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Armindo Monteiro, presidente da CIP, está conosco em direto. Muito bem-vindo. Os patrões têm alguma esperança que mais um encontro na concertação social resulte num acordo depois deste novo chumbo da UGT?

Olá, boa tarde. Boa tarde a todos os que nos ouvem. A Confederação Empresarial de Portugal, a CIP, neste momento, mais importante, e é preciso dizer isto com esse sentido da responsabilidade, mais importante do que qualquer alteração à legislação laboral, é importante falar verdade. Aquilo que o país inteiro está a viver todos os dias é um embuste. Eu prezo a palavra e cada palavra ponderada. E, portanto, repito, um embuste.

Mas por quê?

Porque não é verdade aquilo que é dito em relação ao que os empregadores pretendem. Não é verdade que os empregadores pretendem diminuir a dignidade dos trabalhadores, pretendem despedir de forma arbitrária, pretendem reduzir o direito à greve, pretendem diminuir os direitos da paternidade. Desculpe, isto é importante. Os empresários deste país têm dignidade e nunca viram nenhuma confederação empresarial a pedir aquilo que eu acabei de enumerar. Nunca. E por isso, este lado panfletário, como tem sido feita esta negociação, é altura de dizer basta.

Está, portanto, contra a convocação de um novo encontro em sede de concertação social por parte do governo.

Isto tem se transformado em comícios permanentes. Cada final de reunião da Confederação Sindical é mais um conjunto de declarações que não correspondem àquilo que está no documento. E eu respondo-lhe já a sua questão. E é por essa razão que nós decidimos colocar para download de todos os portugueses o documento que está no nosso site e pedimos autorização para fazer também uma divulgação de todos os documentos, de todo o processo negocial até aqui. Nós queremos informar, não queremos que sigam as nossas ideias, não queremos consensos à volta das nossas ideias, não queremos forçar consensos, não. Neste momento, move-nos um aspeto: expor os fatos e que cada um decida por si, porque quem não tem acesso a esses fatos, eu percebo que possa tirar conclusões erradas. Agora, quem participa nas reuniões e ainda assim, cá fora, diz o que não é, então seguramente tem outras motivações. E eu dou um exemplo. Há bocado foi dito que a UGT não podia nunca concordar, depois de um despedimento ilícito, que a decisão da reintegração deixasse de estar no tribunal e passasse para decisão do empresário. Eu queria perguntar em que versão é que isso esteve escrito, porque eu tenho participado em todas, e que eu saiba, e tenho alguma literacia, nunca vi isso escrito em lugar nenhum. E, portanto, não é uma questão de interpretação, é uma questão factual. E portanto, eu estou a exprimir, de forma indignada, a forma como isto está a ser conduzido e a forma como isto está a ser tratado na opinião pública, porque não é razoável que isto seja tratado desta forma. Não se trata de encontrar consensos. Os consensos ou dissensos dependem, naturalmente, da perspectiva que cada um tem. Agora, o que não é possível é nós laborarmos a partir de questões que não são verdade.

É então indignado e sem esperança que vai para esse encontro da concertação social?

E com uma condição: não aceitaremos declarações ou propostas verbais. Se a UGT tem pontos e tem propostas, que sejam de forma escrita. Por quê? Porque nós já entramos para uma reunião onde tínhamos dois pontos para consensualizar. Saímos dessa reunião, tínhamos cinco para consensualizar. E hoje foi acrescentado mais um, já vai em seis. Portanto, queremos um documento escrito da UGT que diga concretamente quais são os pontos e quais são as propostas, e assim nós sentar-nos-emos à mesa