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Junta-se a este jornal das 19h Duarte Cordeiro, é o secretário de Estado que tem no governo a responsabilidade pela coordenação do combate à Covid-19 na região de Lisboa. Muito boa tarde, bem-vindo aqui ao Centro Colombo, onde estamos a fazer esta emissão de aniversário da Rádio Observador, segundo aniversário. Duarte Cordeiro, há uma hora tivemos, às 18h, o secretário de Estado que tem a coordenação da área do Algarve, que reconheceu que a situação no Algarve é preocupante. Eu faço-lhe a mesma pergunta: podemos nesta altura classificar a situação em Lisboa, no que toca à pandemia, como preocupante?
Muito boa tarde, muito obrigado pelo convite e parabéns à Rádio Observador pelo segundo aniversário. Sim, eu acho que a situação que nós vivemos na região de Lisboa e Vale do Tejo é uma situação que nos deve preocupar, mas obviamente devemos saber enquadrá-la. Quero com isto dizer, eu sei que é difícil, as pessoas hoje em dia esperam respostas mais simples. Sim/não. É preocupante/não é preocupante. Se por um lado nós temos níveis de incidência muito altos e isso significa que temos cadeias de transmissão em muitos concelhos, dentro dos concelhos em muitas faixas etárias, mas em particular nas faixas etárias não vacinadas e em particular dos 15 aos 40 anos de idade, onde nós temos uma maior pressão do ponto de vista da sua transmissão. E isso acresce de preocupação, porque nós sabemos que estamos a aumentar o número de internados e estamos a aumentar o número de pessoas em cuidados intensivos. Por outro lado, ainda não passámos nenhuma das linhas vermelhas que nós tínhamos definido com as equipas quando começámos a pensar no processo de desconfinamento. Quando nós olhamos para taxas de crescimento, devemos nos preocupar, porque nós devemos atacar as taxas de crescimento o mais rapidamente possível e evitar que se coloque numa situação de linhas vermelhas.
O que é que está a ser feito para atacar essas taxas de crescimento?
Várias coisas. A primeira coisa e mais importante é a vacinação. A melhor resposta para a Covid-19 é a vacinação, portanto, continuar o ritmo de vacinação que nós temos tido, alargar as faixas etárias, sensibilizar a população para a vacinação é, sem dúvida, a melhor resposta que nós temos.
Estamos hoje nos 33 anos. O que é que vamos ter agora nos próximos dias?
Não, nós estamos nos 33 anos. É preciso que a população adira à vacinação. Nós já ultrapassámos as sete milhões de inoculações. Provavelmente, nestes dias atingiremos as oito milhões de inoculações e estamos a progredir para atingir objetivos muito concretos. Não é indiferente para nós, nós antes de termos esta variante Delta, entendíamos que o momento que permitia repensar o processo de desconfinamento correspondia a termos uma dose nos mais de 60 anos de idade. Hoje, com a variante Delta, repensamos um pouco, porque percebemos que não só é uma variante com níveis de transmissibilidade superior, como nem todas as pessoas estão imunes a poder ficar infectadas, apesar de poder ter uma dose ou poder já ter tido Covid. E agora o nosso foco é garantir a segunda dose de vacinação nos mais de 60 anos. Mais de 60 anos, porque representam a esmagadora maioria da mortalidade, segunda dose porque protege para a variante. Sabemos que iremos atingir durante o mês de julho este objetivo, sabemos que durante o mês de agosto iremos atingir 70% da população com uma primeira dose e esperamos que no mês de setembro atingir 70% da população com duas doses. E esta é a principal resposta à Covid-19 e nós temos que conseguir ganhar tempo para poder atingir estes objetivos. Também sabemos que quando temos vacinação completa em grande parte da população, a incidência cai e conseguimos, de alguma maneira, combater melhor.
E os casos mais graves não são tão graves e estão a diminuir. Mas o que é facto é que-
Eu ia lhe dizer, há três linhas de resposta.
Então vamos a elas.
