semestre do ano. Temos também a questão dos colegas que iniciaram funções no hospital com contratos de trabalho precários, fossem eles de substituição ou de termo certo, e que depois de vincularem, viram todo esse tempo não contabilizado para efeitos de progressão. Gostaríamos também de salientar que estes problemas, alguns deles já foram resolvidos por outras Unidades Locais de Saúde e que o Hospital de Braga continua a dizer que não tem autonomia para as resolver. Daí, nós também gostaríamos de apelar ao Ministério da Saúde e à ACSS para que intervenha e de uma vez por todas, permita ao Hospital de Braga e à sua administração resolverem estes problemas dos enfermeiros, como algumas administrações por este país já fizeram.
E a greve tem tido adesão por parte dos enfermeiros?
A greve tem tido adesão por parte dos enfermeiros. Nós vimos agora do bloco operatório, onde pudemos recolher os números da adesão. A greve no bloco operatório é superior a 95%, sendo que muitos dos serviços mínimos, sejam de urgência, sejam de cirurgias oncológicas, estão a ser prestados por colegas que estão em greve, mas a assegurar cuidados mínimos. Entretanto, mais daqui a pouco iremos iniciar a passagem pelos serviços do hospital também para conferir as taxas de adesão, mas por aquilo que nós fomos falando com os colegas ao longo da semana passada, quando andávamos a divulgar a greve, aquilo que nos foi dito por alguns colegas é que alguns serviços de consultas iriam ter uma adesão de 100% e por isso iriam estar encerradas ou gravemente comprometidas. E também nos serviços de internamento, onde apesar dos efeitos não se fazerem sentir com tanta prevalência, uma vez que os colegas têm de ficar também a assegurar cuidados mínimos, mas esperamos também uma boa adesão à greve.
E já são visíveis algumas consequências da greve?
Neste momento, posso dizer que o bloco operatório já tem salas canceladas e, portanto, já há alguns doentes que não vão ser operados em virtude desta greve. Doentes que não obedecem aos critérios definidos legalmente como serviços mínimos. Portanto, gostaria de salientar que os enfermeiros, naquilo que é o cumprimento das suas funções sociais, asseguram todos os cuidados àqueles cidadãos que a lei protege e que diz que têm de ser operados, mesmo estando em dia de greve.