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Serafim António, presidente da Câmara Municipal da Nazaré.
Olá, boa tarde.
Boa tarde. Perguntava que ponto de situação nos consegue fazer depois da destruição provocada pela depressão Kristen. Esta chuva, naturalmente, não vem ajudar.
Antes de mais, muito boa tarde, Dr. Victório.
Boa tarde.
Nós efetivamente fomos o concelho que foi bastante fustigado com esta tempestade. Para terem uma ideia, nós somos um dos concelhos mais pequenos aqui da região. Estamos a falar de três freguesias e já vamos em cerca de 750 ocorrências. A nossa grande preocupação, numa fase inicial, foi a de criar condições de circulação na via pública e colocar os cidadãos em segurança. Neste momento, tudo o que tem a ver com a parte do edificado municipal, já o conseguimos operacionalizar. Tivemos um grande trabalho nos últimos dias, porque temos tido as escolas muito danificadas e tivemos que criar condições para que as nossas crianças voltassem à normalidade e iniciassem as aulas hoje. Neste momento, hoje recebemos o reforço de um batalhão do exército, que está a nos auxiliar ainda em parte do edificado municipal, em algumas IPSSs, e estamos a começar a dar mais auxílio, com mais força às populações, porque neste momento temos muitas casas de privados que continuam a não ter telhados e o nosso foco está muito em prestar este auxílio direto à população da Nazaré.
Há alguma situação mais preocupante neste momento, algo que preocupe mais a autarquia?
Neste momento, a nossa grande preocupação prende-se com a alteração das condições climatéricas. Nós neste momento estamos a ter aqui muitas chuvas na Nazaré. Temos as nossas equipas, quer seja as equipas municipais, os nossos bombeiros e o próprio exército, que neste momento está conosco a trabalhar em coberturas. E isso, neste momento, é um grande motivo de preocupação, principalmente pelas condições de segurança que queremos que estes homens estejam aqui a trabalhar, que é estranho. E esta situação da alteração climatérica que nós neste momento estamos a ter, temos a ter aqui chuvas fortes, o vento está a começar a intensificar-se e isso neste momento é uma das grandes preocupações que temos.
Sim. É notícia de que a autarquia aplicou uma isenção de taxas por causa da passagem da depressão Kristen, medidas excepcionais. Consegue me explicar ao certo o que foi aplicado, do que estamos aqui a falar?
Nós isentamos aqui os nossos comerciantes. Vamos lá ver, o comércio da Nazaré, que fica na marginal, na frente do mar, foi gravemente afetado. Eu posso lhes dizer que neste momento, se calhar, 80% dos comerciantes da Nazaré foram afetados. E com isso, é uma forma que nós temos de ajudar. E então criamos esta isenção agora para os próximos meses, de forma a que também o tecido económico e o tecido empresarial aqui da Nazaré possa recuperar efetivamente. É uma ajuda, entre outras, que estamos a tentar proporcionar aos nossos comerciantes.
Serafim António, explique-me também, até porque sabemos que estamos em período de inverno, que está agora a chegar ao fim, ainda todo o período da primavera e chuva que se aproxima, há estragos para reparar. E sabemos também que a Nazaré, pela praia e por toda essa zona de praia, é uma região que vive muito de turismo em período de verão. É possível recuperar a tempo do verão? Toda esta situação pode ter impacto também naquilo que é a perspectiva económica para o período de maior afluência?
Efetivamente, a Nazaré, de há muitos anos a esta parte, deixou de ter um turismo sazonal para ter um turismo o ano todo. É verdade que nesta fase já estamos a sentir consequências deste temporal, porque efetivamente, e as condições que neste momento se colocam aqui na região, em termos de segurança, afastam os visitantes aqui da Nazaré e dos concelhos limites.
Sim.
Portanto, isso já é uma situação que nós neste momento já estamos a sofrer na pele aqui, tanto a parte da hotelaria como do próprio comércio. A Nazaré, neste momento, houve aqui uma grande união por parte da população, juntamente com o município. Criamos aqui grandes condições, criamos aqui uma força de trabalho muito grande. Deixe-me dizer que eu acho que fomos um exemplo, em termos nacionais, no que foi a mobilização de toda a população. E posso lhes dizer que neste momento, tudo o que tem a ver com a baixa da Nazaré, que é a parte mais turística do Conselho da Nazaré, neste momento já está em devidas condições para receber os turistas. Portanto, como eu disse ainda há pouco, o nosso grande foco neste momento prende-se com o apoio direto à população. Nós temos aqui muita população, muitas casas afetadas e o nosso foco neste momento está aí e as condições estão completamente criadas para que rapidamente possamos começar a receber os milhares de turistas que diariamente visitam Nazaré.