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Boa tarde, Pedro Sobral. Muito obrigado pela sua disponibilidade em falar com a Rádio Observador.

Boa tarde.

A pergunta que lhe fazia para começarmos esta conversa era se ficou surpreendido com esta escolha da Academia?

A escolha da Academia surpreende sempre. Todos os anos temos sempre um nome que não é expectável. No entanto, se olharmos para aquilo que é o caminho desta autora, obviamente que não. A qualidade da Han Kang é impoluta. É uma das escritoras que, nos últimos anos, maiores notoriedade teve, vindo ainda por cima de onde vai, não é um país propriamente do mainstream literário nos países ocidentais. E obviamente, quem acompanhou a carreira e quem tem acompanhado aquilo que tem sido a enorme qualidade que tem colocado nos seus livros, não se surpreende. A Dom Quixote, como sabe, a publicação Dom Quixote, como sabe, é a casa da Han Kang em Portugal e por isso, obviamente, quando soubemos, além de felizes, não foi pelo choque, mas sim pelo fato de sabermos que é inteiramente merecido.

Referiu que Han Kang é publicada em Portugal. Ela é conhecida por obras como a "Vestariana", o "Livro Branco" ou as "Lições de Grego". Qual é que é a marca? O que caracteriza a obra da Han Kang?

Olha, eu acho que, para já, a sua multiperspectiva. Não é apenas de uma, esta ou aquela variável. Tem uma estrutura muito original, no sentido em que o que ela constrói nos seus livros é algo difícil de encontrar, é profundamente original. Não estamos a falar, por exemplo, de uma narrativa linear que vai de A para B para C. Há ali uma espécie de elipses, voltas e vindas, que obriga a uma atenção com o texto por parte do leitor. Por outro, a narrativa e as personagens são extraordinárias. Não diria que toque e aborde temas leves. São livros que têm alguma dureza, abordam questões e temáticas muito contemporâneas, não deixando palavras nem dourando a pílula. E eu acho que é a combinação de tudo isto, é esta construção original, são personagens e narrativas extraordinariamente interessantes, temas muito atuais, tratados de uma forma muito realista.

Pedro Sobral, muito obrigado, então, mais uma vez pela sua disponibilidade em falar com a Rádio Observador.