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Boa tarde, Feliciano. Sei que estão a sensivelmente 1500 metros da linha de meta, não é?

Exatamente. Boa tarde a todos os ouvintes. Por acaso estamos aqui em sete, já se juntaram a nós mais quatro ou cinco portugueses. Estamos a um quilómetro e meio da meta de chegada, aqui em Tre Cime di Lavaredo. A 2500 metros de altitude.

Foi difícil oscar aí?

Muito difícil. Tem declives muito grandes, é muito agreste. Começa o início da subida aqui para Tre Cime e é muito em reto, mas a partir dos quatro quilómetros finais, fica a partir dos 9%, e chega mesmo até aos 19% de inclinação. É muito difícil.

Eu estou aqui a olhar para as imagens de televisão e vejo aqui em muitas zonas o manto branco, a neve. Imagino que esteja aí muito frio, não?

Sim, está sol aberto com uma nevoa, mas tem neve em alguns pontos. Nota-se, mas já ameaçou chover agora durante a tarde, mas para já está tudo bom.

Feliciano, e muito entusiasmo entre os portugueses que estão aqui a acompanhar esta tirada e a aguardar com expectativa o desempenho de João Almeida?

Exatamente, obviamente sim. Já foi percetível nas imagens de ontem.

Nós até vimos, sim.

O entusiasmo está sempre cá. Nós estamos cá desde quarta-feira, vimos a etapa em Domessa, ontem fomos ver em Val di Zoldo e amanhã também vamos ver no Monte Lussari, que é uma escalada, por isso o entusiasmo e a confiança está sempre cá. Já escrevemos no chão.

Pois, eu também já vi. O que escreveram? Que mensagem é que escreveram no alcatrão?

No alcatrão escrevemos: "Damos o homem e o nosso nome prova." Os Lingrinhas.

Os Lingrinhas. E porquê esse nome, os Lingrinhas?

Os Lingrinhas faz parte de um jogo, uma aplicação que nós temos e já usamos desde 2020. No ano passado, em 2021, também fizemos a Volta à Itália. E os Lingrinhas por quê? Porque há um ciclista que era muito magrinho, o Tom Pidcock, e dissemos que ele era magrinho mesmo. E nós falamos: "Olha os lingrinhas". E pronto, ficou assim.

E ficou. E vocês são todos lingrinhas, de facto, ou há algum desengano?

Não, por acaso eu peso 90 quilos, não sou nada lingrinho.

E vocês andam todos de bicicleta, têm paixão pelo ciclismo?

Sim, alguns de nós andam. Por acaso há um que faz bicicleta quase diariamente, é o Luís Cardoso, também faz parte do grupo dos Lingrinhas, mas de resto somos cá e lá dois ou seis.

E vocês costumam, pelo que eu percebi, já acompanhar uma Volta à Itália, portanto é hábito vocês acompanharem estas grandes competições?

No ano passado foi a nossa primeira vez.

Há um ano passado.

Exatamente, em 2021. Soubemos que o João Almeida desistiu dois dias antes da nossa viagem, mas nós não desanimamos e viemos na mesma.

E como é que estão a acompanhar? Que avaliação fazem do desempenho do João Almeida? Ontem o João sentiu algumas dificuldades. Que avaliação é que fazem do desempenho do João?

O João está a portar-se muito bem para três semanas. Apesar da primeira semana ter tido muita chuva, ele ter-se resguardado, ele e todo o pelotão. No entanto, esta semana ele tem-se portado muito bem. Ganhou uma etapa já na segunda-feira, no domingozinho, e está a portar-se muito bem. E também tem uma equipa porque, por acaso, ele está a trabalhar para ele claramente. A UAE Emirates está a ser uma equipa fenomenal, está a trabalhar toda para o João. Agora é ele ter pernas, é só ter pernas.

Feliciano, o que espera do desempenho do João na etapa de hoje? Muito difícil, como já aqui demos conta.

É muito difícil, mas eu acho que o Geraint Thomas e o Primož Roglič vão-se marcar um ao outro. A diferença é só um minuto e nove segundos e o João pode ter uma réstia de esperança e tem aqui declives muito bons e algumas retas que ele, se der a sua almeirada, pode conseguir.

Feliciano, e vocês já falaram com o João?

Falámos na quarta-feira, quando ele acabou de fazer o pódio que recebeu a camisola branca, a camisola branca de melhor jovem. E falámos com ele à saída do pódio, que ele tinha dito que ontem ia só sendo na roda. Mas perdeu um bocadinho de tempo. Mas está bem, está confiante. Falámos com a mãe e o pai do João, que também estão aqui. Por isso ele está confiante, sente-se confiante para fazer top três.

E é importante para ele esta presença de portugueses e de grupos de entusiastas portugueses e do ciclismo como vocês?

Claro. É muito desafiador ter alguém aqui nesta área que vem de Portugal só para o ver e ver ele a ganhar o Giro, é óbvio que é motivador e tudo mais.