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Esta doença é uma febre hemorrágica transmitida pelo contacto com animais. É uma zoonose, uma doença que habitualmente atinge mais os animais. Estamos a falar de veados, animais de grande porte, vacas, ovelhas, e que existe já um pouco por todo o mundo, mas tem aumentado a sua incidência nas regiões, nomeadamente da bacia do Mediterrâneo, à custa também da maior disseminação do artrópode que transmite, a carraça, que pode transmitir o vírus, e que tem sido identificada em cada vez maior número de locais, nomeadamente em Portugal, um pouco por todo o país. Esta é uma doença que cursa com sintomas, na maioria das vezes, ligeiros, como febre, dores musculares, dores de cabeça, aquele mal-estar geral associado a uma virose, mas que em doentes com maior risco de comorbidade, idosos, doentes crónicos, pessoas com alterações do seu sistema imunitário, pode originar sintomas mais fortes, nomeadamente até hemorragias e falências multiorgânicas, que podem levar à necessidade de internamento hospitalar e infelizmente, entre as pessoas que têm necessidade de internamento hospitalar, cerca de 30% delas, segundo a literatura, podem vir a falecer. É uma doença que neste momento, em Portugal, não traz nenhum risco acrescido, porque deste caso identificado não estão identificados contactos que possam vir a ser infecciosos ou que possam estar neste momento a contrair a doença, porque isto além de ser transmitido pelo artrópode, pela carraça, pode ser transmitido por contacto próximo com sangue ou partes do corpo das pessoas doentes e pode ser transmitido de pessoa a pessoa. E por isso também é preciso ter muito cuidado. E há um caso descrito de uma enfermeira em Madrid, que em contacto com um caso que veio a falecer da febre hemorrágica da Crimeia-Congo, que também desenvolveu a doença. Neste momento, aquilo que é necessário a população fazer é manter a sua atenção e os seus cuidados o mais saudáveis possível e sempre que tiverem necessidade, ou porque trabalham no campo, são cuidadores de animais ou até são médicos veterinários que lidam com animais, ou as pessoas que fazem passeios e trilhos em locais com vegetação elevada, devem ter de facto um cuidado acrescido, tendo o cuidado de utilizar roupa clara, larga, que possa ser facilmente verificada para o aparecimento de alguma carraça, que faça uma inspeção sempre que terminam o seu passeio e que possam também utilizar os trilhos que usam pela zona mais central, limitando o contato com a vegetação para minimizar o risco de poder vir a ser mordido.
Pegando nessa parte da transmissão, acha que este problema poderá transformar-se num problema de saúde pública?
Ele é um problema de saúde pública, porque era uma doença transmitida apenas nos países tropicais, mas com o aumento das alterações climáticas e o aumento da temperatura média, tem permitido que tenha surgido em outros locais com latitudes superiores e por isso é um problema de saúde pública. A saúde pública vigia esta circunstância, já fazia também a vigilância dos vetores em meio ambiente e continuamos a fazer essa vigilância a longo prazo. Agora, não é neste momento um alarme ou uma situação de elevada preocupação. Devemos é conhecer os sintomas, conhecer os riscos, para que depois possamos minimizá-los no nosso dia a dia.