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Benfica 2, Paços de Ferreira 0. Jogo de alguns momentos difícil para o árbitro Vitória Ferreira. Pedro Henriques, vamos partir para a análise deste encontro e ao minuto 25 aqui um amarelo para Otamendi. Stefan Eustaquio foi quem sofreu a falta e queixava-se de que poderia ter havido algo mais do que um cartão amarelo. O certo é que só foi mostrado o cartão amarelo. Bem mostrado ou poderia ser qualquer coisa mais?
Este lance tem importância na medida em que há uma expulsão e é por isso que o Eustaquio, em função da expulsão da equipa do Paços de Ferreira, também se está a referir a este lance e, portanto, deduzo que até quem vá comentar o jogo sob o ponto de vista de arbitragem, vá, para tentar ser coerente, ou amarelo nos dois ou vermelho nos dois, portanto, vá em volta disto. Vou começar então por dar a minha opinião. No minuto 25, o cartão amarelo que foi mostrado ao Otamendi, para mim, é correto. E por que é correto? Efetivamente, ele tenta pontapear a bola, toca na bola e, ato contínuo, não para o seu movimento e acaba por pisar o peito do pé. Portanto, não é uma entrada em cima daquela zona do tornozelo, é o peito do pé e de cima para baixo, com o pé que está assente no chão. Isto enquadra-se naquilo que eu também vou referir hoje duas vezes, que é a questão da negligência, que diz mais ou menos isto, na Lei 12, que quando um jogador não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato para com o adversário, ou seja, aquilo que normalmente nós dizemos que é uma entrada bastante dura, podia ter feito melhor, podia ter evitado e depois acaba por ter alguma consequência no sentido de pisar o seu adversário, rasteirar o seu adversário, mas de forma mais dura. É isso que é o conceito de negligência. E, portanto, para mim, este enquadra-se claramente. É lógico que a fronteira, e é aqui que vou precisar de um pouquinho mais de tempo para depois eu ser rápido, a fronteira entre aquilo que é negligência e aquilo que é o cartão vermelho, também da Lei 12, que é força excessiva, que põe em risco a segurança e integridade física, é sempre muito relativo, porque se o jogador fica lesionado, a gente vai sempre dizer que a integridade física do jogador está, mas não tem a ver com a consequência, a não ser aquelas entradas à cabeça ou situações de pernas partidas, em que muitas vezes, e a própria FIFA diz: "Atenção, verifiquem a consequência para, de alguma maneira, poder dar um cartão vermelho." Mas a consequência não é o que conta por base, o que conta é a maneira como o jogador entra ao seu adversário, porque eu já vi situações de entrar sem qualquer maldade e depois sair uma lesão grave e já vi situações de entradas brutais que não têm qualquer consequência. Portanto, não é a consequência a entrada. Este pisão é no peito do pé, por cima. Não é ao tornozelo. Por quê? Porque o tornozelo é sempre mais perigoso, porque o peito do pé, estando apoiado, sendo o tornozelo, normalmente faz mesmo dobrar e pode inclusive partir. Quando é no peito do pé, de cima para baixo, digamos que o pé está apoiado no chão, não deixa de ser duro, não deixa de aleijar, mas é diferente. E é por isso que eu considero que este cartão amarelo foi bem mostrado. E obviamente, mesmo para quem possa estar a discutir neste lance o possível cartão vermelho, isto não é uma situação clara e óbvia, não é daquelas situações em que toda a gente diz: "Não, isto é cartão vermelho." E por isso, o protocolo do VAR é muito claro quando diz que o VAR para intervir, tem que ser claro e óbvio. A decisão inicial do árbitro tem que ser um erro que não deixe qualquer dúvidas. E eu estou já a adiantar para aquilo que vai ser a seguir. Depois tem que mostrar claramente em imagens ao árbitro, já vou depois explicar isso melhor, tem que mostrar em imagens ao árbitro que realmente o árbitro errou na sua decisão. Neste caso concreto, não é claro e óbvio, para mim é claro e óbvio que é amarelo, mesmo que se fosse um lance fronteiro, o VAR aqui nunca poderia intervir, de acordo com o protocolo. Portanto, boa decisão da equipa de arbitragem neste lance.
Boa decisão neste amarelo mostrado a Otamendi. Eustaquio pediria mais, depois na conferência de imprensa, na opinião do Pedro Henriques, bem assinalado por Vitória Ferreira. Estamos a olhar para o lance que estamos a falar também com a expulsão. Antes disso, há também uma reclamação de pênalti na área do Paços de Ferreira, por mão de Eustaquio. Haveria aqui motivos, Pedro, para assinalar esta grande penalidade?
