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Helena Rodrigues é presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado. Helena Rodrigues, começo por lhe pedir esse comentário em relação a esta inflação conhecida hoje, o valor da inflação que se fixou em dezembro nos 2,8%. Começo por lhe perguntar como é que o sindicato reage a estes números.

É uma péssima notícia, não só para os trabalhadores da administração pública, mas para todos os trabalhadores do país. Isto é, quando continuamos a ter perdas significativas daquilo que é o salário que todos os meses recebemos, com certeza que aquilo que se perspetiva continua a ser o empobrecimento daqueles que trabalham, daqueles que criam riqueza no país. Esta é uma questão relevante. Esta é uma questão que tem que ser olhada de uma forma diferente daquilo que os governos olham. O trabalhador não é um encargo para o país. O trabalhador cria riqueza, seja na administração pública, seja de formas diferentes, seja na administração pública, seja no setor privado, e paga os seus impostos. E se assim não for, nós vamos continuar a ter um país que vai ficando na cauda da Europa, quando comparado com todos os outros países que até entraram muito depois de nós e, segundo se dizia, mais pobres. O que é certo é que recuperam e nós continuamos a empobrecer. Isto é absolutamente inaceitável.

Portanto, é motivo de preocupação estes 2,8% registados na inflação.

Grande preocupação. Não só os 2,8%, mas também os 0,9% que o Governo, numa altura de saída, quis dar aos funcionários, aos trabalhadores da administração pública, para 2022, com base naquilo que seria 2021. E todos nós já sabemos que em 2022 muitas coisas vão aumentar: a eletricidade, o gás, a gasolina. Portanto, continuamos a caminhar para o empobrecimento geral no país. Não sabemos, afinal, quem são os bem-sucedidos, porque do que temos notícias, são notícias muito estranhas. Pelos vistos, estão em apuros.

E, portanto, esses aumentos salariais promovidos pelo Governo de 0,9% para a função pública acabam por não ter efeito, é isso?

Não têm qualquer efeito, nem pouco mais ou menos. Não têm qualquer efeito. Já com o 0,9%, sem saber desta inflação, alguns trabalhadores vão ter um salário líquido inferior. Não se pode dizer que seja muito, mas como não houve atualização dos escalões do IRS, os trabalhadores vão ter um salário líquido inferior, designadamente trabalhadores das carreiras superiores. E, portanto, isto é continuar a apostar no pouco, no pequeno, não ter um pensamento mais global e ver como é que temos que dar a volta a isto.

Para terminar, Helena Rodrigues, perguntava-lhe: de certa forma, que solução é que pode ser tomada para travar este cenário? Há atualizações de 0,9%, mas na verdade os portugueses vão perder poder de compra. Como é que se pode dar a volta a esta situação, nesta altura?

Os economistas, com certeza, e a academia deve saber, tantas vezes se pronuncia sobre estas questões, deve saber como é que se dá a volta. Mas aquilo que nós dizemos enquanto organização sindical, e representando os trabalhadores, é que sem dinheiro na mão daqueles que dão vida à economia, não são só os que a obtêm, são aqueles que não têm, acima de tudo, aqueles que não têm. Vamos continuar a ter cada vez mais uma economia informal, própria de países pobres, muito pobres, e continuamos a ter uma camada significativa da população a empobrecer. Este não é um país que vá crescer. Este assim não é um país que tenha muito futuro.