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Foi numa publicação no Facebook que Quaresma considera que as declarações de André Ventura sobre a comunidade cigana são racistas. Chega a falar em vozes de burros. Ontem o deputado defendia um plano de confinamento específico para a comunidade cigana. Quaresma critica, diz que o populismo e o racismo servem para criar guerras, mas que só quem as promove é que ganha com isso. O atleta que joga atualmente na Turquia lembra que também ele próprio é cigano, mas que é português como todos os outros e que a Seleção Nacional é um bom exemplo de que há portugueses de todas as cores. O deputado do Chega argumenta que a comunidade cigana não aceita, regra geral, as normas sanitárias e da autoridade pública. Temos ao telefone agora o presidente da Associação de Mediadores Ciganos de Portugal, Prudêncio Canhoto. Bom dia, obrigada por estar conosco. Como é que encara esta proposta do deputado único do Chega, de haver regras diferentes para a comunidade cigana?
Muito bom dia. Este senhor do Chega é um senhor que eu não ligo muito. Este senhor é tão baixo que leva a tomar essas medidas. Ele diz: "um confinamento para a comunidade cigana." Então nós não somos todos portugueses? Isto é um ato de racismo.
Portanto, subscreve e concorda com aquilo que Ricardo Quaresma escreveu no Facebook.
Claro, ele quer é causar revolta, ele quer é causar o contra, porque ele é sempre o contra. O Chega, quer dizer, já chega. Ele é o contra de tudo. Ele é um senhor que tem 30 ou 40 mil votos ganhos por causa dessas revoltas, porque quando há uma situação qualquer, ele é logo o contra. E olha depois os contras, alguns contras que há, vai tudo para o lado dele e ele está se a aproveitar disso. Este senhor é um racista, este senhor não é digno de nada. Eu não sou político e não tenho nada com a política, mas como cigano, como cidadão português que sou, claro, eu e todos ficamos revoltados. Agora, medidas para a comunidade cigana? As medidas têm que ser para todo o país, para os portugueses. Não é agora medidas para a comunidade cigana. Ele é um racista. Este senhor não vai muito longe.
Prudêncio Canhoto, no entanto, a própria associação que representa já manifestou preocupações em relação a algumas comunidades ciganas nesta fase da pandemia, porque, por exemplo, muitas não têm casa. Há dificuldades específicas para os ciganos nesta altura?
Há dificuldades específicas? Não, há dificuldades para todos. Esta epidemia está a tomar medidas para os portugueses, não é ciganos e não é não ciganos. Quando eu digo que há fome em Portugal, não é só para os ciganos, é para aqueles que vão para o desemprego, é para aqueles que não trabalham, é para todos. Quando eu digo medidas, claro que a comunidade cigana é uma comunidade em que alguns não têm condições, são condições mesmo precárias.
E para esses é naturalmente mais difícil estes momentos.
Claro, exatamente. É só por causa dessa situação. Agora, as medidas têm que ser para todos os portugueses.
E essas medidas, Prudêncio Canhoto, por exemplo, os vendedores nas feiras que não estão a poder trabalhar até agora, estão a ter os apoios que precisam, os apoios necessários?
Não, olha, isso é uma medida ou outra que não concordo. Ou seja, os que vendem fruta já podem vender nos seus mercados, nas suas praças, têm as suas bancas, já podem vender com as medidas necessárias. Os vendedores também, que vivem da sua atividade, também precisam de uma oportunidade, porque aquele é o sustento deles. Acho que essas pessoas deveriam também ter uma oportunidade para vender. Ou seja, os vendedores contá-los e dizer: "Olha, pelo menos no mercado, se há de estar é 20, só estão cinco e onde estão os vendedores de fruta, pode estar cinco vendendo fruta e cinco vendendo os seus produtos também, porque também são pessoas, também precisam de comer, também têm casas de família."