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Sem falta, Rádio Observador. Vamos analisar as incidências do encontro entre Futebol Clube do Porto e Sporting, a final da Taça de Portugal, que o Futebol Clube do Porto venceu por 2 x 1. Foi preciso prolongamento. Um jogo, Pedro Henriques, com muitos casos. Vamos analisar lance a lance e vamos começar pelo minuto dois, uma situação de possível pênalti cometido pelo guarda-redes do Sporting, o Diogo Pinto.
Não, sem motivo para pontapé de pênalti. O Diogo Pinto hesitou na saída e depois faz a mancha perante o Evanilson, abre ambos os braços, braço esquerdo e braço direito, com o braço que encerta a bola, com o braço direito recolhe, está aberto e depois recolhe, e é nesse momento que está a recolher que o próprio Evanilson, no ato de corrida, acaba por ir chocar também contra o jogador e neste caso, o braço direito de Diogo Pinto. Lance sem motivo para pontapé de pênalti, boa decisão.
Vamos ao minuto 20, há golo do Sporting, tudo legal?
Tudo legal. Nem Huma, nem Coates fazem obstrução sobre o guarda-redes Diogo Costa, nem sequer qualquer tipo de carga, e também não há falta sobre o Otávio. Isto por quê? Porque o Diogo Costa ficou ali a pedir qualquer coisa entre ter sido obstruído ou ter sido carregado o Otávio. Ninguém fez falta, ninguém fez obstrução, e por isso golo legal do Sporting.
Passamos para o minuto 29. Há expulsão de Santos justo, minuto capital. Boa decisão de Fábio Veríssimo?
Sim, boa decisão no final, depois com a intervenção do VAR. Por partes, o árbitro assinala pênalti e mostra cartão vermelho por anular uma clara oportunidade de gol. O VAR reverte a decisão dizendo que a falta é fora e por ter sido fora, isto é, o árbitro assinalou a falta, porque o VAR também considera a falta, mas o que estava em causa era o local do contacto. O VAR, nestas situações, que são situações factuais, apenas dá a informação: "Olha, não é dentro, é fora, passa para o livre direto". O árbitro não tem que ir ao monitor verificar. Isto por quê? Porque a falta o árbitro já assinalou. E se é dentro ou fora, é uma questão factual. Há falta e a falta realmente é fora. Relembrar que as infrações são todas punidas no início do seu contacto, com exceção do agarrar. Quando o jogador é agarrado fora, entra agarrado, entra área e cai, aí sim, é no final, é a única exceção. Aqui não houve nenhum agarrão, o que houve foi um braço esquerdo a fazer falta e depois uma carga claramente nas costas do Galeno. A infração é clara, é óbvia, foi fora da área, por isso livre direto. Por que é que é bem o cartão vermelho? Porque é uma clara oportunidade de gol. Quatro fatores: o jogador ir na direção da baliza adversária, distância curta, nenhum jogador para intervir e a bola, ao contrário do que já vi refletido nas redes sociais, não é a bola controlada. Bola controlada ou clara probabilidade e possibilidade de controlar a bola. O jogador tem a bola na sua frente, tem todas as possibilidades de controlar aquela bola e por isso os quatro fatores estão lá. E relembro que só os vermelhos passam para amarelo nas claras oportunidades de gols, como em situações de pênalti e na tentativa de jogar. Decisão final, livre direto, porque a infração existiu e fora da área, cartão vermelho, porque é uma situação clara com os quatro fatores de anular uma clara oportunidade de gol. Por isso, decisão correta.
É um jogo com muitos cartões e depois desta expulsão começa a roda de amarelos. Minuto 37, cartão amarelo para João Mário.
Agarra o Pote, o Pedro Gonçalves, um chamado complemento antidesportivo, objetivo de destruir a jogada, cartão amarelo bem mostrado.
Minuto 39, amarelo para Gyokeres.
Sim, não há conduta violenta, não há agressão do Gyokeres em relação ao Zé Pedro. Há o Zé Pedro nas costas do Gyokeres, o Gyokeres percebe e faz aquilo que é a chamada negligência. Abre o braço para trás para marcar a sua posição, acabando por acertar o cotovelo no rosto do Zé Pedro. Não é agressão, não é conduta violenta, é apenas negligência, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato. Cartão amarelo bem mostrado.
Passamos para a segunda parte e também com o cartão amarelo. Ao minuto 66 para Alan Varela.
