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Primeiro, o que é que em outubro já se pode, a níveis práticos, ver no Metro de Lisboa? O que vai acontecer relativamente a este projeto?
Nós identificamos aqui uma necessidade de iniciar a operação mais cedo nas zonas de interface, designadamente com a Transtejo Soflusa e também com a CP, porque estes operadores começam a operação mais cedo do que nós. E, portanto, foi criada uma equipa multidisciplinar e entre empresas, que fez um estudo do que seria necessário para cada uma das empresas preparar ou acautelar para que se iniciasse a operação mais cedo. Chegou-se à conclusão de que a empresa que começa a operação mais tarde é o Metro. Somos nós que vamos ter que criar as condições para que a operação comece mais cedo nas zonas de interface, que normalmente é tipicamente mais nos extremos da linha, tirando a linha de Campos, que não é o extremo da linha amarela, mas nas zonas onde temos interface com a Transtejo Soflusa e com a CP. Isso vai implicar não só termos mais circulações mais cedo, mas também fazermos uns ajustes à manutenção, porque grande parte da manutenção do material circulante e da via é feita durante a noite, desde que a linha fecha à 01:30 da manhã, não começa logo à 01:30 da manhã, começa às 02:00 da manhã, até às 05:30 da manhã. Portanto, é necessário haver aqui um certo ajuste, uma forma de repensar a reorganização dos processos. Nós já temos as coisas delineadas, pensadas, que resultam do estudo desse grupo de trabalho, mas o objetivo é iniciarmos em janeiro de 27, com uma frequência diária. Ainda estamos a pensar se inclui fim de semana ou não, porque provavelmente a procura do fim de semana não é tão grande como é durante a semana, mas para afinarmos a operação, vamos criar e iniciar um piloto em outubro deste ano.
Ok. Este projeto-piloto inclui apenas este novo horário ou tem mais outras componentes?
Não, o projeto-piloto é para o novo horário, para a abertura mais cedo de manhã.
Ok. E esta decisão veio também por causa do Transtejo, foi algo pensado em conjunto nesse grupo de trabalho?
Foi. É um trabalho que estamos a fazer com a Transtejo e com a CP, e foi uma necessidade identificada entre conversas que nós temos entre os três operadores, e resolvemos criar um grupo de trabalho entre as três empresas, que está a desenvolver esse estudo desde março.
Ok. Já é previsto em outubro este teste já ser aplicado?
É nosso objetivo iniciar o teste, esta operação piloto, em outubro. O que isso implica? Implica que também temos que negociar isso com os sindicatos ou apresentar estas ideias aos sindicatos, porque uma empresa destas nós temos que ter aqui o contributo, tanto dos sindicatos como da comissão de trabalhadores, porque também faz parte dos nossos estatutos. Este diálogo com estas instituições representativas dos trabalhadores, ajustar em termos dos horários da manutenção e este piloto ser precisamente para isso. Perceber qual a frequência que vai ser necessária, o volume de pessoas que existem naqueles locais, e que ajustes nós vamos ter que fazer nos horários de manutenção do Metropolitano de Lisboa.
Ok, então isso a nível prático quer dizer que em outubro já se pode esperar, pelo menos, alguma frequência deste projeto?
É o nosso objetivo. Maria Manuel, é o nosso objetivo, estamos a trabalhar nesse sentido.
Ok. E depois tinha falado sobre as necessidades que isto vem responder. Que necessidades específicas acredita que vem, neste momento, este alargamento do horário responder?
Os barcos chegam às 05:30 da manhã, cada barco leva cerca de 500 pessoas. Não tem alternativa para os passageiros, não tem metro. E, portanto, a necessidade decorre daí. Termo-nos apercebido que há pessoas que chegam ao Terreiro do Paço, chegam ao Cais do Sodré e se quiserem vir para o centro da cidade, as alternativas são quase nulas ou são quase insignificativas.
Ok, então é para complementar o trabalho de Transtejo.
Exatamente. Ou seja, é uma lógica da interoperabilidade dos operadores. Nós existimos para prestar um serviço de transporte aos passageiros e, portanto, não haver aqui cortes. Não haver falhas e o passageiro que planeia a vida dele, quer vir a uma consulta, quer vir trabalhar, etc., e tem que vir mais cedo, de repente não tem alternativa em termos de transporte. Chega a Lisboa, vem da margem sul, imagino, ou vem da linha de Sintra, ou vem da linha de Cascais, chega ao ponto de destino na cidade de Lisboa e não tem alternativas de transportes se chegar às 05:30 da manhã ou 05:45 da manhã.
Ok.
As alternativas são muito incipientes.
Ok. E por fim, tem alguma previsão de quando é que se saberá se este projeto efetivamente vai avançar? Pegando na temática dos sindicatos e da comissão dos trabalhadores, saberá dizer quando é que vai ter mais informação relativamente a se este projeto vai avançar da maneira como está previsto?
O projeto é para avançar como está previsto. A tutela está alinhada conosco, temos estado a falar com a tutela sobre esta matéria. Não antevejo, do lado das organizações representativas dos trabalhadores, oposição a que a empresa cumpra o seu serviço público.
Ok. E relativamente aos horários do fim de semana, que disse que ainda estava em processo.
Essa é outra dimensão da nossa prestação de serviço. Esse é um trabalho que também já pedi às equipes internas, da área da operação e da manutenção, para melhorarmos a frequência do horário no corpo do dia de sábado e domingo. Porque é muito espaçado e nós precisamos dar resposta àquilo que é a procura dos nossos passageiros ao sábado e ao domingo. As pessoas hoje em dia têm comportamentos diferentes em termos daquilo que é a forma como vivem a cidade, como circulam na cidade. Também a procura ao nível do turismo é muito grande e precisamos, de fato, dar uma resposta adequada àquilo que é a procura que sentimos hoje em dia. E esse é um trabalho que as equipes estão a desenvolver também, o que é preciso para iniciarmos essa operação. Agora não te consigo dizer qual é a data. Eu gostaria que ainda fosse este verão, mas provavelmente não consigo. Mas estamos a trabalhar também nesse sentido.
Ok, e depois também relativamente ao projeto-piloto, será feita uma análise relativamente a como é que vai resultar este projeto para depois também ser aplicado em 2027, a pensar na maneira como resultou já este estudo.
E em 2027 já seria todos os dias da semana.
Ok. Pronto, é isso. Obrigada.
Ok. Muito bem, muito obrigada. Gostei de ouvi-la.
Obrigada