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Em direto nesta edição das 19h da Rádio Observador, está também conosco José Ribeiro e Castro, antigo dirigente do Benfica. Boa tarde.

Boa tarde.

Pergunto se, à semelhança de António Simões, também teme os impactos desta detenção de Luís Filipe Vieira, os impactos, naturalmente, para o Benfica.

Não é propriamente temer, é estar consciente deles. De facto, trata-se de um dano muito severo na reputação e, sobretudo, nas condições de operação do Benfica, que seriam sempre muito negativas em qualquer circunstância, mas ainda mais na circunstância em que estamos entre épocas desportivas. Eu creio que esse é o ponto principal. O ponto principal nesta altura, além do processo, que obviamente que é do interesse principal do Luís Filipe Vieira e dos demais arguidos. O ponto principal para os benfiquistas é como é que se encontra a melhor solução. E eu creio que tem que ser depressa. Nós não podemos deixar o Benfica prisioneiro desta situação.

E qual é a melhor solução, José Ribeiro e Castro, em sua opinião?

Em minha opinião, eu creio que é inevitável. Isso é uma ponderação que tem que ser feita pelos órgãos sociais, que têm, obviamente, mais condições de avaliação do que eu próprio, a título individual. Mas nesta altura, há uma administração, um conselho de administração da SAD que está em funções e há órgãos sociais que estão também em funções. Eu creio que isto é uma matéria que deve ser apreciada com a maior urgência pelo plenário de órgãos sociais e a decisão que eu creio que será correta é convocar eleições para breve trecho para o Benfica, para a eleição de novos órgãos sociais. Eleições que terão que ser feitas com um prazo necessário para permitir, com consistência, com credibilidade, que as equipas que se queiram apresentar, incluindo pessoas da atual direção que queiram continuar o seu projeto ou outras que se queiram apresentar, tenham condições para o preparar e o fazer à Benfica de uma forma séria, serena e, portanto, pensando, sobretudo, no futuro do Benfica.

E qual é a melhor forma para lá chegarmos? Deve ser a direção do Benfica a demitir-se e provocar essas eleições? Devem ser os adeptos a convocar uma assembleia geral para promover esse ato eleitoral?

Eu creio que essa assembleia geral, se tiver que fazer, se faça, mas corre o risco de ser bastante turbulenta. Portanto, não creio que seja muito avisado. Eu não desejaria ao Benfica que fosse para uma assembleia geral presencial, numa situação, na prática, de algum vazio de poder e de grande incerteza, e com um caso destes a rolar na Justiça. Não creio que isso seja adequado.

Por exclusão de partes, o melhor será a demissão da atual direção do Benfica.

Eu creio que os órgãos sociais devem reunir, devem avaliar a situação, pensando única e exclusivamente nos melhores interesses do Benfica e compreender que há que partir para uma nova fase, que tem que passar necessariamente por eleições. O tradicional do Benfica é que as eleições se realizem por volta do final de outubro. Creio que deverá ser mais cedo, talvez em setembro. Enfim, o tempo que, dentro da prática do Benfica, seja considerado sério, decente para as pessoas poderem apresentar e desenvolver uma eleição positiva, porque isso teria desde logo o benefício que tiraria o futuro do Benfica de um vazio, de um abismo, e colocaria as alternativas em cima da mesa que os benfiquistas escolheriam. Dizendo numa frase: é preciso separar este processo do Benfica e separar o Benfica deste processo. É o que interessa ao Benfica.

E o fator da presunção de inocência não deve ser incluído nesta equação?

Não, isso é questão judicial, com certeza, mas isso não tem a ver com a condução do Benfica. Enfim, eu desejo, como disse, que o processo corra da melhor forma para Luís Filipe Vieira, mas há aqui, digamos, um intervalo, não é verdade? Daqui até a conclusão deste processo, por aquilo que conhecemos, é evidente, tudo no ar de figura, se no final desta semana, afinal não houve nada. Afinal não houve nada e, portanto, foi tudo um equívoco gigantesco. Pronto, tudo bem. Então segue tudo na mesma. Mas não é isso que é possível presumir daquilo que é a experiência comum destes casos. Portanto, está aqui um caso que envolverá, seguramente, para o Benfica e para o próprio, um grande desgaste. Eu creio que, aliás, também não é do interesse do Luís Filipe Vieira estar simultaneamente amarrado às suas responsabilidades institucionais como presidente do Benfica. Quer dizer, ele precisa de concentrar-se no processo, na sua defesa também, e os benfiquistas também necessitam de ter órgãos sociais, uma administração da SAD, completamente liberta e a não ser interrogada todos os dias sobre o curso deste processo. É disso que se trata. Separar os dois caminhos nesta altura, creio que é o melhor para os dois lados, para o Benfica e também para as pessoas que estão mergulhadas neste processo.