Sobre o Pedro Gonçalves, falta tática, impede a saída em contra-ataque do jogador do Sporting, cartão amarelo bem mostrado.
Continuamos a falar de cartões e continuamos a falar de incidências. Ao minuto 78, amarelo para Bragança.
Sim, protestos. Foi um caso que vocês até me colocaram no direto. Eu pensei que houve uma falta, mas depois fui rever o lance, não houve falta e mais à frente é que percebi. Quem está no estádio viu aquilo que a gente não conseguiu ver. Na transmissão foi por protestos e aí o árbitro mostrou o cartão amarelo.
Ao minuto 81, pedia segundo amarelo para Alan Varela.
Sim, no direto fiquei com a ideia que podia ter sido mostrado o segundo cartão amarelo, depois fui rever sobretudo com a plana aberta para perceber. A falta é absolutamente normal, é um toque no pé com a bola a ir na direção da linha lateral, é uma falta imprudente apenas, por imprudência não há cartão amarelo e por isso não havia motivo para segundo cartão amarelo neste caso.
E ao minuto 89, há aqui um lance de possível pênalti?
Sim, e é pênalti. Por acaso é um caso curioso, ter passado tão despercebido em relação ao jogo, em relação até muitos dos comentários que estamos vendo. É o pontapé livre batido pelo Wendel à entrada da área. Conforme ataca a equipe do Futebol Clube do Porto, corredor direito, a barreira do Sporting está na área e o Huma abre claramente o braço direito, embora dobrado, mas abre o cotovelo na direção, intercepta e até desvia a bola. A bola depois é defendida pelo guarda-redes. Este é um lance claramente de VAR e para mim, sem qualquer dúvida, o pontapé de pênalti fica para assinalar a favor do Futebol Clube do Porto.
Aos 90+1, há um cartão amarelo para Zé Pedro.
Também uma obstrução sobre o Gyokeres, à semelhança do que aconteceu no outro lance destes, a travar a saída em contra-ataque e por isso a falta tática, cartão amarelo bem mostrado.
Aos 96, já no prolongamento, temos uma grande penalidade sobre Evanilson.
Muito clara, muito óbvia, saída em falso de Diogo Pinto, com o braço direito todo esticado, acaba por acertar no ombro, acaba com o corpo por derrubar Evanilson, portanto, chamada entrada fora de tempo. Como para ele era na tentativa de jogar a bola, apenas pênalti, sem qualquer tipo de cartão, porque este é um lance decisivo do jogo, juntamente com o cartão vermelho, porque este é o gol que dá a vitória, dizer que é muito claro e óbvio, e o árbitro acertou e o VAR limitou-se a confirmar.
Saem muitos cartões e sai um para Sérgio Conceição, 97, um cartão vermelho para o treinador do Futebol Clube do Porto.
Sim. Normalmente é difícil comentarmos os lances de banca, a não ser que tenhamos imagens boas. O Sérgio Conceição disse, no flash interview, ou pelo menos nas entrevistas que deu, que terá sido expulso, segundo a informação que deram, por ter saído da zona técnica. Não sei se foi por isso, se foi por palavras, só vendo o relatório. Vamos apenas constatar o fato, até porque é a 25ª expulsão do Sérgio Conceição na sua carreira e todas em Portugal.
Minuto 103, cartão amarelo para Evanilson.
Ponteapeou a bola para fora da zona após ser assinalado um livre a favor do Sporting. Nem foi por protesto, foi mais até para tirar a bola dali, para perder algum tempo, até porque a seguir dá-se a substituição. Comportamento desportivo penalizado com cartão amarelo.
Vamos então para o minuto 106, para mais um cartão amarelo e agora para Umann.
Ele faz falta sobre o Wendel. Não tenho a certeza se o árbitro, porque a imagem não é contínua, depois não há repetições, não sei se é pela falta em si, se é sobretudo pelos protestos, porque testou muito o Umann. Portanto, talvez tenha sido pelos protestos. Se foi pelos protestos, foi bem mostrado.
Ao minuto 108 é Paulinho, do Sporting, que recebe amarelo.
Protestos. O Paulinho, que era uma falta anterior, o árbitro a assinalar uma falta que foi cometida por jogador do Sporting e por isso acaba por, de forma muito veemente, fazer protestos com gestos e obviamente por palavras, cartão amarelo.
Aos 110 é cartão amarelo para Otávio.