Vacinação, já respondi. Testes e, portanto, foi importante nós, nomeadamente esta semana, com a decisão de permitir a circulação dentro e fora da área metropolitana de Lisboa.
Vamos já pegar nesse ponto. Considera que essa é uma medida realmente eficaz?
Considero. Aliás, conjugada-
Mas como e por quê?
Já percebi que duvida dela.
Eu e muita gente, toda a gente. Muita gente tem dúvidas sobre a eficácia da medida, que mantém quase três milhões de pessoas.
Nesse caso, menos, porque como é a área metropolitana, é 1,8.
A poder circular aqui à vontade, impedidas de sair. E não se compreende bem como é que em Lisboa não se pode jantar no sábado à noite, mas pode ir jantar à Amadora ou Oeiras.
Podia, no próximo fim de semana. Alguns desses concelhos vão reduzir o horário para as 15h30, porque também têm incidências elevadas. Mas deixe-me só colocar a coisa em perspetiva.
Já sabe que concelhos vão mudar?
Todos os concelhos que tinham mais de 240 casos por 100 mil habitantes na quinta-feira passada e que na próxima quinta-feira mantiverem os 240 casos por 100 mil habitantes. Todos esses da área metropolitana vão reduzir o seu horário para as 15h30, todos os outros vão ter o horário das 22h30. Mas deixe-me então tentar procurar explicar e colocar a coisa em perspetiva. Nós às vezes procuramos sempre, eu percebo, respostas absolutas para, como costumo dizer, balas de prata, mas elas não existem. O objetivo de uma restrição à circulação é retardar o processo de contágio. Nós temos uma grande concentração de casos na região de Lisboa com variante Delta. Ela vai naturalmente, porque é difícil garantir uma contenção total, ela vai progredindo. A verdade é que se nós conseguirmos atrasar essa progressão, nós ganhamos semanas de vacinação nas outras regiões do país. E ganhar semanas de vacinação não é um detalhe, não é um pormenor. E portanto, nós conseguirmos retardar, conter, dificultar tudo o que significa mobilidade da zona do país onde nós temos maior concentração de casos e variante Delta para o resto do país, na nossa opinião, não é um pormenor. Adicionalmente, acho que essa medida, na semana passada, foi particularmente feliz, que é: ao permitir que as pessoas com certificado digital possam entrar e sair da região de Lisboa, nós demos um grande impulso pra testagem. Repare, na sexta-feira da semana passada, só nas farmácias de Lisboa, foram testadas 8 mil pessoas.
E já não havia hipótese de testar mais.
No sábado, 3 mil pessoas. Isto aqui nas farmácias. As farmácias não são a totalidade dos testes do conselho.
Esta experiência é pra repetir nos próximos fins de semana.
Esta experiência mostra uma coisa que eu acho que é muito positiva, que é: as pessoas procurando testar-se podem circular, porque não representam risco. As pessoas com vacinação completa podem circular porque não representam risco. Isto, de alguma maneira, também conduz as pessoas.
Mas cá dentro também podem circular, não é?
Podem, porque há uma incidência homogênea, não há uma diferença grande.
Não vamos regressar a um confinamento. Porque realmente as medidas eficazes são o distanciamento social e o afastamento. Mantermos afastados uns dos outros.
Eu ia dizer que nós temos três grandes linhas de resposta: vacinação, a testagem.
Essas são as medidas.
A testagem e tudo o que significa incentivos à testagem é uma grande resposta. Não é um pormenor nós, com o certificado digital, incentivarmos as pessoas a testar-se, porque se nós tivermos mais pessoas a testar-se, vamos isolar as pessoas infectadas das não infectadas. E a terceira é, obviamente, a limitação à circulação e, nomeadamente, dentro da região, a questão dos horários. Porque se nós diminuímos os horários aos fins de semana-
Vamos ter, por exemplo, conselhos isolados ou não?
Nós já tivemos conselhos isolados esta semana. Lisboa teve um horário das 15h30 e à volta não teve.
