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Na Ucrânia desde 2014 e em Kiev desde a semana passada, Elena Krajewska descreve um país que enfrenta dificuldades bem além da linha da frente e que se chegam a sentir na capital.

A diferença é palpável. No ano passado, havia mais esperança na cara das pessoas. Estavam menos cansadas desta situação, mas nos últimos meses, sem eletricidade, sem água quente ou potável, sem aquecimento em tantos prédios, isso realmente afetou a confiança das pessoas.

O inverno e as temperaturas baixas que se fazem sentir em Kiev, dificuldades acentuadas pelos ataques russos contra as estruturas energéticas do país. Já em Kharkiv, o cenário é diferente e resume-se numa palavra: destruição.

Em Kharkiv, há mais prédios destruídos do que havia no ano passado por bombardeamentos. Praticamente um em cada dois, um em cada três. Podemos ver que é uma cidade na linha da frente.

Elena Krajewska é a porta-voz da Polish Humanitarian Action, uma associação que trabalha em vários pontos da Ucrânia, que ajuda populações que ainda precisam de tudo.

Ajudamos muitas pessoas com ajuda psicológica, porque todos aqui vivem traumas depois de quatro anos. Nós estamos especialmente a apoiar crianças, professores e pais, porque é horrível passar a infância e ser um pai, especialmente um pai recente, durante a guerra.

E que estão cansadas, quatro anos depois do início da guerra. Os ucranianos querem continuar a ser lembrados, até porque dizem que não são feitos de ferro.

As pessoas querem paz, querem tranquilidade, querem olhar para o céu e não ter medo. Querem viajar, apanhar um avião e ir a Lisboa, por exemplo. As pessoas estão cansadas. Todos aplaudem os ucranianos por serem invencíveis, mas não é verdade. Dizer isso diminui a dor e o sofrimento que estas pessoas estão a sentir. Pedem-nos que não digamos isso, porque estão aqui a sobreviver, a tentar sobreviver como sociedade.

Elena Krajewska está na Ucrânia para continuar, e não apenas até o fim da guerra, até porque se a guerra acabasse amanhã, lembra que ainda há um país para reconstruir.