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Nós desde há muito tempo que dizemos que o lugar dos alunos é na escola e que as escolas têm criado e criaram todas as condições para que os alunos pudessem estar na escola com alguma segurança. As escolas esforçaram-se muito, os professores e assistentes esforçaram-se muito e a verdade é que as coisas não correram nada mal durante o primeiro período. Também fomos dizendo sempre que em situações circunstanciais, em zonas mais complicadas ou em momentos mais acesa da pandemia, faria todo sentido que se passasse para uma solução mista de imediato, nomeadamente com os alunos do terceiro ciclo, ensino secundário e ensino profissional. A verdade é que neste momento a situação é de tal forma grave que não nos parece que haja outra solução que não seja mesmo a de suspender as aulas de imediato e passar para uma solução mista. E portanto, acho que o Governo não terá outra solução que não seja isso, até porque, em termos de opinião pública, parece-me que é preciso que as escolas fechem para que as pessoas se convençam que a situação é mesmo grave. Portanto, é preciso provavelmente que isso aconteça. Acho que até é uma questão quase que psicológica, não consigo entender porquê, mas claro que é para passar uma mensagem muito forte à comunidade, parece que é preciso que as escolas encerrem.

Considera que, por exemplo, o Governo quando decretou o confinamento, deveria logo à partida ter encerrado as escolas, pelo menos para os alunos do terceiro ciclo e secundário?

O que eu considero é que em todas as circunstâncias, nomeadamente caso a caso e concelho a concelho, em que a situação fosse mais grave, essa medida devia ser tomada de imediato. Nós sugerimos isso, inclusivamente sugerimos que se atrasasse o início do segundo período uma semana ou duas, sabendo que o período natal poderia provocar alguns problemas. Não foi essa a opinião de quem decide, mas agora tarde é nunca. Portanto, acho que é preciso de imediato suspender 15 dias, três semanas. Não sei se haverá condições para os alunos do primeiro ciclo e pré-escolar se manterem na escola. Nós preferíamos que se mantivessem na escola. Mas como lhe disse, dá a ideia que é preciso para que o país perceba a gravidade da situação, parece que é preciso que as escolas encerrem e acho que sim, que é preciso fazer isso.

E considera que neste momento, já é a segunda vez que os alunos vão ter a experiência de um ensino à distância, considera que desta vez também há condições para que tudo corra bem?

Sabe, as condições ideais não existem, não existiam em março e não existem agora. Nada substitui a presença dos alunos em sala de aula. Nós temos essa experiência do ano letivo anterior. Há claro prejuízo em termos de aprendizagem, em termos de sucesso, para uma boa parte dos alunos, senão para a grande parte dos alunos, para a maioria deles. E por isso é que nós, de alguma forma, temos defendido sempre que as escolas se mantenham abertas, porque percebemos quanto eles perdem com estas situações de indefinição e de ensino à distância, até porque a igualdade e equidade está sempre posta em causa. Nem todos os alunos têm as mesmas condições, nem de apoio, nem de trabalho. Neste momento, ainda há muitos alunos, nomeadamente em algumas regiões do interior do país, que não têm acesso à internet quando estão em casa e não têm computador disponível. E este problema não foi resolvido nestes nove meses que passaram desde o último confinamento, desde março, abril para cá. Portanto, é uma grande preocupação que temos e que nos obriga, nomeadamente em concelhos mais interiores, a encontrar soluções imaginativas que, na prática, são quase as mesmas que tivemos que encontrar do pé para a mão em março passado. Mas enfim, a prioridade, neste caso, é a saúde pública e, portanto, tudo vale para defender a saúde de toda a gente.

Agora perguntava-lhe, há pouco dizia-me que o encerramento das escolas vai ajudar os portugueses a ganharem consciência da situação grave que vivemos nesta altura. Considera que o encerramento das escolas vai ter influência nos números da pandemia? Vai ajudar a travar as redes de contágio?

Sabe, eu acho que infelizmente isso está mais que provado. Não é que os alunos, do nosso ponto de vista, sejam o foco dos problemas ou a causa dos problemas. O que parece é que há muitas pessoas na rua cuja única desculpa ou razão é acompanhar os filhos de manhã à escola ou à tarde, ou então em nome dos filhos saírem. E portanto, se houver um confinamento geral e que não haja desculpas para alguns saírem em nome dos filhos, provavelmente estaremos todos a contribuir para a redução do número de casos e desta situação que parece tão catastrófica para o país e para nós todos. Portanto, acho que vale a pena nós sacrificarmos durante duas semanas ou três. Espero que não seja muito mais do que isso. Espero que ao fim deste tempo, os dados da pandemia baixem significativamente. Espero que daqui a duas, três semanas, ou na pior das hipóteses, três semanas ou quatro, os alunos voltem à escola para poderem trabalhar, porque há efetivo prejuízo em termos de aprendizagem. Já perdemos um ano, em algumas áreas, e não queremos perder mais.