Era possível almoçar aqui em Lisboa e jantar a Oeiras, não é?
É, mas se pensar bem, a questão é: as medidas que nós adotamos, se depois traduzem-se numa redução da mobilidade ou não das pessoas.
E traduziram?
Traduziram, naturalmente. E quando traduzem, produzem efeitos, porque diminui a interação social, diminui a mobilidade entre as pessoas. O objetivo principal das medidas é esse. Por isso é que nós temos estado a aplicar as medidas por conselho. Se me está a dizer: "Elas são perfeitas?" O objetivo não é a perfeição para cada medida que nós encontramos. O objetivo é que elas nos produzam resultados no sentido certo. E qual é o sentido certo? Diminuir a mobilidade, diminuir a interação e, com isso, diminuir o número de casos. Mas hoje nós temos um conjunto de barreiras. Nós vamos ter que ir introduzindo barreiras à mesma altura que vamos tentar conferir graus de liberdade na sociedade portuguesa. Eu, por exemplo, acho que esta prova do certificado digital na circulação cria-nos muitas oportunidades. Nós conseguimos com que os testes sejam acessíveis às pessoas. E o que é que permite, por exemplo, de hoje pra amanhã? Permite-nos repensar quando atingimos determinados níveis de vacinação, mais de 60 anos com duas doses, por exemplo. Permitirá repensar se se justifica continuar a reduzir os horários ou se, por exemplo, podemos começar a introduzir, sim, o certificado como a forma de nós podermos fazer mais coisas na nossa sociedade.
Sabe perfeitamente, temos aqui sempre os tempos muito limitados, mas falou do certificado digital que permitia a quem tem uma dose de vacina pedir o certificado. Depois foi preciso esclarecer que esse certificado não é válido porque precisa ter duas doses de vacina. Isto não é aquele tipo de coisa?
Eu acho que toda a gente que é não certificada a dizer que tem uma dose de vacina.
Mas isto não é aquela coisa que pode ser tratada logo à cabeça? Quem foi ao site e inscreveu, obteve o certificado, afinal não é válido.
É válido, tem lá uma vacina. Diz qual é a vacina que tem.
Mas não é válido pra sair, por exemplo.
Mas o certificado não é só pra sair.
Mas isto não induz as pessoas em erro?
Não, eu acho que não. Nós estamos a viver numa sociedade muito mais difícil, num momento mais difícil, onde temos múltiplas regras que tivemos todos que aprender neste último ano.
Já ninguém é sabe de cor.
Ninguém é sabe de cor e eu reconheço que isto cansa as pessoas, isto satura as pessoas e torna muito difícil a compreensão relativamente à linha geral de compreender as regras todas com que nós temos que viver e depois vamos mudando as regras, isso não é fácil. O governo vai procurando alterar aquilo que são, num determinado momento, as nossas regras de convívio social, em função da informação que tem e procurando ir melhorando, afinando, ajustando as suas medidas. E realmente não é fácil, porque é em função dos resultados que as medidas vão nos permitindo, eventualmente, corrigir, alterar, melhorar. Começámos por introduzir a circulação na área metropolitana de Lisboa sem permitir, sequer, exceção nenhuma pra entrar e pra sair. Verificámos que o certificado digital estava a funcionar bem, ou seja, entre o momento em que faz um teste e vai pedir o certificado, automaticamente aparece lá. Tecnologicamente, estava tudo a funcionar. Eu sei que hoje em dia parece óbvio, mas não é. Centenas de milhares de pessoas a fazer testes e a tirar os seus certificados. Funcionou, introduzimos pra circulação da área metropolitana. E vamos aprendendo.
Muito obrigado por ter vindo a este Jornal das sete da Rádio Observador, que estamos a fazer em direto do Centro Colombo.
E uma vez mais, parabéns à Rádio Observador.
Muito obrigado! O secretário de Estado Duarte Cordeiro, que tem a responsabilidade da coordenação do combate à Covid-19 na região de Lisboa.