Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Para analisar este discurso de Joe Biden, junta-se a nós Carlos Gaspar, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais. Boa noite, Carlos Gaspar.
Boa noite.
Boa noite. Joe Biden falava do início de uma invasão, admite sanções mais severas às que foram impostas em 2014 aquando da anexação da Crimeia. Está fora de questão resolver agora este conflito de forma diplomática, esse que tem sido, aliás, o apelo feito pelos aliados das Nações Unidas?
Os aliados da Aliança Atlântica e os parceiros da União Europeia, a Inglaterra, a Noruega, também o Japão, os Estados Unidos, convergem em conjunto numa posição comum para sancionar a decisão da Rússia de, por um lado, reconhecer as repúblicas fantoches separatistas pró-russas no Donetsk e em Luhansk, e também a entrada de forças militares naquilo que é formalmente o território da Ucrânia, que é um Estado soberano e isso, portanto, constitui, do ponto de vista internacional, uma agressão de um Estado contra outro Estado, da Rússia contra a Ucrânia e os aliados ocidentais, o Japão, os europeus estão a sancionar a Rússia em resposta. O presidente Biden disse que não fechou a porta à possibilidade de conversações. É evidente que neste momento está fora de causa haver a cimeira bilateral que o presidente francês tinha tentado negociar durante o fim de semana entre o presidente da Rússia e o presidente dos Estados Unidos, mas disse também que vai avaliar a posição da Rússia pelos atos e não pelas palavras, uma vez que o presidente russo acaba de deitar para o caixote do lixo os protocolos de Minsk, os acordos internacionais de que a Rússia era parte, ao lado da Ucrânia, da França e da Alemanha, para tentar limitar a escalada da violência nos territórios separatistas da Ucrânia oriental.
E Joe Biden diz que não tem a intenção de lutar contra a Rússia, mas ao mesmo tempo admite também colocar tropas nos Estados bálticos como uma medida defensiva. Quais é que podem ser os próximos desenvolvimentos? Estamos perante uma nova semana de intensas negociações?
Ao reforço, não. Não me parece que haja espaço neste momento para haver uma intensificação das relações diplomáticas. O formato Normandia deixou de fazer sentido. É possível que continue a haver contactos bilaterais, mas não é evidente a que nível é que esses contactos vão ter lugar. Este momento é um momento de solidariedade dos aliados ocidentais e europeus com a Ucrânia, essa é a prioridade, e também de tomar medidas para garantir a segurança dos aliados da NATO. Os Estados Unidos reforçaram a sua posição na Polónia, a Alemanha vai reforçar as suas posições nos países bálticos e provavelmente outros membros da Aliança Atlântica vão também deslocar meios adicionais para os países da NATO que fazem fronteira com a Rússia ou com a Ucrânia.
E olhando para o papel de Joe Biden neste conflito, acontece poucos meses depois de uma retirada do Afeganistão que deixou marcas na liderança de Joe Biden.
Certamente.
O que é que Joe Biden espera ganhar agora com esta posição forte? Ele que tem sido um dos principais nomes nesta troca de negociações.
Não é o único. O presidente Biden tem assumido uma posição de firmeza, conseguiu unir os aliados da NATO, conseguiu manter uma articulação permanente com a União Europeia, também com o Japão. Isso teria sido impossível com o presidente Trump. Se esta crise tivesse passado há três ou quatro anos, os aliados teriam dividido e não havia esta frente comum. Isso deve-se em grande parte ao presidente Biden, mas também há uma posição de firmeza que se deve destacar por parte da Alemanha. O chanceler alemão tomou a iniciativa de bloquear, de interromper o processo de acreditação do Nord Stream 2, do novo gasoduto que liga a Alemanha à Rússia. Fez-lo num quadro próprio da Alemanha, foi a Alemanha que tomou essa posição fora do quadro das sanções coletivas e mostrou também que, do lado europeu, há uma determinação e uma firmeza idêntica àquela que existe por parte dos Estados Unidos.
Fazia-lhe só uma última pergunta: que papel é que Portugal pode ter também no meio deste conflito? Já se fala de um impacto ao nível da energia, mas Portugal pode também aqui ter um papel militar, mesmo a nível da relação diplomática. O governo já disse que vai manter a embaixada aberta em Kiev e que está também recetivo a receber refugiados, caso exista essa necessidade. Qual é que pode ser também aqui o papel de Portugal neste conflito?
Portugal faz parte da NATO e faz parte da União Europeia. Como membro da União Europeia, teve de aprovar estas sanções que estão a ser impostas pela União Europeia. Portugal é parte integrante dessa decisão e Portugal pode ter que enviar, no quadro da Aliança Atlântica, forças militares para os países que têm fronteiras com a Rússia ou a Ucrânia, designadamente no caso da Roménia, outros também, no caso de haver uma mobilização das forças de reação rápida.