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O risco de conflito no pós-eleições em Angola é mais norma que exceção e para além de contestação, há receio.

Há filas com milhares de pessoas, mais de mil pessoas, todos os dias no consulado português a pedir o visto para vir para Portugal. E estamos a falar de Portugal. Não sei o que se passa nos vistos em Espanha e noutros países europeus, por exemplo, ou no Brasil, por exemplo.

Emílio Fernando é diretor da Rádio Essencial de Angola, descreve um país que hoje é um caldeirão de protestos, algo que se pode refletir nos dias a seguir às eleições.

Ou as autoridades vão impor respeito e da forma que normalmente impõem, à força, ou vamos ter uma agitação muito grande até saírem os resultados oficiais e definitivos.

É um relato repetido por Armindo Laureano, diretor do semanário Novo Jornal. Nestas eleições votam três milhões de eleitores que nasceram depois da guerra civil em Angola e pedem elevação ao discurso político.

E essas pessoas não têm memória de 92. Então esse discurso do retrovisor para trás, para o cenário da guerra, é um discurso que não colhe. Eles querem olhar para frente, têm outra ambição, têm outra perspetiva. Há muita ordem e não temos estado a ver confrontos entre militantes de um partido ou de outro. Vemos que as pessoas estão a passar essas mensagens aos políticos que não querem confusão.

São as eleições mais renhidas dos últimos 30 anos. Apesar disso, Angola está dividida apenas entre dois partidos e dois homens.

Ou seja, esta agitação política toda, esta disputa renhida, apesar de ser uma disputa muito renhida, não vai permitir alguma vez que haja muito mais partidos. Assim, cada vez mais, Angola está bipolarizada entre dois partidos, UNITA e o MPLA.

No seio da UNITA, eles têm essa apreciação de que nunca a UNITA esteve tão perto de ter poder. E no seio do MPLA, há setores que têm essa apreciação de que nunca o MPLA esteve tão perto de perder. E isto são cenários que, de um lado e do outro lado, criam medo.

Em pleno dia de reflexão, as atenções já estão centradas no pós-eleições. A dúvida é como as autoridades e as pessoas vão reagir aos resultados do ato eleitoral mais renhido dos últimos 30 anos.