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Madalena Santos é a directora da Festa do Avante. Conhecia também de forma muito próxima Cândido Mota. Madalena Santos, obrigada por ter aceitado este nosso convite. O que é que recorda não só da vida profissional, mas também da vida cívica de Cândido Mota e que legado deixa o antigo locutor de rádio?
Bom dia a todos os ouvintes. Em primeiro lugar, quero endereçar sentidas condolências à família, aos amigos, em particular às duas filhas e netos. É um momento de grande dor, este falar para a rádio recordando Cândido Mota, que no fundo, era o seu local de trabalho por excelência. Relativamente à nossa convivência e trabalho militante ao longo de muitos anos, Cândido Mota será sempre recordado entre nós como sendo a voz da Festa do Avante. Era de facto ele que na abertura das portas da Festa dava as boas-vindas a todos os visitantes. Era ele que de uma forma extraordinária lia os textos do concerto de abertura da Festa do Avante, do concerto sinfónico, e que os lia de uma forma mais do que profissional. Cada palavra tinha um sentido muito específico quando ele as dizia e da forma como as dizia. E Cândido será sempre recordado entre nós como um excelente amigo, um grande camarada. Desde as primeiras Festas esteve sempre presente. A partir de um determinado momento, com o Ruben Carvalho, começou a integrar a Comissão de Espectáculos da Festa do Avante e aí com toda a sua sabedoria, com toda a sua noção da realidade do mundo, de solidariedade, contribuiu bastante para todos os programas da Festa do Avante. Também trabalhei com o Cândido na Telefonia de Lisboa, que foi uma rádio local pirata, ainda não havia licenças para podermos atuar. A seguir ao 25 de Abril, fizemos todos uma cooperativa de rádio onde o Cândido também pontuava, fez diversos programas com o Ruben Carvalho. Era a voz também de um programa que o Ruben Carvalho tinha, que é os panfletos, que agora está a ser também feito pelo Pedro Tadeu e portanto é uma perda que é muito difícil nestes momentos conseguirmos expressar toda a nossa dor, por um lado, mas também reconhecer que o Cândido teve um papel essencialíssimo, quer na Festa, onde convivia com todos aqueles amigos, porque ele não arredava pé, entrava para lá para a Festa à sexta-feira e saía no domingo já de madrugada, não só os momentos de grande profissionalismo, mas também os momentos de convívio que teve ao longo de todo este tempo. E portanto, ele será sempre recordado por nós e terá sempre o seu papel na Festa.
Madalena Santos, podemos esperar algum tipo de homenagem na edição do Avante deste ano?
Veremos. Estamos a considerar várias coisas, veremos.
O PCP recorda Cândido Mota como uma figura mais emblemática da comunicação. Parece-lhe justa esta afirmação?
Com certeza, porque o Cândido mostrou sempre nos grandes momentos em que o país se confrontou com problemas, a sua postura, a sua posição, sempre ao lado dos trabalhadores. Aliás, recordo que ele também deu a voz para alguns tempos de antena da CGTP e portanto estava sempre solidário com tudo aquilo que nós lhe solicitássemos. Muitas vezes nem precisávamos solicitar. Ele era o primeiro a bater à porta, a telefonar, a dizer: "Aqui estou eu, vamos lá embora e o que é necessário fazer?" E portanto sempre teve uma postura de grande solidariedade com todas as grandes causas do Portugal de Abril.