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Começava por lhe dar os parabéns por esta conquista e perguntar-lhe qual é a sensação de conquistar esta medalha por Portugal e de fazer com que a portuguesa se ouvisse pela terceira vez na Polónia.

Estes campeonatos para mim foram uma alegria, mas acima de tudo foram uma lição de vida, e digo isto a nível pessoal, porque chegar até aqui foi extremamente complicado e foi tudo à última, mas etapa a etapa consegui. Estou muito emocionada. Etapa a etapa consegui ir ultrapassando os obstáculos e obviamente estou extremamente feliz, muito emocionada. Estar aqui, representar o meu país e ouvir a portuguesa, esquece. Pois é, senão essas coisas do mundo. Estou extremamente feliz.

Falámos há bocado com o seu treinador, com o José Uva, que falou nessa preparação atribulada, depois de a Patrícia ter estado infetada com a COVID-19. Como é que é este regresso? O que é que mudou em toda esta preparação, nesta incerteza de poder participar nos campeonatos?

Até nós não sabíamos o que ia acontecer. Infelizmente, atacou-me o sistema muscular, tive cama. E depois quando voltei era ver o que é que dava. Basicamente era ver se ainda dava. Ainda estivemos para desistir, mas ainda fui de olhos fechados para os campeonatos de Portugal, já sem fazer esse pulo salto há algum tempo e consegui fazer, ao estar perto da marca de referência que havia Torun. Isso catapultou-me uma luz. E depois fui a Madrid, consegui qualificar-me mesmo à última, na última prova. E já que estava em Torun, era mesmo agora surtar e dar o meu melhor e ver o que é que saía. Até eu estou extremamente surpresa com o que aconteceu, mas para mim foi uma lição de vida, em que o importante é tentar sempre até ao fim, lutar até ao fim e não desistir.

E sentiu essa mudança, esse impacto de ter estado infetada com a COVID-19 na sua preparação e na sua forma física?

Não percebi, desculpa.

Se sentiu esse impacto de ter estado infetada na sua preparação e também na forma física, depois quando regressou aos treinos.

Fui um bocadinho apalpando o terreno, porque eu não sabia dos efeitos. Obviamente, senti logo quando tive. Tive sintomas e ainda foram bastante fortes. E fui apalpando o terreno e quando percebi que conseguia e que ainda tinha força, que ainda tinha velocidade, fui para os campeonatos de Portugal arriscar e para ver o que é que acontecia. Basicamente, a minha preparação também foi com os olhos fechados e aos bocados fui percebendo que ainda dava e foi isto.

A Patrícia esteve 10 dias em casa. Como é que uma atleta de repente para esse tempo? O que é que se faz?

Eu sinceramente estava a dormir porque tinha tantas dores. Basicamente, tomar medicação. Eu só pensava, sinceramente, que a minha época já tinha acabado e obviamente estava com um pouco de medo. Como tive quase todos os sintomas, menos os respiratórios, estava com um bocado de medo que a situação piorasse, porque foi piorando dia a dia. E foram oito dias assim, mas desde o momento que eu sabia que a nível respiratório estava bem, era só pensar em estar boa e regressar.

E quando percebeu que podia ir à Polónia, era a medalha que tinha na cabeça.

Exatamente, mas obviamente, acho que estar bem de saúde era o mais importante. Aliás, a minha primeira semana pós-Covid, foi uma semana que cada coisinha que eu fazia, correr um minuto a mais, fazer um bocadinho mais de musculação, era descobrir se dava ou não dava. Mas deu. Eu sinceramente agora tenho que desfrutar desse momento e já passou e estou bem de saúde.

E tirou essa marca pessoal, não é?

Exatamente.

Agora olhando para o futuro, a medalha olímpica está mais próxima?

A medalha olímpica é nos Jogos Olímpicos e cada competição é sua competição. O sonho continua lá. Estou ainda mais confiante, porque esta competição, obviamente, tive que sair da minha zona de conforto e é isto que eu procuro para melhorar. E é assim aos bocados, melhoramos, competimos e estou na luta nos Jogos Olímpicos, mas o prognóstico não se pode fazer antes do jogo. Por isso é focar naquilo que eu posso fazer, que é a preparação, mas para já vou ver se ainda desfruto um bocadinho deste momento. E quando começar a minha época de verão, obviamente, é com o objetivo de fazer a minha melhor performance da época nos Jogos Olímpicos.