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Nas últimas semanas, meses, tem existido trabalhos um pouco por todo o país, no sentido do plano de prevenção e de redução do risco de incêndio, quer a nível municipal, quer o próprio ICNF. Mas isso faz parte das ações de prevenção, de redução de biomassa, gestão de faixas de proteção. Mas não vi nada avisado para estes dias em concreto, agora com esta subida de temperatura. Estes trabalhos de prevenção também estariam a terminar ou já teriam terminado, porque as temperaturas estão a aumentar.
E acha que já terminaram?
Alguns locais onde temos estado a acompanhar ou a colaborar no âmbito de algumas ações, o que não foi já feito, já só fica pra o próximo ano. Agora começam os trabalhos de vigilância, propriamente ditos. Agora é mais avaliação de situações e, no caso da sua detecção, a intervenção quando for necessário. Os trabalhos de prevenção, de gestão de matos e afins, esses se não terminaram, imagino que o que tenha ficado já seja depois do verão, não é pro próximo ano.
E acredita que podem fazer diferença esses terrenos que não foram limpos?
A questão da limpeza é um termo que se utiliza de uma forma um bocadinho geral, mas não é obrigatório que haja uma limpeza. A natureza por si não é suja. O que há é a necessidade de gerir zonas que tenham maior risco, maior biomassa acumulada, maior combustibilidade também da vegetação e delimitar zonas que sejam prioritárias pra que esses trabalhos também tenham uma coerência em termos de paisagem. Portanto, delimitar zonas que têm maior risco ou maiores valores, ou populações, e desenhar essas medidas, reduzir o risco de incêndio pra essas áreas e nas outras tentar gerir o melhor possível também. Tem havido um grande esforço a nível nacional nos últimos anos, ou estava a haver, no sentido de ter muito trabalho de prevenção. Esta questão dos fogos não é só na altura do verão que ela tem que ser trabalhada. Ao longo de todo o ano o trabalho é muito intenso e tem que ser feito e planeado ao longo do ano pra se identificar estas zonas onde há muita acumulação de vegetação, quais é que são as áreas prioritárias de proteção, o que é que tem que ser feito pra reduzir esse risco. E isso vai sendo feito, uns sítios um bocadinho melhor, noutros pior. A questão do abandono rural e da pouca população em grande parte do território nacional, nas zonas do interior, também veio trazer um risco maior, porque os terrenos acabam por ter menos pessoas, menos atividade humana, e isso depois tem levado, às vezes, a incêndios de maiores dimensões mesmo, e às vezes, situações climatéricas muitíssimo adversas que se propiciam. E junta-se tudo. Claro que, tendo sido uma primavera muito chuvosa, primavera e inverno, há muito mais crescimento de biomassa. Basta ver um pouco por todo o país, norte a sul. Há muito mais vegetação, porque o inverno não foi seco, portanto, isso muitas vezes condiciona o crescimento da vegetação. Este ano foi bastante chuvoso. Agora com as temperaturas mais altas, também a vegetação cresce muito mais. São sempre situações que têm que ser tidas em conta e avaliadas por quem está, seja desde a Proteção Civil, aos bombeiros, ao ICNF e a todas as entidades que acabam por estar a gerir o território, seja desde agricultores aos gestores florestais ou mesmo a organizações de conservação, como o caso da Palombar e outras no país, em que muitos dos projetos incluem também medidas de redução do risco de incêndio pra proteção dos valores naturais. Existem vários projetos que essas são medidas já incluídas logo de início nesses projetos, também pra prevenir e gerir a paisagem de acordo com os valores naturais que estão identificados e tentar evitar que haja uma situação drástica, de grandes fogos, que são maus pras pessoas, mas também pro patrimônio natural e é um dos objetivos também de muitos dos projetos de conservação hoje em dia que decorrem em Portugal.