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Junta-se agora a nós por telefone o treinador de Patrícia Mamona, José Uva. Junta-se a nós em direto a partir da Polónia. Muito boa tarde, José. Agradeço-lhe desde já a disponibilidade para entrar em direto connosco na Rádio Observador.
Muito boa tarde. É um prazer. O prazer é meu.
Qual é a sensação, José Uva, de ver Patrícia Mamona sagrar-se campeã, neste caso, do triplo salto em pista coberta?
É uma sensação muito boa. É perceber que o caminho que começámos a traçar 20 anos atrás, quando eu comecei a treinar a Patrícia, está a ter resultado, particularmente neste ano muito difícil do Covid para todo o mundo, em que tivemos grandes problemas para conseguir fazer uma preparação como deve ser. É uma alegria muito grande e um orgulho muito grande ver a Patrícia subir ao pódio.
E como é que Patrícia Mamona reagiu assim que percebeu que tinha conquistado essa medalha de ouro e também batido esse recorde nacional? Como é que foi a reação da atleta?
A reação da atleta foi uma alegria expressa em choro, porque ela sabe as dificuldades por que passámos os dois. E então a emoção, que às vezes tem que ser contida, desabou e ela teve aquele desabafo de chorar e poder estar à vontade, porque tinha sido campeã europeia depois de tantas dificuldades.
Estamos aqui com alguns problemas técnicos na chamada, certamente porque a ligação é feita nesta altura até à Polónia. José Uva, perguntava-lhe sobre essas lágrimas de que falava, de Patrícia Mamona, quando subiu ao pódio e se escutou o hino nacional. Essas lágrimas foram deitadas por Patrícia Mamona pelas dificuldades na preparação por causa da pandemia, pelo feito conseguido ou por uma descarga numa final em que ganhou por 1 cm? Quais foram as razões para essas emoções de Patrícia Mamona quando subiu ao pódio?
Eu acho que foi um conjunto das três. Como disse na pergunta anterior, tivemos uma preparação muito atribulada, com grandes dificuldades por causa do Covid. A Patrícia teve Covid há um mês e uma semana. Portanto, não se sabia sequer se estava em condições de vir aqui. Tivemos que fazer vários remendos na preparação. Por outro lado, ganhar por 1 cm é sempre um aperto no coração e só conseguimos perceber que a vitória estava segura quando a Patrícia saltou pela última vez e o resultado foi garantido. Portanto, foi um misto das três razões.
E a pandemia aqui também com um papel de destacar. O José Uva também destacava essa questão da pandemia ao longo deste último ano. Perguntava-lhe, José Uva, que adaptações é que tiveram de fazer nos treinos e na própria forma como Patrícia Mamona foi treinando ao longo deste último ano, em contexto de Covid-19.
Nós, felizmente, somos uma modalidade individual. Pudemos treinar desde o início. Ainda mais, a Patrícia é uma atleta de alta competição, sempre foi protegida pela lei e pela Federação Portuguesa de Atletismo e pelo IPDJ. Só ultimamente, quando surgiu um surto de Covid no sítio onde nós treinamos, é que tivemos que interromper de alguma forma. A Patrícia foi vítima da doença, de ficar em casa 10 dias. E 10 dias em alta competição, ainda mais doente, com sintomas, a gente nunca sabe o que é que vai acontecer. Felizmente, conseguimos recuperar a Patrícia e com a ajuda de uma equipa técnica fantástica, conseguimos.
Conseguiram trazer o ouro para Portugal. Ficámos sem conseguir escutar esta conclusão do seu raciocínio, José Uva. Só mesmo para terminar e, como dizia, estamos com alguns problemas técnicos nesta ligação telefónica. Os Jogos Olímpicos de Tóquio estão marcados para agosto, certamente estarão no vosso horizonte. Perguntava se este ouro pode dar motivação e fazer acreditar em algo maior para Patrícia Mamona nos Jogos. E recordo aqui que o melhor resultado da atleta foi o sexto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Os Jogos agora em agosto estão no horizonte. Quais é que são as expectativas para Patrícia Mamona?
Sim, claro. O grande objetivo desta competição, além de tentar vencer e representar Portugal no mais alto nível, é preparar a Patrícia com uma dose extra de confiança para chegar aos Jogos e poder fazer melhor que o sexto lugar do Rio 2016. A tarefa vai ser muito difícil, porque nós aqui estamos no Campeonato da Europa e nos Jogos vão estar atletas de todo o mundo, o que faz com que a competição seja significativamente maior. Mas vamos preparar a Patrícia para isso e estamos convencidos que se a Patrícia puder, com esta injeção de confiança que ganhou aqui, saltar 14.80, 14.90, pode sonhar com as medalhas e é isso que nos move. É a medalha olímpica.