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Tempo de podermos rumar à cidade histórica de Marraquexe. É lá que está Camila Drago, que é uma portuguesa que está a trabalhar nesta cidade, que é patrimônio mundial da UNESCO, onde centenas de edifícios ficaram destruídos. Camila Drago, muito bom dia. Obrigado também por este tempo para se juntar a nós aqui neste jornal das 10 da Rádio Observador. Várias horas depois do sismo, pergunto qual é que é o cenário que se vive neste momento nas ruas.
Boa tarde。Eu neste momento ainda estou dentro do resort onde estive na altura do acontecimento. Ainda está assim um bocadinho caótico, ou seja, as pessoas estão com todas as malas fora do quarto, muitas estão na piscina, porque com este calor e não têm um sítio para onde ir, ficam ali. Por isso é que devem ouvir alguns ruídos. Temos pessoas a limpar os edifícios. Desculpem.
Não tem problema.
Neste momento é ver tudo rachado, as paredes que têm todas marcas do sismo e é estar dentro dos edifícios o menos tempo possível, porque não se sabe se a infraestrutura está significativamente afetada.
Claro. Neste momento, o balanço que as autoridades fazem, falam de mais de 600 mortos, 330 feridos. Acredito que seja difícil de perceber, mas daquilo que se vê nas ruas, Camila Drago, este balanço é previsível que aumente daquilo que se vê dos estragos?
Eu acredito que sim, porque há muitas pessoas desaparecidas, pelo que também eu vejo e ouço. Aqui no hotel estão a correr muitas informações sobre o que se está a passar, pessoas que têm familiares no centro das cidades e que estão assustados. Portanto, sim, acredito que pode aumentar pelo menos o número de feridos e infelizmente, também o número de mortes.
Claro. Camila sentiu o momento do abalo? Foi impossível não sentir?
Foi horrível. Foi das piores experiências que eu já tive. Foi a primeira vez que eu alguma vez senti um sismo, e uma magnitude de sete, pode-se imaginar que foi o edifício todo a abanar, as paredes a lascar, toda a gente a gritar, a correr para fora dos quartos, o choro, as crianças. Foi um caos, foi horrível, era impossível não sentir. Eu acho que toda a gente que poderia já estar a dormir, porque isto foi depois das onze da noite, acordou e é uma sensação impossível de descrever. O momento foi só caótico.
Camila, e tendo em conta essa situação que nos estava a descrever, tendo em conta que isto aconteceu durante a noite, as pessoas, os habitantes estão a ser reencaminhados para fora das habitações, estão a ser levados para algum espaço agora de contingência? Como é que está a ser feito esse processo neste momento?
Assim que se deu o sismo, nós saímos todos para os quartos, fomos todos cá para fora e existe uma piscina no meio do resort que consideraram o espaço mais fiável e mais seguro para se estar. Então toda a gente reuniu-se lá de maneira automática, não foi preciso ninguém dizer nada, ficamos todos ali e o que começou a acontecer foi a circulação de mantas, dos edredons, das almofadas. Cada um escolheu a sua espreguiçadeira e passamos lá a noite. Isto aconteceu à 01h30, já estavam as pessoas a começar a dormir. Portanto, a partir das duas da manhã até às cinco, seis da manhã, as pessoas ficaram lá a dormir e neste momento ninguém está autorizado a ir aos quartos. Desde as onze da noite que estamos fora dos quartos a dormir na piscina, a carregar os telefones onde podemos, não estar muito tempo dentro dos edifícios, estar sempre com cuidado para ver se alguma coisa vai cair. Está uma confusão.
Camila Drago, uma última questão, até porque o momento é confuso, como dizia. Neste momento, já houve algum contacto por parte das autoridades portuguesas? Vai fazer também esse contacto do seu lado?
Lá está, também já me fizeram esta pergunta anteriormente e não, nós não tivemos qualquer tipo de contacto das autoridades portuguesas, nem das espanholas