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Sr. Jaime Lopes já foi presidente da junta aqui de Casais, foi o que me disseram, é isso?
20 anos.
Foi durante 20 anos. Muito bem. Sr. Jaime, ia lhe pedir que nos descrevesse do que é que se deu conta dos acontecimentos de hoje aqui na aldeia.
Eu estava em casa, ouvi os cães ladrarem e quando os cães ladravam, vim ver o que se passa, que normalmente é assim nas aldeias. Era o meu cão e o cão da vizinha também, a ladrar, que são dois pastores alemães. Eu vim ver o que se passa. Quando passo, vejo vir a senhora, também com o cão ao lado dela, um cão pastor alemão, a mulher a gritar, a pedir socorro. A vizinha chamou-me: "Ó Jaime, venha cá, venha cá, venha cá." E eu vou, mas o cão vem direito a mim, eu tive medo, recuei. Mas ela chamou o cão e o cão acatou à voz dela e foi para o pé dela, ela tirou o cão, acatou.
E a senhora como é que estava? Estava ferida?
Muito maltratada. Para aquilo que a gente percebeu, ela tinha um plástico atado nas pernas, em baixo, e nos pulsos. Depois até tirou um braço de nylon que trazia, que já dei a um jornalista, que tirou. Só que a gente não percebia. E como a gente não percebia, só que os agentes do INEM queriam saber, o INEM não, do 112, queriam saber a situação. Eu não percebia aquilo que ela dizia e depois pegamos no telemóvel da vizinha e disse: "Olhe, ponha-se a falar com ela." Ela depois pôs-se a falar com a língua dela, inglesa, para eles, já entenderam. Lá entenderam aquilo. Depois, passado poucochinho de tempo, veio então a GNR e bombeiros e tudo. Foi quando nós nos apercebemos o que é que se estava a passar.
E foi nessa altura então que a senhora voltou para casa com a GNR.
A GNR voltou para cima e de lá foram para cima. E depois eu fui lá também, mas fui ver o que se passava, porque depois é que a vizinha: "Olhe, que afinal a gente pensava que aquilo tinha sido alguma malha dele." "Isso não tem nada a ver." "Não." "Então por quê?" "Nada." "Então por quê?" "Olhe, foi ele que ligou o gás e foi uma explosão. Aquelas janelas está tudo partido, está tudo partido." Nós estávamos longe de saber o que se estava a passar.
Esta senhora vivia aqui na aldeia há muito tempo?
Cerca de dois anos, mais ou menos.
E já se tinham apercebido destes conflitos dentro da relação?
Ele não vivia com ela. Já não vivia. Vinha aí e tal, depois havia umas certas confusões, que ele é um indivíduo que não era grande rolha, era mesmo assim. Tanto que ele já uma vez, há uns anos, matou um indivíduo em Tomar e tal. Lá viviam. Há muito tempo que ele não vivia aí. De vez em quando, quando ele ia, a gente dizia: "Olha, isto qualquer dia vai terminar mal." E terminou na pior espécie, da pior maneira.