Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Junta-se agora a nós nesta emissão especial, neste "E o Campeão É..." especial. Domingos Paciência, lenda do Futebol Clube do Porto, também treinador e alguém que praticamente coincidiu, se é que não esteve também com Artur Jorge. Domingos Paciência, muito bem-vindo aqui a esta emissão especial. Domingos Paciência estava, na época de 86/87, nos juniores do Futebol Clube do Porto, na época lendária dos Dragões, em que venceram a Taça dos Campeões Europeus, mas certamente que Artur Jorge não era uma figura estranha para vocês que estavam na equipa júnior. Pergunto que marca é que na altura já tinha para jogadores tão novos como era o Domingos na altura, que marca é que tinha este técnico que era um visionário e que mudou a história do futebol português? Bem-vindo.

Olá, bom dia a todos. Primeiro dizer que é um dia muito triste para mim e para quem durante vários anos conviveu com Artur Jorge. Eu digo que é um dia triste para mim porque tive, durante a minha carreira, por quatro oportunidades de privar muito próximo com Artur Jorge, quer na minha fase inicial da carreira, como disse, com 17 anos, ainda naquele plantel, junto com aquele plantel dos vencedores da Taça dos Campeões Europeus, portanto, na fase inicial da minha carreira, depois mais tarde, com os meus 22, 23 anos, já como jogador da equipa A. Voltei a privar com ele depois. Além disso, na seleção, foi meu selecionador. Não me esqueço naquele célebre jogo contra os Estados Unidos da América, na Maia, em que marquei um golo, era ele o selecionador. E depois também em Tenerife, em 97/98, quando também foi meu treinador em Tenerife. Portanto, várias vezes que me cruzei com ele na minha carreira e não haja dúvida que é um dia muito triste, porque lembro-me perfeitamente o treinador que era, o homem que era e como estava a ouvir o Gabriel Alves, é verdade. Acima de tudo, um treinador que marcava muito a diferença pela competência, pela comunicação, pela sua personalidade.

E notava-se, Domingos Paciência, pergunto se notava também esse lado mais, vamos dizer, erudito de Artur Jorge. É alguém que sempre pensou para lá do jogo, sempre teve pensamento crítico, reflexivo, foi sindicalista, foi a grande alma do arranque do Sindicato dos Jogadores Portugueses. Notava-se também esse espírito revolucionário, vamos assim dizer, no técnico português?

Sim. É verdade que ele, além de treinador, tinha o interesse pela classe, tinha o interesse muito grande pelo próprio jogador. Eu lembro-me, nos meus 17 anos, das primeiras vezes que fui chamado como júnior ainda para treinar. Uma dessas vezes, ele esperou por mim à porta do balneário e levou-me ao gabinete dele e a dar conselhos daquilo que poderia ser a minha carreira, o que é que eu perspectivava para a minha carreira, mesmo em termos de conhecimento, competências, mesmo acadêmicas. Portanto, tudo isso marcou-me. Uma conversa de uma pessoa que realmente se preocupava com os seus jogadores e com as pessoas que andavam à volta dele. Portanto, isso mostrava realmente a pessoa que era e aquilo que ele pensava como devia ser o futebol.

Domingos Paciência, é treinador de futebol, pergunto também que pedacinhos de Artur Jorge é que levou para a sua carreira como treinador e de que forma é que também aplica esses ensinamentos que foi recebendo ao longo de várias experiências, como aqui nos disse, com Artur Jorge.

Por isso é que eu disse que eu tenho várias imagens de Artur Jorge em termos de liderança, em termos de trabalho. Numa fase inicial, naquela geração dos vencedores da Taça dos Campeões Europeus, via-se um Artur Jorge muito rigoroso, muito organizado, muito interessado no treino do próprio aspecto físico, muito importante também naquela fase, em que ele valorizava muito. Mas um treinador muito exigente. Não era um treinador muito simpático porque era muito rigoroso e a sua liderança partia muito por alguma distância e não tanta proximidade com os jogadores. Mas a verdade é que mais tarde, vi um Artur Jorge diferente em Tenerife, já passado uns anos, muito mais amigo do seu amigo, muito mais próximo dos jogadores. Portanto, isso também marca, de certa forma, o crescimento de um treinador e a forma como o treinador vê a sua carreira e adapta também em função dos plantéis que tem. Por isso é que eu digo, eu conheço o Artur Jorge dessa forma.

Domingos Paciência, muito obrigado por ter estado conosco aqui neste momento breve, mas importante, em que estamos a homenagear Artur Jorge nesta edição especial de "E o Campeão É..." Tivemos aqui a visão de alguém que esteve com Artur Jorge como treinador, de quem também é treinador e conseguiu beber de algumas dessas experiências