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O JN está a avançar com a notícia de que o Zmar vai receber 24 migrantes ainda hoje. Confirma-nos esta informação? Aproveito para acrescentar que nem a GNR, nem a ARS confirmaram esta informação. Por isso perguntava-lhe como é que teve acesso a esta informação.

Eu posso confirmar a informação, com exceção do número de 24, porque eu reuni esta tarde com o Ministério da Administração Interna e com o Ministério da Economia e foi-me dito na reunião que ainda hoje avançavam migrantes para o Zmar. Não me deram o número, mas estavam 50 pessoas identificadas e, portanto, poderia ser um número até 50. O número 24 parece-me razoável. Foi uma reunião em que o governo não aceitou os meus argumentos e decidiu avançar efetivamente contra esta requisição que considero completamente ilegal.

Que mais ações é que podem tomar para impedir a chegada ou de mais migrantes ou para que este processo volte atrás ou o que é que se segue?

Nós temos aqui dois caminhos. Um primeiro caminho de atuação é exatamente o de mostrar à opinião pública o grande desastre que esta requisição civil é, até porque esta requisição civil implica o despedimento de 100 trabalhadores do Zmar, onde se incluem migrantes, alguns nepaleses, outros de outras zonas da Ásia, mas o governo está a colocar migrantes de um lado e está a despedir outros migrantes. E a minha pergunta é: para onde vão estes migrantes que vão ser despedidos? Mas nós também estamos a fazer o nosso trabalho a nível jurídico. Claro que estamos aqui na nossa tranquilidade e na nossa confiança e achamos que o dia de amanhã vai trazer grandes surpresas, porque admito que amanhã haja o primeiro pronúncio de um tribunal sobre este tema e acho que o pronúncio vai ser a nosso favor. Tem sido avançado que nós avançámos com procedimentos cautelares, que avançámos para o tribunal de Beja. A verdade é que tudo isto são um conjunto de opiniões que nós próprios manifestamos nas últimas horas e nos últimos dias, mas há um manancial de atitudes jurídicas que nós podemos tomar e que efetivamente foram tomadas. E, portanto, eu acredito que amanhã vamos ter uma grande novidade relativamente à requisição do Zmar.

Nuno, última questão. Estão em protestos, quantas pessoas são e até quando pensam permanecer em protesto contra esta requisição civil?

Neste momento há 30 pessoas, proprietários, em protesto à portão e começam a juntar-se os trabalhadores. Falavam-me ainda há poucos minutos de 25 trabalhadores, 25 dos 100 já estarem perto dos portões. Portanto, vai intensificar-se aqui o protesto. Claro que ninguém vai entrar em confronto com as autoridades no momento em que levarem para lá os migrantes. Confronto físico nunca, mas as pessoas não vão deixar de protestar e acredito que novas revelações possam estar a caminho, porque não está a ser dita toda a verdade acerca do Zmar, acerca das verdadeiras intenções do governo. E para que não haja mal-entendidos, eu posso aqui desmistificar. A requisição tinha a ver com saúde pública, tinha a ver com Covid-19. Ora, os migrantes que estão a ser levados para o Zmar não têm Covid-19, não têm prova de relacionamento familiar que indique que necessitam de uma quarentena. As pessoas que estão a ser levadas para o Zmar são migrantes que vivem em condições de insalubridade nas suas casas e nos seus contentores. Portanto, está a ser perseguido um interesse que não é o interesse sanitário. É um interesse público, sim, relativo às minorias e às condições inimagináveis de habitabilidade. Mas não esqueçamos, como disse o senhor Presidente da República há pouco, que há outros portugueses nesta situação. E eu vou recordar-vos aqui o exemplo de uma proprietária, e vou pôr nome, que ela não se vai zangar comigo. A Sofia Paiva vive no empreendimento com os filhos menores, está desempregada, só tem aquela casa e neste momento vai ter que conviver na sua casa, no seu jardim, com as suas crianças, vai ter que conviver com a pandemia, com estas condições miseráveis com que o governo está a tratar o empreendimento. Mas não é só a Sofia. Há muitos outros que vivem lá e só têm essa casa. Eu não gostaria de ter aqui à porta da minha casa uma coisa destas que o governo está a montar, mas o governo acha que sim, acha que tem razão e nós vamos lutar até ao último argumento.