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Num comunicado divulgado esta manhã, a Guarda Nacional Republicana explica que já a partir de amanhã, o dia em que começa o ano letivo, vão decorrer ações em várias zonas do país para sensibilizar as escolas, os pais, professores e alunos. A operação tem como nome Regresso às Aulas 2020, vai durar duas semanas, até o dia 25. A GNR vai estar em perto de 5 mil estabelecimentos escolares, estabelecimentos que fazem parte da área de atuação da Guarda Nacional Republicana. Durante 15 dias, vão também ser realizadas ações de patrulhamento orientado para o cumprimento das normas destinadas a prevenir a propagação da Covid-19. Neste jornal do meio-dia, junta-se agora a nós Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais. Muito bom dia, Jorge Ascenção. Gostaria de olhar para este arranque do ano letivo, mas para começar, perguntar-lhe como é que vê esta medida da GNR, esta ação da GNR, que já a partir de amanhã vai estar em milhares de escolas com esta ação de sensibilização.

Bom dia. É uma ação positiva, obviamente, só podemos olhar para uma ação dessas de forma positiva. Sabemos bem que, por vezes, há alguma negligência nas atitudes, no comportamento, e que temos vindo até a chamar a atenção. E portanto, é sempre bom sensibilizar, perceber exatamente que as normas, só por si, não resolvem tudo. As normas são orientações que cada um de nós, responsavelmente, tem que acatar e tem que assumir com atitudes e comportamentos adequados para evitar que, de facto, se descontrole esta situação que vivemos hoje. E, portanto, é uma ação muito positiva que louvamos.

O ano letivo começa amanhã, dia 14, pode ir até o dia 17 este arranque de ano letivo. É um dos arranques mais esperados, é um ano diferente, ano de pandemia. Olhando para tudo o que foi feito, estando em véspera desse arranque, diria que foi feito tudo o que seria possível para ter um bom arranque de ano letivo?

Sim, nas condições em que vivemos, julgo que praticamente todas as escolas fizeram o possível para ter condições, minimizar o risco e tranquilizar, dar alguma segurança a todos aqueles que têm que iniciar a escola, tal como foi feito quando se regressou a uma vida do trabalho e até outro tipo de organizações e de atividades que temos vindo paulatinamente a reiniciar. E a escola é, aliás, por definição, talvez, a organização mais segura que nós temos, onde os nossos filhos podem estar, onde têm acompanhamento, onde houve planeamento, onde houve preparação com materiais e equipamentos necessários para a proteção. E portanto, é natural, estamos a falar de mais de um milhão de pessoas que começam a circular em direção aos mesmos locais e que isso traz alguma preocupação, alguma expectativa, que também, preocupação e expectativa, por um lado, foram positivas porque nos fizeram estar atentos, nos fizeram procurar informação, nos fizeram preparar. Mas julgo que a grande maioria está confiante, que essa preparação existe, mas como dizia, as atitudes, comportamentos de cada um são essenciais para que as coisas possam correr como todos desejam, sabendo que a escola não está isolada, portanto, vai haver entrada e saída de crianças e adultos que vão estar na escola, vão estar noutros ambientes, noutros contextos, e portanto, surgirão, certamente, para aquilo que é previsível, algumas situações, mas, e esse também é um aspeto importante, estarmos preparados para poder controlar essas situações, que elas não tenham consequências graves. E portanto, de alguma forma, há essa confiança. É obviamente um ano letivo diferente, por tudo aquilo que envolve. Ou pelo menos é um pouco diferente, porque tem mais esta situação de Covid. Normalmente, todos os inícios de ano letivo nos criam estas expectativas.

Jorge Ascenção, na sexta-feira passada, o presidente da República pediu humildade a toda a comunidade escolar para identificar, reconhecer e corrigir os erros que são esperados, claro, num ano diferente, como sabemos. Qual é a importância e qual pode ser o papel dos pais em ajudar as escolas a terem um melhor ano letivo nesta situação pandémica?

Olhe, é um papel fundamental. E é bom que me faça essa pergunta. Eu ontem tive reunião com os órgãos de gestão da CONFAP e podemos constatar que há, às vezes, algum receio naquilo que é a colaboração e a parceria com as associações de pais, porque a informação, o esclarecimento, são essenciais para criar confiança. E é importante percebermos, as associações de pais têm essa responsabilidade. Obviamente, não se pode agora entrar na escola de qualquer forma, nunca se pôde, aliás. É preciso cumprir um conjunto de regras, agora adicionais, mas é possível continuar a cooperar, a colaborar e a dialogar e discutir um conjunto de situações da realidade do dia a dia para podermos ter, de facto, esse comportamento mais adequado. E as famílias têm aqui um papel fundamental, precisam dessa informação, que infelizmente, em muitos casos, ainda não chegou às famílias a informação concreta do que as escolas estão a fazer e do que esperam das famílias. Nós não podemos estar à espera do primeiro dia de aulas, como normalmente se faz. Era bom que pudesse ser com alguma antecedência, para também nos prepararmos, para podermos interiorizar, para podermos aperceber toda essa informação e os cuidados, e podermos assim orientar, aconselhar e exigir também aos nossos filhos que tenham esse tipo de comportamentos e, de facto, temos que ter essa humildade.

E esta semana vai ser importante para definir toda essa situação.

E é também importante termos esta noção, e acho que aqui as famílias têm um aspeto fundamental, permita-me só dizer mais isto, que é: vão-se vir situações que nós temos a esperança que serão controláveis e que não terão consequências graves, e que não podemos logo entrar em alarme e em pânico, porque isso poderá ser pior. E portanto, também aqui a informação e essa humildade que é pedida, e nós temos já falado isso várias vezes, são muito importantes e cada um de nós terá um papel fundamental. E obviamente, as famílias aqui são essenciais porque não são estranhos às escolas, são parte integrante das escolas.

Jorge Ascenção, presidente do Conselho Executivo da Confederação Nacional das Associações de Pais, muito obrigado por se juntar a nós neste jornal do meio-dia. Olhamos para este arranque do ano letivo que começa já amanhã.