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Artur Soares Dias, boa tarde. Obrigado pela disponibilidade. Anunciou o fim da carreira aos 45 anos, fez o último jogo na Supertaça da Arábia Saudita. O que começo por lhe perguntar, antes de tudo, é por que agora? O que levou a esta decisão?

Obrigado eu por esta oportunidade de falar com uma das referências do nosso panorama da comunicação social. É sempre um orgulho dar-nos a conhecer, é sempre um orgulho falar com vocês. Obrigado. Este momento foi escolhido atempadamente há cerca de um ano, após um planeamento que foi realizado, após a definição de objetivos que foram estabelecidos, que desde logo passava por representar da melhor forma Portugal além-fronteiras, mediatamente na participação do Euro. Esse acontecimento veio-se a verificar. Aliás, pode-se até confirmar e considerar que houve um bônus com a participação da final da Liga Conference, momentos esses de grande orgulho, de grande satisfação, de representação do nosso país além-fronteiras e que me deixam muito satisfeito. E nessa medida, após ter repetido a dose da participação de um Euro e de ter participado em vários Europeus, Mundiais e outras competições, mediatemente os Jogos Olímpicos, que foi uma das minhas maiores alegrias, achamos, entre família, que isto foi uma decisão familiar, que chegou o momento de dar por término esta longa carreira e um dos capítulos da minha vida.

E o que segue agora na carreira, Artur Soares Dias? Já disse noutra entrevista ao Jornal da Bola que vai continuar no futebol. Quer seguir os passos de Pedro Proença e ir para a Liga Portuguesa de Futebol?

Obrigado pela questão também. De facto, eu acho que este momento, falarmos sobre a Liga não me parece o mais correto, inclusive eu até acho que posso considerar que sendo um momento de desrespeito para com o trabalho que o Pedro Proença, meu colega e amigo, está a realizar junto com os clubes na valorização do futebol português. Acho que o momento agora será de falar da alegria de uma carreira que foi levada a cabo e de momentos de felicidade que foram partilhados, conforme foi o caso da Liga Conference.

Mas já estará certamente a pensar no futuro, mesmo que não seja para a Liga Portuguesa de Futebol. Ou seja, o que eu lhe perguntava era depois da arbitragem, que oportunidades se abrem exatamente? Ou perguntando de outra maneira, as pessoas conhecem o Artur Soares Dias, árbitro. Que competências é que o Artur Soares Dias tem hoje para assumir outro tipo de funções e que funções é que poderiam ser?

De facto, eu tenho muito orgulho no meu percurso, não só desportivo, mas também académico. Tenho uma grande confiança no presente que estamos a viver de momento e tenho uma grande esperança no futuro, que todos, sem exceção, desejamos que seja melhor. É verdade que, à semelhança daquilo que é o caminho do Pedro Proença, é licenciado em Economia, no meu caso, a minha licenciatura é em Gestão. Fui diretor de Recursos Humanos durante muitos anos em multinacionais de referência do nosso tecido empresarial. Tomei uma decisão de abandonar essa carreira empresarial momentaneamente para abraçar este desafio de querer representar Portugal lá fora da melhor forma possível. Todavia, em paralelo, durante estes anos todos, constituí várias empresas, tenho vários investimentos. Sou um empresário, sou alguém que domina a gestão e sou alguém que gosta muito dessa área de negócio também, que é a gestão. Nessa medida, se o futebol entender que poderei ajudar no futuro a que todos nós sejamos mais felizes e o nosso negócio, que é o negócio do futebol, seja mais valorizado, seguramente não escondo que é uma das áreas que eu gosto muito, que é a gestão e o futebol, em particular.

E já falou também sobre o vídeo polémico que correu as redes sociais. Eu não lhe vou perguntar mais nada sobre o evento em si, porque já o explicou, mas esteve então num evento onde se encontrava também Pinto da Costa. O que eu lhe pergunto é se considera que a maneira como o vídeo saiu e como foi percecionado pelas pessoas, a maneira como circula pelas redes sociais, acaba por afetar a sua imagem de alguma maneira e se pode prejudicar, por exemplo, futuras oportunidades para o futuro. Falou, por exemplo, na gestão no futebol.

As oportunidades que existem ao dia de hoje são várias. Foca-se, conforme foi dito no passado, da Liga, mas eu acho que também há muito mais para fazer além da Liga. E conforme disse há pouco, eu acho que é até desrespeitoso falar de um presidente recentemente eleito que está a fazer um trabalho excecional na Liga, como é o caso do Pedro Proença. Voltando à questão daquilo que me falou, eu não considero que um episódio tão curto, tão fugaz e tão descontextualizado, conforme aquilo que acabou por acontecer, que foi devidamente explicado, conforme já foi dito, me possa afetar 30 anos de carreira e 30 anos de forma de estar no futebol, conhecida sobejamente por todos aqueles que são os interlocutores que existem no desporto. As pessoas conhecem-me há muito tempo, sabem quem eu sou, sabem qual é o meu percurso, sabem quais são os meus princípios, quais são os meus valores, quais são os meus ideais e qual é, acima de tudo, a minha forma de estar no futebol e, em particular, na arbitragem. Portanto, estou seguro que não terá qualquer referência ou qualquer relevância um episódio que foi descontextualizado.

Fica então clara essa ideia. E por fim, Artur Soares Dias, eu gostava também que me esclarecesse aqui um aspecto. O seu nome estava na lista de árbitros para esta nova época, que foi disponibilizada no início de julho pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e por volta dessa altura comunicou a decisão de se retirar ao chefe de arbitragem da UEFA, como disse na entrevista ao jornal A Bola. Ou seja, terá sido na mesma altura. Calculo que a decisão já estivesse tomada. Por que o Conselho de Arbitragem ainda não sabia da decisão?

Eu presumo que deva ter sido uma questão de timings, mas isso melhor a responder será o Conselho de Arbitragem. A comunicação, conforme foi dito, foi feita atempadamente, escrita, comunicada de uma forma pensada e portanto, havia aqui um planeamento a ser realizado que, entretanto, fruto desta questão que se levantou, foi interrompido, mas que em nada beliscará aquilo que é a grande carreira que foi percorrida.

Mas quando é que comunicou a decisão, exatamente?

Eu, salvo erro, dei conta disso mesmo. Conforme disse, no final do Europeu, comuniquei à UEFA, conforme foi dito ao meu chefe na altura, Roberto Rosetti, nessa altura também dei a conhecer a minha intenção de terminar. E portanto, se porventura, depois apareceu nos quadros, eu presumo que existam questões administrativas, de plenários e de questões burocráticas de administração interna por parte dos conselhos de arbitragem. Presumo eu que seja essa a questão, não faço ideia.

Fica então esclarecido. Artur Soares Dias, muito obrigado por ter falado com a Rádio Observador.