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Neste momento, já estão em teletrabalho 68 mil funcionários públicos. A ministra Alexandra Leitão avisou que o regime veio para ficar para 25% dos trabalhadores do Estado e que, embora existindo algumas resistências por parte dos dirigentes, a pandemia serviu para provar que é possível conciliar a vida profissional e familiar com este novo modelo. A maioria dos trabalhadores do Estado em teletrabalho são técnicos superiores e assistentes técnicos. Vamos perceber como é que estão a encarar estas medidas anunciadas pela ministra. Temos agora ao telefone Helena Rodrigues, é presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado. Bom dia, obrigada por estar conosco agora em direto. Tem mesmo havido uma resistência ao teletrabalho entre os funcionários públicos, como falou a ministra?

Bom dia. Não, não tem havido essa resistência. Até foi o contrário. O que aconteceu, e que está ainda a acontecer, é que muitos trabalhadores podem estar em teletrabalho, mas os serviços não autorizam esse teletrabalho. Naquilo que são funções passíveis de ser autorizado o teletrabalho, nós entendemos que ele dever ser autorizado e deve ser autorizado. Agora, aquilo que não conseguimos entender é que o teletrabalho seja a conciliação da vida familiar com a vida profissional. Ou seja, há uma coisa que não tem a ver com a outra, porque a conciliação da vida familiar com a vida profissional não depende do teletrabalho, tem outros fatores.

E esses fatores estão garantidos ou podem ficar garantidos quando temos a ministra a dizer que o teletrabalho vai ficar mesmo depois de termos ultrapassado esta crise sanitária?

Não sabemos o que é essa extensão do ficar mesmo depois do que é esta crise sanitária, mas com certeza que se há funções que podem ser exercidas desta forma, é verdade que ele pode ficar para além de e deve ficar para além de. Ainda que entendamos também que não podemos, desta forma, descaracterizar aquilo que é uma relação laboral, de um conjunto de pessoas que veem essa relação e essa participação laboral como um conjunto. Isto isola as pessoas. Para nós, não entendemos que o teletrabalho seja a salvação de tudo.

Mas admite que algumas funções em concreto, e gostava de perceber quais é que podiam ser, possam continuar a ser feitas em casa?

Tudo aquilo que sejam funções eminentemente técnicas, com autonomia técnica, consideramos que podem continuar a ser feitas em casa. Agora, tenho é dúvidas que neste momento, aquelas mães ou aqueles pais, vamos pensar uma família monoparental, que tem filhos em casa, um ou mais filhos em casa, em idade escolar, ainda pequenas crianças, não podemos. Os jovens não conciliam desta forma com a vida familiar, porque ninguém consegue estar em teletrabalho em condições com duas crianças em casa, três crianças em casa. Portanto, há aqui ritmos que é preciso agora também adaptar, e que a conciliação da vida profissional com a vida familiar não está só no teletrabalho.

O STE vai participar esta tarde na videoconferência para a administração pública, organizada pelo governo, precisamente para comunicar com os trabalhadores este novo contexto e os novos desafios do teletrabalho.

Não conhecemos.

Não está em conhecimento dessa videoconferência?

Não. É de algum serviço em particular?

É para a administração pública. Não foram convocados?

Não.

Uma outra questão, Helena Rodrigues. A FESAP e a Frente Comum têm denunciado a falta de pagamentos dos subsídios de refeição. O STE também tem conhecimento destes casos?

Penso que se tratará de algumas situações das câmaras, mas houve uma situação inicial em que isso aconteceu. Os nossos sócios pediram-nos indicações, demos essas indicações e não temos realmente indicação de que a situação se tenha mantido. Portanto, o subsídio de refeição é para pagar.