Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É nossa convidada nesta edição das duas da tarde, Bebiana Cunha, integra a direção do PAN. Bebiana, bem-vinda.
Olá, Miguel, muito boa tarde e boa tarde também a todos e a todas que nos acompanham.
Bebiana, como é que colhe estas críticas que acabei de dar conta feitas por André Silva, dirigidas à direção de que faz parte, liderada por Inês de Sousa Real?
Antes de mais, gostaria de dizer que a Inês de Sousa Real foi a primeira pessoa no domingo, no fiscal eleitoral, a dar nota de que evidentemente nós temos que fazer um amplo debate interno com vista a analisar estes resultados, assumindo, evidentemente, na sua intervenção, que claramente este foi um mau resultado para o PAN. Não foi o resultado para o qual trabalhamos e significa que aquele que foi o acolhimento que nós tivemos nas ruas, o feedback que fomos tendo das pessoas, efetivamente não se traduziu nos votos que nós considerávamos que iríamos ter. Portanto, há claro responsabilidades internas, debate interno que tem de acontecer. Agora, o que nós estamos aqui hoje, no dia de hoje, é perante um artigo de opinião de uma pessoa que decidiu abandonar o partido em junho, escolheu em congresso. Houve um congresso do PAN em junho, onde era perfeitamente possível apresentar a sua proposta de lista, a sua visão estratégica para as próximas eleições, fossem elas as autárquicas e as legislativas, sabendo evidentemente que seriam eleições difíceis. E no caso de André Silva, decidiu não apresentar esta visão. Aliás, no seu artigo diz claramente que o PAN tem aqui, atualmente é um PAN mais envelhecido, que lhe falta aqui algum, no fundo-
Rejuvenescimento, claro
...alguma capacidade de se distinguir de outros partidos. Mas a verdade é que este artigo de opinião nada mais é do que aquela política a que estamos habituados. Ou seja, tal e qual como acontece nos outros partidos, depois de resultados desfavoráveis, vem apontar o dedo publicamente, apresentar-se a posteriori como uma solução, quando decidiu não ajudar o partido, nem sequer apresentar a sua estratégia, nem tampouco debatê-la. Portanto, estamos aqui perante um comportamento que, evidentemente, no qual não me revejo, e considero claramente que o PAN tem que fazer um profundo debate, redefinir estratégias, assumir as responsabilidades que são nossas, mas esse trabalho faz-se também internamente. Estamos perante uma eleição que tem sete meses de trabalho, esquecendo aqui André Silva, aquela que é a sua autocrítica. Ou seja, fala no fato da sala estar torta. Convém que ele diga também como é que deixou a sala, não é?
Com essa inclinação. Bebiana Cunha, fazem sentido as críticas feitas por André Silva à colagem do PAN ao Partido Socialista e que essa colagem que terá prejudicado o partido no desfecho das eleições do passado domingo?
Repare, se há uma pessoa que naquilo que foi o seu mandato, esteve, de facto, muito próximo do Partido Socialista, foi o próprio André. Repare, nós não só no mandato do André chegamos a votar favoravelmente ao Orçamento de Estado, o que neste mandato nem sequer se verificou, como inclusivamente quando questionado em 2019 nas eleições legislativas, que crítica apontavam ao governo de António Costa, André Silva não conseguiu apontar uma única crítica, para além de que estamos a falar também da pessoa que mais defendeu internamente que o PAN não deveria ter candidato às eleições presidenciais e que deveria, sim, apoiar Ana Gomes. Portanto, há aqui, parece-me claramente neste artigo, uma falta de responsabilização, da autocrítica e também da análise daquele que foi o seu processo e o seu comportamento político. E agora, há aqui uma tentativa também de, no fundo, sacudir a água do capote. E o que deve ser feito é: todos devem fazer a sua reflexão e perguntar por que é que André Silva então não ficou no Congresso em junho para apresentar a sua visão e só chega agora com os resultados eleitorais para publicamente apontar o dedo, tal como fazem nos outros partidos. E infelizmente, lamento que o PAN esteja a passar por isto, porque de facto o PAN é um partido em que a ética procura estar presente no nosso dia a dia e entendemos que a política nos deve elevar e nos nossos comportamentos e nas nossas atitudes, isso deve estar presente, pelo menos é o que está nos nossos princípios e deveria também nortear-nos no dia a dia.
Bebiana Cunha, antecipa a apresentação de duas listas, pelo menos no próximo congresso do PAN?
Haja as listas que houver, será saudável para um debate interno quando houver um congresso eletivo. Nós neste momento-
Que está agendado para quando? Está agendado? O mandato da atual direção termina quando?
Esta direção tem sete meses de trabalho, portanto, o último congresso foi em junho. À partida, estamos a falar de um congresso eletivo que a direção dura dois anos. Aquilo que nós neste momento temos que criar condições é que a Inês de Sousa Real possa desenvolver o seu mandato na Assembleia da República, para o qual foi eleita.
Não antecipa a necessidade de antecipar esse congresso face às críticas que agora são feitas.
O que eu acho é que evidentemente deve haver um debate interno com os filiados, sobretudo toda a análise e redefinição de estratégia, evidentemente. Ou seja, os filiados e filiadas têm que ser chamadas a discutir e a debater. Agora-
Em congresso ou noutro fórum?
Na minha opinião, deve haver sempre os vários fóruns, ou seja, desde as concelhias distritais, Comissão Política Nacional e Congresso, acho que os debates têm de acontecer. Agora, há uma direção que está eleita e que tem um mandato e que, na minha perspectiva, esse mandato deve ser cumprido. Mas evidentemente serão sempre os filiados e as filiadas e o órgão em questão, Comissão Política Nacional, que tomará essa decisão. Não obstante, há aqui um aspecto fundamental que não pode ser esquecido, é que nós apresentamos um programa eleitoral às pessoas, assumimos compromissos, temos uma pessoa que foi eleita à Assembleia da República e que devem ser criadas condições para que ela possa fazer o seu trabalho, fazer avançar aquelas que são as propostas com que nos comprometemos, tal como, por exemplo, em 2015, que conseguimos criar condições, apesar do ruído que havia em torno de André Silva, da contestação que ele sempre viveu ao longo dos quatro anos do mandato que fez enquanto deputado e que sempre fizemos um esforço enquanto partido para criar condições para que ele pudesse fazer o seu trabalho enquanto eleito.
Fica esse apelo também.
A Inês de Sousa Real tem que ter condições para fazer o seu mandato enquanto eleita, para que o PAN continue a ser um farol na Assembleia da República, um farol contra