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Junta-se nesta altura a nós, neste jornal, Miguel Magalhães, professor universitário e pertence também ao Centro Materno-Infantil do Norte. Já está aqui conosco nesta altura para comentar esta decisão da Direção Geral de Saúde. Era expectável que fosse tomada esta posição, professor?
Sim. Olá, demais boa tarde. Claro que sim. Eu creio que é a atitude mais sensata, de acordo com as recomendações, quer da Agência Europeia de Medicamento, quer da Associação Americana de Pediatria. À semelhança dos resultados que temos tido da vacinação nessas faixas etárias em todo o mundo e de todos os estudos que foram feitos com uma segurança absoluta, com zero efeitos secundários graves reportados até ao momento, quando já foram dadas milhões de doses desta vacina da Pfizer a crianças desta idade. E, portanto, com esta opção de vacinar as crianças dos cinco aos 11 anos, protegemos não só estas crianças de forma direta, mas também as suas famílias e toda a nossa população.
Mas, professor, vou fazer aqui um outro papel, que é: nestas crianças, a maioria da situação, ou seja, não há aqui situações muito graves, não tem havido muitos casos muito graves. Faz sentido que sejam vacinadas mesmo assim?
Claro que sim. A resposta é sim, muito objetiva. E claro que faz sentido, por uma razão simples: apesar de não haverem casos muito graves, eles também existem. E, portanto, evitar um caso grave já é positivo. Mas quando me diz que não há muitos casos graves, estamos a falar só do efeito direto de ter uma doença de Covid-19, mas há todos os outros efeitos. O que nós sabemos, por exemplo? Sabemos que crianças que estão infetadas, e atenção que neste momento em Portugal, a maior percentagem de infeções ocorre nestas idades, e portanto, crianças infetadas, mesmo com poucos sintomas ou nenhuns, têm uma probabilidade de 10% a 5%, de ficar com sintomas a longo prazo, o que chamamos de Covid prolongada.
Que sintomas são esses, professor?
Sintomas que podem ir desde uma dificuldade, uma intolerância ao exercício físico, insônias, dificuldades de concentração, e portanto, sintomas que estão a ser estudados neste momento, que dizem respeito quer à atuação direta do vírus, mas também às consequências psicológicas que ocorrem nestas crianças que estão infetadas. E, portanto, todo este efeito direto do vírus nas crianças desta idade, associado aos efeitos na sociedade, e senão vejamos, as escolas todas do primeiro ciclo, uma grande maioria, tem turmas encerradas, às vezes ciclos inteiros, e todo o prejuízo que estas crianças já estão quase há dois anos, sem ter um ano escolar normal, sem ter uma vida normal. Isso é a saúde das crianças. A saúde das crianças é muito mais do que ter um efeito direto de uma tosse ou de um quadro respiratório de Covid.
Mas mesmo vacinadas, as crianças podem na mesma transmitir.
Mas muito menos, essa que é a chave da questão. A chave da questão é que os estudos nos indicam que, por exemplo, há um estudo muito interessante sueco, que avalia o número de pessoas que estão vacinadas numa só família, e quando temos uma pessoa vacinada na família, o risco de infeção nessa família ronda os 40%, 50%. Quando temos duas, já vai para os 80%. Quando temos três, vai para cima dos 90% a diminuição do risco. Portanto, quanto mais pessoas estão vacinadas no seio familiar, incluindo as crianças, menor é esta transmissibilidade. A vacinação impede a doença grave, mas também impede a transmissão. E isso é que é muito importante.
Nesta altura, o professor sabe isso, há muitas famílias que têm dúvidas em relação a vacinar as crianças. O professor tem filhos, vacinaria o seu filho, sem dúvidas?
Eu tenho filhos, claro que sim. Tenho um filho de cinco anos, precisamente a idade limite inferior, que irá ser vacinado assim que houver vacina disponível para ele, sem sequer a mínima dúvida.