Não, sem motivo para pontapé de pênalti. É um pontapé de canto, o Eustaquio ao cabecear a bola, porque às vezes os jogadores saltam na frente e portanto iludem um possível corte, e quando vai cabecear efetivamente a bola, é apanhado de surpresa. E cabeceia entre a cabeça e o ombro, e depois a bola resvala ao longo do corpo. Não parece que tenha tocado na mão, foi essa a ideia com que fiquei, mas mesmo que tivesse tocado na mão ou no braço, no seu movimento descendente, seria sempre uma situação que vinha de ressalto de uma parte do corpo e que vinha de uma forma que a mão nunca seria deliberada, nunca seria intencional, o braço estava em posição normal, não havia voluntaria. Mas de qualquer maneira, a ideia que eu tenho é que nem sequer tocou no braço. Por isso, boa decisão da equipa de arbitragem, porque mesmo que tivesse tocado, nunca seria pênalti.
Pedro Henriques, vamos então ao lance da expulsão para o Paços de Ferreira, a fechar a primeira parte aos 44 minutos. Há um amarelo para Danielson Júnior, é revertida esta decisão para cartão vermelho. Houve aqui uma boa intervenção ou a decisão é errada?
Vou já dizer que para mim a intervenção final é errada, portanto, aquilo que foi chamado do vídeo ao árbitro e depois a decisão que o árbitro tomou. Começando pelo fim. O fim é, na sequência disto, para ficar já rematado, o Fernando Fonseca leva cartão amarelo por protestos e há um elemento técnico do banco que é expulso, portanto, cartão vermelho, também por protestos. Deixando aqui já de lado esta questão da consequência deste lance. Em relação ao lance em si, o Danielson Júnior tenta claramente, embora de forma muito impetuosa, pontapear a bola, quando vai disputá-la no chão. E ao tentar pontapear a bola, penso que até com o João Mário, digamos que raspa nas orelhas da bola e falha completamente. E ao falhar, dada a impetuosidade e a força com que imprimiu na perna, porque se acerta na bola, provavelmente o movimento parava ali, ao não acertar, a perna segue o seu movimento. E ao seguir o seu movimento, com a perna já toda esticada, e portanto, o Grimaldo que está relativamente afastado, mas à distância da perna, acaba por acertar de baixo para cima com a bota, neste caso, com a sola da bota, no ombro do Grimaldo, fazendo com que ele caia no chão. Por que eu acho que é cartão amarelo? Primeiro, o jogador não entrou diretamente ao Grimaldo. O jogador não foi disputar a bola com o Grimaldo. O jogador tentou chutar a bola e ao fazê-lo de forma impetuosa, não fez tudo aquilo que estava ao seu alcance para impedir o ato contínuo. Lá está, uma vez mais, a negligência. Não tem em conta o ato e as consequências do ato para com o adversário. E de baixo para cima acaba por acertar no ombro do seu adversário, Grimaldo. E o árbitro mostrou o cartão amarelo. O VAR, no meu ponto de vista, não deveria intervir aqui neste lance, porque para mim, mesmo que sendo discutível, não é claro e óbvio que seja uma situação em que o árbitro errou e que seja um cartão vermelho claro e óbvio. O VAR tem um entendimento diferente, há que respeitar isso, e chama o árbitro. Agora aqui a questão que se coloca é que aquilo que está dito aos vídeo-árbitros e aos árbitros é que quando vão ao monitor, tem que ver imagens pelo menos de duas situações neste contexto. Primeiro, a imagem parada ou em slow motion, para ver se acertou, onde é que acertou, quais são as zonas de contacto. Mas depois, para se ver a intensidade, porque depois quando nós falamos de Força excessiva, quando falamos de condutas violentas, temos que ver a intensidade, a velocidade, a malícia. São palavras da lei de jogo, não sou eu que estou a inventar, são palavras que estão lá na lei de jogo. E para se ver exatamente isso, o árbitro tem que ver o lance decorrido, isto é, vê primeiro as imagens paradas ou devagar para ver a zona de contacto. E ele na zona de contacto, se nós pararmos o frame, vemos uma sola no ombro e podemos deduzir que foi uma entrada violenta. Mas depois quando vemos em movimento normal, percebemos que a entrada é de baixo para cima, num pontapé, com o grimalde distante e a sola acaba por raspar e bater, e acerta no ombro do adversário. É óbvio que as imagens que são injetadas pela cidade do futebol são aquelas que depois passaram. Nós não estamos sempre com o árbitro a ver o monitor, mas as imagens que são dadas para casa são as mesmas imagens que são dadas ao árbitro. É bom que a gente relembre isso, porque é obrigatório, faz parte do protocolo. E o que eu vejo é o árbitro a ver a imagem sempre em slow motion, devagar e nunca em movimento normal. Não sei se o VAR não teve tempo de lhe dar, porque o árbitro foi tão rápido a ir lá e a vir-se embora, e ele não pode vir-se embora sem ver devagar ou parado e depois a seguir em velocidade normal. Porque se o árbitro verificar a imagem em velocidade normal, não é uma falta, não é uma conduta violenta, não é uma entrada grosseira, não é uma entrada brutal. Para mim, não põe em risco a integridade física do adversário. Acertou-lhe, faz doer, como se costuma dizer, mas é apenas negligente. No meu ponto de vista, a decisão errada em ter mostrado aqui cartão vermelho. Para mim, a decisão correta era cartão amarelo.
