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Olá, boa tarde. Sim, as taxas de juro soberanas subiram um pouco por toda a Europa. Atingiram máximos de um mês em quase todos os países ou em todos os países. No caso da Alemanha, passaram a barreira dos 2%, estão agora a 2,10. No caso de Portugal, bem acima dos 3%, nos 3,12. Espanha a 3,15 e, talvez mais preocupantemente, Itália nos 4,20. Ou seja, comparando com o início do dia, mais 15 pontos em Portugal, 20 na Espanha, 35 na Itália, que assim alargou bastante o spread face à Alemanha, porque há a noção de que ao ser retirada a liquidez através do não reinvestimento das obrigações em posse do BCE que não atingir a maturidade, naturalmente que há menos procura pelos títulos mais arriscados, nos quais Itália naturalmente se coloca.
Filipe, de manhã aqui na Rádio Observador, já antecipava esta subida das taxas de juro pelo BCE e também uma inversão de tendência a partir da próxima primavera. Mas tendo em conta as palavras de Christine Lagarde, que aponta para mais subidas significativas, continua a pensar que pode ser depois da primavera que haja esta inversão?
Sim, não me parece que tenha mudado muita coisa. A verdade é que o discurso foi mais agressivo do que era esperado. Isso há que reconhecer, talvez, eventualmente, para agradar àqueles membros do BCE que pretendiam uma subida de 75 pontos-base. No entanto, não saltou muito em termos de timings, ou seja, meados do ano que vem, finais de primavera, será provavelmente quando este ciclo de subidas irá terminar. O que Lagarde adicionou foi talvez 25 a 50 pontos-base à taxa de fim de ciclo. E o mercado agora espera que essa taxa final, a taxa de depósitos final, fique entre 3% e 3,25%, o que se traduziria num Euribor, ou em Euribors, na casa dos 3,30, 3,35 no máximo. Portanto, eu acho que não saltou assim tanto quanto isso. Há, de facto, uma subida de 25 a 50 pontos-base na taxa terminal, mas não se altera o cenário global, que é termos um ciclo que irá terminar provavelmente antes do verão do ano que vem.