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Temos conosco o Carlos Cortes, o presidente da Ordem dos Médicos. Pergunto-lhe: por que pediram uma reunião urgente com o ministro da Saúde?
O Serviço Nacional de Saúde está, neste momento, a atravessar uma daquelas que será, com certeza, a sua maior crise, em que muitos dos médicos, além de cumprirem com o seu horário de trabalho de 40 horas, na esmagadora maioria, e de terem que fazer mais 150 horas em horário extraordinário, recusaram-se, como é legalmente permitido, a fazer ainda mais horário extraordinário. Isto é, recusam-se, por vezes, trabalhar mais de 60, 80 horas por semana, dias e noites e fins de semana. Isso leva a que em vários hospitais de norte a sul do país, a Ordem dos Médicos, neste momento, contabiliza por volta de 25 hospitais, em muitas áreas sensíveis de resposta urgente, nomeadamente medicina interna, cirurgia, ginecologia, obstetrícia, pediatria, cardiologia, até cuidados intensivos, não haja simplesmente resposta. Nós tivemos notícia que hoje e nos próximos dias, hospitais como Viana do Castelo, Barcelos, Chaves, Guarda, Leiria, Santarém, Garcia de Orta, enfim, muitos hospitais vão ter uma destas valências encerrada e, portanto, sem possibilidade de dar uma resposta urgente. Nós estamos a falar dos serviços de urgência, que é uma situação sem precedentes em Portugal. E esta reunião que a Ordem dos Médicos está a solicitar tem a ver, em primeiro lugar, com um princípio de responsabilidade perante este cenário absolutamente catastrófico, para sensibilizar o governo para esta necessidade de apresentar soluções e de as implementar. E as soluções têm a ver com o grave problema, que para nós é o problema prioritário a resolver no SNS, que tem a ver com os recursos humanos, neste caso em concreto, com os recursos humanos médicos, que têm sido desvalorizados nestes últimos anos, até nestas últimas décadas. As condições de trabalho para os médicos poderem tratar adequadamente os seus doentes, a valorização da carreira dos médicos, um conjunto de aspetos que são conhecidos, que infelizmente não tiveram acolhimento durante as negociações entre os sindicatos médicos e o Ministério da Saúde, mas que agora, somando à pressão que o Serviço Nacional de Saúde tem, cada vez mais utentes sem médicos de família, cada vez mais doentes a recorrerem ao serviço de urgência, listas de espera de cirurgias, de primeiras consultas, de consultas subsequentes, cada vez maiores. É por demais evidente que a prioridade para o SNS é valorizar os seus recursos humanos, é valorizar os médicos. Sem médicos, não há cuidado de saúde e não há Serviço Nacional de Saúde.
E já tiveram alguma resposta por parte do ministro ao pedido que fizeram?
Formalmente, não temos nenhuma resposta. Ainda não recebemos nenhuma resposta. Foi-nos transmitido que durante esta semana haveria uma reunião, mas que eu saiba, pelo menos até o momento, não há indicação formal da parte do Ministério da Saúde.