A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, descarta uma aliança com a nova figura emergente na extrema-direita italiana, o antigo general Roberto Vannacci, afirmando que pretende ser reeleita em 2027 para liderar um governo com os valores do atual.

“Quero pedir ao povo italiano que me deixe continuar a governar sem ser chantageada. Nunca fui suscetível à chantagem, não me deixei chantagear durante os meus anos no governo e não tenciono fazê-lo no futuro”, afirmou a líder do partido pós-fascista Irmãos de Itália, que lidera uma coligação governamental que integra também Força Itália (direita) e Liga (extrema-direita).

A posição de Meloni, tendo já como pano de fundo as eleições legislativas que terão lugar no próximo ano (em data ainda a definir), foi expressa numa entrevista ao jornalista e escritor Bruno Vespa para um livro (“História da Segunda República: De Berlusconi a Meloni, de Prodi a Schlein”), que vai ser lançado na segunda-feira, e cujos excertos foram esta sexta-feira divulgados.

Sem aprofundar as razões para afastar uma aliança com o novo partido fundado por Vannacci, o Futuro Nacional, Meloni deu a entender que este tem uma agenda demasiado radical.

“Quero regressar ao governo e quero fazê-lo com o centro-direita tal como o conhecemos, enriquecido por novos movimentos cívicos que estão atualmente a tomar forma e que poderão reforçar a nossa proposta política”, declarou Meloni, que acusou também o Futuro Nacional de ter abandonado o centro-direita e de muitas vezes votar ao lado da oposição de centro-esquerda.

Vannacci, um antigo general das forças de paraquedistas que se orgulha de ter servido no Afeganistão e no Iraque, ganhou notoriedade graças a um best-seller “anti-woke” e tornou-se a nova figura da extrema-direita italiana, sendo o seu discurso marcado por críticas aos migrantes e à comunidade LGBTQ+.

Convidado pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini para integrar a Liga depois do sucesso do seu livro, Vannacci assumiu no ano passado uma vice-presidência deste partido também de extrema-direita, mas, em fevereiro deste ano, decidiu seguir o seu próprio caminho e fundou o Futuro Nacional, que tem vindo a ganhar popularidade mês após mês.

O atual executivo de Meloni, empossado há quatro anos, tornou-se, no mês passado, o mais duradouro dos 80 anos de história da República Italiana, marcada pela instabilidade política – com constantes mudanças de executivo, nada menos que 68 –, mas a sua recondução está longe de estar assegurada, e Vannacci pode tornar-se uma figura-chave nas eleições do próximo ano.

De acordo com as mais recentes sondagens, o partido de Vannacci conta atualmente com perto de 7,5% das intenções de voto, superando quer a Força Itália, de Antonio Tajani (7%), quer a Liga, de Matteo Salvini (5%), os aliados de Meloni.

Muitos analistas antecipam que, apesar de Meloni manter a sua popularidade e os Irmãos de Itália continuarem a encabeçar as sondagens, com cerca de 27% das intenções de voto, o bloco de direita corre sérios riscos de não alcançar uma maioria sem incluir o Futuro Nacional, até porque o chamado “campo largo” de esquerda tem vindo a subir, com o Partido Democrático (socialistas), com 21%, e o Movimento 5 Estrelas (populista de esquerda), com 12,5%, a surgirem nos segundo e terceiro lugares nas intenções de voto, e a Aliança Verde e Esquerda em sexto, com 6%.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]