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A primeira pergunta que faço é: como é que as escolas podem ajudar no combate à obesidade infantil?
Eu acho que as escolas são um palco por excelência para auxiliarem as crianças a terem comportamentos que sejam saudáveis. E quando falo em comportamentos saudáveis, claramente estamos também a falar de uma alimentação saudável. A escola não só pode ser o palco pelo exemplo e, portanto, com uma oferta alimentar que seja adequada, saudável, saborosa e segura, mas, por outro lado, a escola tem que, obviamente, trabalhar as questões da educação alimentar, para que as crianças possam, de alguma maneira, ter mais literacia alimentar para, na hora da escolha, ou escolherem ou declinarem determinados produtos alimentares, consoante sejam mais ou menos oportunos para a sua saúde. E por isso é que eu tenho vindo, há algum tempo a esta parte, a dizer que se, de facto, o Ministério da Educação tem trabalhado, e bem, na produção de orientações, não tem trabalhado bem a questão da educação alimentar das crianças. E nesse sentido, entendemos que é necessária a presença de nutricionistas nas escolas. Nutricionistas esses que deveriam trabalhar as questões da educação alimentar, mas ao mesmo tempo também supervisionarem o cumprimento das normas que o mesmo ministério leva a efeito.
Ou seja, não tem informação de nutricionistas presentes nas escolas a dar essas mesmas orientações?
Devo-lhe dizer que as escolas não têm nutricionistas e, portanto, quando não há, é difícil de haver quem auxilie, quem supervisione, quem de alguma maneira esteja ao dispor para se pôr em prática uma estratégia para a alimentação escolar. É bom que se perceba: as escolas não têm nutricionistas, não há nutricionistas nas escolas públicas portuguesas. Se falarmos das escolas privadas, já podemos estar a falar de outra coisa, mas nas escolas públicas portuguesas não há nutricionistas. É bom que a população portuguesa tenha essa noção, porque os nutricionistas que podem auxiliar, porventura, as escolas públicas portuguesas ou são das autarquias ou são dos centros de saúde. As autarquias têm poucos e têm muito trabalho em curso na área de atuação dos nutricionistas e os centros de saúde, e bem aspas, há poucos nutricionistas nos centros de saúde e uma panóplia enorme de ações para desempenharem. Portanto, dito isto, acho que é fácil de perceber que as escolas não se podem socorrer de nutricionistas de outras instituições quando eles também são parcos nas outras instituições. É bom que o Ministério da Educação leve a efeito aquilo que encetou, mas não concluiu. Eu lembro que no ano passado estava previsto no Orçamento de Estado a contratação de 15 nutricionistas para as escolas portuguesas. 15 parece-nos pouco, mas parece-nos que era um bom começo. O que é certo é que o Ministério da Educação iniciou os trabalhos para essa contratação, mas não conheceram até ao dia de hoje a luz do dia.
E uma última pergunta: pedia que nos desse algumas recomendações neste regresso às aulas em termos alimentares para os alunos.
O que se recomenda a nível prático é que se tenha uma alimentação que seja equilibrada, que seja saudável, que seja segura e que seja saborosa. Dito de forma rápida, não é possível dizê-lo de outra maneira. E, portanto, o que lhe posso dizer é que todo e qualquer português tem que ter a noção do que é isto que eu lhe acabei de dizer, o que é uma alimentação que seja equilibrada, que seja saudável, que seja segura, que seja saborosa. Se nós não temos os instrumentos para perceber o que isto é, porventura, podemos estar a cometer imprudências em relação à nossa alimentação e à alimentação dos nossos filhos.