Fica também essa nota deste que foi o lance capital deste encontro. Resultou na expulsão de Danielson Júnior, o jogador do Paços de Ferreira. Já na segunda parte, Pedro Henriques, 57 minutos de jogo, Antunes, o lateral do Paços de Ferreira, vê um cartão amarelo. Bem mostrado?
Sim, bem mostrado. É uma entrada fora de tempo sobre o Rafa. Já não estava lá a bola e ele ceifa as pernas por trás do Rafa, portanto, é chamada entrada negligente, cartão amarelo bem mostrado.
84 minutos de jogo. Há um golo invalidado ao Benfica, fora de jogo de Darwin, estava realmente em fora de jogo, Pedro?
Sim, a olho nu, vimos logo isso. Era fácil de verificar que o Darwin estava adiantado em relação ao penúltimo adversário no momento em que recebe a bola, isto é, em que o Diogo Gonçalves faz o passe, e o que conta é o momento do passe, é bom relembrar. É daquelas decisões fáceis, foi fácil para o árbitro assistente e o vídeo-árbitro praticamente nem perdeu tempo. Isto é, verificou, nem deve ter colocado linhas porque estava claramente adiantado. Boa decisão, golo bem anulado ao Benfica por fora de jogo Darwin.
E depois foi aos 90 minutos, amarelo para Machoi que, na tua opinião, Pedro, é mal mostrado.
Sim, não é um lance capital nem importante, é uma entrada sobre o Evangelos. Fica a perna direita para tentar chegar à bola e vai utilizar. Mas é com o joelho esquerdo, que está atrás e que vai em deslize no chão, que acaba por derrubar o adversário. Para mim, é uma falta absolutamente normal, no sentido que é só imprudente. Portanto, atenção, e a palavra imprudente na lei 12 não tem cartão amarelo. Significa o que é imprudência? Não tem em conta nem atenção, nem consideração para com o adversário, na maneira como aborda o lance. É uma falta menor. Para mim, completamente escusado este cartão amarelo.
E vamos ao último lance deste encontro, antes de conhecermos a nota da equipa de arbitragem liderada por Vítor Ferreira. Noventa e um minutos de jogo. O menino do Benfica, Paulo Bernardo, vê cartão amarelo. Que lance foi este? Foi bem mostrado?
Foi bem mostrado. É a situação típica em que um jogador vai atrás do outro e agarra de forma evidente, ostensiva e deliberada. Qual é o objetivo? Destruir a jogada agarrando. Não está a discutir o lance com os pés, como é normal, tentar tirar a bola. Agarra, e o agarrar em si é um comportamento antidesportivo, que, sobretudo quando é assim tão veemente como foi, é passível de cartão amarelo, foi bem mostrado. De resto, o próprio Paulo Bernardo até depois tem a atitude, o comportamento correto de pedir desculpa ao adversário, porque sabe que teve um comportamento incorreto, errado, destruiu a jogada, foi esse o objetivo, e o cartão amarelo foi assertivo.
Pedro Henriques, equipa de arbitragem liderada por Vítor Ferreira, um árbitro internacional ainda não muito experiente, como também fomos mencionando ao longo do encontro que acompanhamos aqui, esta vitória do Benfica por duas bolas a zero frente ao Paços de Ferreira, sendo que ao minuto 44 há um erro na expulsão, na tua opinião, de Danielson Júnior. Que nota te merece a equipa de arbitragem liderada por Vítor Ferreira?
Vou dar nota negativa, nota 4, porque considero que este erro, porque para mim é erro, acaba por ter influência naquilo que possa ter sido, eventualmente, o desfecho do jogo e o resultado. É bom relembrar que na ocasião estava zero a zero e portanto, é um erro que eu acho que é capital e importante para com o jogo. Não sabemos o que é que iria acontecer, mas de qualquer maneira, acontecendo no momento em que está, tem um impacto maior do que se tivesse acontecido quando, por exemplo, o Benfica já estivesse a ganhar. E dentro dessa perspectiva, porque considero que realmente há esse erro, porque o cartão correto, na minha opinião, era o cartão amarelo e não o vermelho, e por isso nota negativa, nota 4.
Fica entregue a nota ao árbitro desta partida, Vítor Ferreira. Vitória do Benfica por duas bolas a zero. Não podia faltar o "Sem Falta" com o ex-árbitro internacional Pedro Henriques, que está de regresso já na terça-feira para acompanhar o jogo entre o Futebol Clube do Porto e também, neste caso, não, vai ser o Leixões Sporting Futebol Clube, que joga no dia a seguir, no dia 12. Também vamos contar com o Pedro Henriques, portanto, mentira aqui não foi. Pedro, muito obrigado por um "Sem Falta" mais. Fica marcado esse encontro para a próxima terça-feira.