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Carla Campos, que é presidente da promotora Live Experiences, é também a detentora do CoolJazz e é também a promotora do festival ID No Limits. Boa tarde, Carla Campos. É, para já, uma possibilidade bem real esta dos concertos e espetáculos ao vivo durante o verão ou, para já, é preciso ter cuidado com este tipo de previsões?
Olá, boa tarde. Sim, sem dúvida. É já um bom princípio. Há já alguns meses que pusemos esta proposta de fazermos estes testes-piloto, fazendo eventos que chamámos de bolhas seguras, onde todas as pessoas, desde o público às pessoas que estão a trabalhar no evento, ou seja, dentro do evento, todos estão testados e, portanto, todos estão testados no sentido de que todos estão negativos à Covid-19 e, por isso, é um espaço onde não existe o distanciamento, não existe máscaras e, portanto, é um espaço normal, como era antes de termos a pandemia Covid, onde já se fizeram estes testes em vários lugares na Europa e, portanto, provar exatamente que é possível estar dessa forma. Para isso, queremos fazer dois eventos-teste. Fizemos essa proposta, a APES apresentou essa proposta ao Ministério da Cultura e também à Direção-Geral de Saúde. Temos vindo a fazer várias reuniões de trabalho nesse sentido. Já está aprovado que o vamos fazer, mas só quando desconfinarmos, portanto, provavelmente será em abril. Será feito um indoor e um outdoor, para vermos as duas situações, em eventos de exterior e eventos interior, em que vamos buscar voluntários que serão testados antes do evento, vão ao evento e vai decorrer um evento normal, com artistas, com palco, com tudo, com staff, como um evento exatamente normal. Posteriormente ao evento, vão ser novamente testados para provarmos que efetivamente não há Covid, verificarmos e analisarmos tudo a seguir, 15 dias depois do evento, e vermos que não houve ninguém que tenha sido infetado.
E já agora, Carla Campos, enquanto promotora também, uma responsável pela organização do Festival ID No Limits, que se realiza, se não estou em erro, na região de Cascais, portanto, na região também da Grande Lisboa. Este festival, que se realiza agora no mês de abril, pode ser um desses eventos-piloto que pode ou não determinar aquilo que vai acontecer daqui para a frente?
Exato. É isso que estamos a aguardar, se poderá ser o ID No Limits também um espaço e um momento para se fazer o teste.
Mas para já ainda não é certo qual será o festival.
Não, ainda não é certo. Estamos a aguardar, em conjunto com o governo, o momento ideal para o fazer.
Carla Campos, de forma muito breve, para terminarmos aqui a nossa conversa. Entretanto, da parte do governo, há essa garantia mesmo de que se houver aqui, no fundo, um balanço positivo daquilo que se vai fazer nestes dois testes-piloto, há mesmo essa garantia de que haverá maior abertura para que no verão os portugueses e também os estrangeiros, os muitos estrangeiros que normalmente viajam para Portugal para festivais de verão, podem contar com este tipo de espetáculos ao vivo, ao ar livre? E falamos aqui apenas de festivais ao ar livre ou também em recinto fechado?
Aquilo que nós queremos fazer ao fazer estes testes-piloto é que as lotações dos eventos, sejam indoor ou outdoor, dos festivais de verão, de inverno, seja o que for, sejam feitos com lotação de 100%, porque com a lotação a 50%, como neste momento nós temos, que são as atuais normas da Direção-Geral de Saúde, que é aquilo que podemos fazer neste momento, não nos é possível trabalhar, porque não é viável financeiramente. E, portanto, ou voltamos a trabalhar com 100%, que é o que é viável, e para isso temos que voltar ao normal ou ao período antes da pandemia. E, portanto, a única forma de trabalhar é trabalhar desta maneira, como vamos fazer com os testes. Por isso, o governo aceitou este desafio que lhe propusemos, a exemplo do que já se fez noutros países da Europa. Aliás, a Inglaterra esta semana já aprovou uma metodologia de trabalho exemplo deste que nós vamos fazer este teste e já fez o seu calendário, que a partir de junho, inclusive discotecas, bares, já vão passar a trabalhar desta maneira, como bolhas seguras, ou seja, à porta ou apresentam uma vacina ou apresentam um teste com menos de 72 horas ou fazem à porta um teste de antígeno, que já foi aprovado entre o governo e as áreas de entretenimento, de lazer. E, portanto, isto tem que voltar ao normal, mas voltar ao normal significa lotação de 100%. Menos de 100% de lotação, nós não conseguimos trabalhar. E por isso é nesse sentido que nós precisamos que este teste-piloto seja feito, que o governo entenda que é seguro, para que todos nós possamos voltar outra vez a trabalhar, porque até agora os apoios não chegaram e nós não temos nenhuma forma de continuar a não trabalhar, estarmos parados sem trabalhar e não termos nenhum apoio. Portanto, temos que voltar a trabalhar de alguma maneira, porque os apoios até agora não chegaram.
Obrigado, Carla Campos, por ter estado conosco aqui na Rádio Observador.
Contamos que este teste nos sirva para nós comprovarmos e confrontarmos o governo que isto é possível e é uma forma de voltarmos a trabalhar.