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Se estes danos poderiam ter sido evitados? Grande parte deles, não. Estamos a falar de uma depressão que veio em direção a Portugal continental vindo do Atlântico, que se apresentou com ventos constantes acima dos 90 km/h e que teve rajadas com picos quase a 150 km/h. É normal que quando temos situações destas de ventos extremos, alguns elementos que sejam mais vulneráveis e que estejam suspensos, que possam eventualmente ter quedas ou deslocamentos. Foi assim que aconteceu, foram pequenas árvores e pequenos ramos que foram caindo e partindo, foram árvores que tinham alguma dificuldade de sustentabilidade no solo, por via de estarem já há muito tempo sem água e agora os solos estão saturados e por via disso, estão mais vulneráveis e tombam. E foi assim a noite que seria evitável. Algumas pequenas coisas, sim, algumas estruturas tipo esplanadas que estavam abertas e que tinham lonas, se estivessem bem recolhidas poderiam ter sido de outra forma, mas nada que não fosse expectável.

Portanto, de um modo geral, os avisos e os alertas feitos à população ajudaram a fazer diminuir alguns dos danos.

Sim, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil fez os avisos e alertas no tempo certo. Preparou todos os serviços municipais de Proteção Civil para estarem de plantão a noite toda, assim como estiveram na grande maioria dos municípios em Portugal. Foi o atender das ocorrências, foi ir a todos os locais verificar e acompanhar as situações. E foi uma noite de muito trabalho e agora temos uma manhã de reposição da normalidade e esperamos que até à 13h, 14h seja tudo mais ou menos reposto, tendo em conta que temos uma nova previsão mais para o fim da tarde de alguma intempérie, nada comparado com a noite anterior, mas que poderá trazer também alguma preocupação.

É precisamente esta situação e esta coordenação que eu gostava que nos ajudasse a explicar como é que funciona, porque são milhares de ocorrências espalhadas por um vasto território. Como é que se articulam os meios no terreno nestes casos?

Estas ocorrências, sendo ocorrências mais localizadas dentro de uma cidade, cabe ao Serviço Municipal de Proteção Civil a coordenação da gestão dos meios, de quem é que vai à ocorrência, que tipo de situação é que se enfrenta, se vão os bombeiros para desobstruir alguma situação, se vai alguma equipa especializada para cortar uma árvore ou para retirar alguma estrutura que esteja caída. Os meios são responsáveis por fazer isso. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil tem um papel mais de supervisão acima destas estruturas municipais, que caso entre em grande problema mais do que um município, eles passam a tomar conta da ocorrência e da operação, se for necessário. E é assim que se desenvolve, basicamente, é por patamares. Neste momento, foi uma noite de patamares municipais, em que os 308, na sua grande maioria, estavam a trabalhar a noite toda nos seus centros de coordenação operacional municipal e foi assim a noite que decorreu.