Protestos também e, portanto, cartão amarelo também dentro da mesma linha. Vou dar sempre como boas estas decisões, porque não estou lá para ouvir, para ver. Às vezes vemos um gesto mais evidente e aí podemos reafirmar. Portanto, cartão amarelo por protesto.
Ao minuto 111, pedem os jogadores do Sporting grande penalidade, mão de Otávio na grande área defensiva. O que dizer deste lance?
Não há pênalti. É o típico lance em que há um cruzamento, Otávio salta contra o jogador do Porto para tentar cabecear e ao falhar aquilo que seria a interceção e o cabeceamento, a bola, de forma contínua, acaba por ir ao braço esquerdo do Otávio. O braço ao longo do corpo, não faz um gesto deliberado para tentar interceptar a bola, não ganha qualquer tipo de volumetria. O braço está em posição absolutamente normal para aquilo que era o cabeceamento. A bola acaba por ir ao seu braço, e não o contrário. E por isso este é o lance típico, sobretudo quando há uma tentativa de cabecear ou de chegar à bola, e quando muitas vezes falhas, e se tens o braço em posição normal, se não ganhas volumetria e a bola é que vai bater no braço, é um lance bem decidido, na minha opinião, sem motivo para pontapé de pênalti.
Aos 115, volta-se a pedir pênalti sobre Diomande.
Sim, mas não há. O Diomande, neste caso, está em ação ofensiva, é com o Grujić. O Diomande estica, o Grujić dá um primeiro toque na bola e tem a bola à sua frente. O Diomande estica a sua pé direito completamente e tira a bola ao Grujić. E é o Diomande que ao esticar-se todo, fica à frente, cruzando-se à frente e por baixo praticamente do Grujić. O Grujić tem dois pontos de contacto, a mão esquerda ali ao nível das costas, sem qualquer intensidade nem consequência, e sobretudo ao nível de pé direito ficou com a ideia que poderia ter ponteapeado o Diomande ou poderia ter rasteirado ou até mesmo pisado. Nada disso acontece. É o Diomande que se coloca por baixo ao tirar a bola, o contacto ligeiro que houve não é suficiente para qualquer tipo de infração e no meu ponto de vista, mais uma boa decisão.
Um jogo com muitas incidências, com muitos cartões, com arbitragem de Fábio Veríssimo. O que dizer da nota?
Olha, é um jogo que tem dois momentos-chave, porque é o momento da expulsão, acho que estaremos todos de acordo, que é um momento-chave para o jogo e a expulsão é correta, do Sanjust, já expliquei. É o segundo momento-chave, que é o pontapé de pênalti cometido pelo guarda-redes do Sporting, porque esse é o gol que depois dá a vitória ao Futebol Clube do Porto, também assertivo. E portanto, estes dois momentos, sendo certos, com a ajuda do VAR no primeiro, tudo ok. Relativamente ao pênalti que fica por assinalar a favor do Futebol Clube do Porto, aquela mão do Umann, fiquei um bocadinho apreensivo na medida em que não vejo porque é que o VAR não consegue intervir num lance que com a repetição, e ainda por cima é uma repetição que é dada na transmissão por trás da baliza, é claro e óbvio, e isto acaba por penalizar, embora não tenha impacto no jogo, porque no fundo, se o Porto perdesse, talvez houvesse mais barulho em torno disso. Depois, há lances bem analisados, os pênaltis pedidos a favor do Sporting, para mim, são todos bem analisados, mas depois é aquela questão do Fábio Veríssimo, tem sempre uma grande dificuldade em relação ao jogo, é sempre muito contestado, há muitas situações de protesto e ele não tem a capacidade de ser proativo ao ponto de evitar esse tipo de situações e de gerir o jogo, os jogadores, no fundo, a aceitar as suas decisões. E por isso é sempre um bocadinho esta irregularidade que ele tem na maneira como fez a gestão do jogo. Agora, no essencial, os dois lances cruciais, eu acho que é aí que temos que bater, no bom sentido da palavra, sobre o ponto de vista da decisão, o pênalti que é assinalado e que dá a vitória do Porto, a expulsão do Sanjust, estes são dois lances importantes e bem decididos. Por isso, para mim, nota 5, que é positivo, mas é uma positiva baixa pela grande dificuldade que ele tem depois de fazer a gestão do jogo, sobretudo em relação com o jogo, os jogadores e na parte disciplinar.
Está feito este "Sem Falta".