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Bayern de Munique 3, Sporting 1. Equipa de arbitragem liderada por Nicholas Walsh, árbitro escocês de 35 anos. Vamos analisar o seu trabalho nesta partida que dá a derrota para o Sporting na Liga dos Campeões. Muito bem-vindo. Boa noite, Pedro Henriques.

Boa noite.

Pedro, vamos começar com o minuto cinco, há um gol anulado ao Bayern.

Sim, e foi anulado pelo árbitro assistente e depois confirmado pelo vídeo-árbitro. Já sabemos que a nível internacional apenas há linhas, portanto, azuis e vermelhas, e é a tecnologia mais avançada, até porque depois não dão centímetros, dão as linhas e dão os cortes verticais sobre os jogadores, que permite verificar qual é a parte do corpo que está mais à frente ou menos à frente. Isto, em termos visuais, é melhor e mais impactante do que estar a dar um centímetro ou dois, porque mesmo que as pessoas digam: "bem, mas era só o ombro, era só o joelho", o facto é que está adiantado. E quando é dois centímetros, ou três ou quatro, torna a coisa mais complicada em termos mentais. Além disso, sendo uma tecnologia já semiautomática, praticamente a intervenção humana é reduzida a quase zero. É quase tudo feito pelo computador, o que também retira algum erro em todo este processo. O fora de jogo existe. Quem marca o gol é o Karl, mas é na construção da jogada que o Gnabry está adiantado em relação ao penúltimo adversário, que neste caso, embora afastado dele, o penúltimo adversário era o Max Eraus. Relembrar que os braços não contam para a análise do fora de jogo, ou seja, são todas as partes do corpo, menos os braços. Isto por quê? Porque na imagem de corte pode suscitar dúvidas, porque há braços de ambos os jogadores que não estão a ser considerados para as linhas. O que conta, neste caso concreto, é o ombro do Gnabry que está adiantado em relação à última parte do Max Eraus. Os braços que estão para lá esticados não contam para a análise. Por isso, boa decisão, bem o assistente e depois o VAR confirmou.

Muito bem, avançamos para a segunda parte. Não há grandes registos nesta primeira parte, à exceção desse gol anulado ao Bayern. Ao minuto 50, muito fumo, muitas tochas, quase impediam a transmissão televisiva. Sofreu um pouco nesta altura.

Exato. Sim, só para dar exatamente essa referência, a talho foice, como se costuma dizer, para nós que estamos em casa e as câmaras como estão colocadas em planos mais elevados, embora haja algumas que depois possam estar mais ao nível do relvado, o fumo que estava ali tirava alguma visão ou visibilidade em relação ao jogo. Mas em relação àquilo que é a lei e o que conta é para os jogadores, é que de uma baliza tem que sempre ver-se a outra, nomeadamente quando temos situações de fumos provocados pelo nevoeiro, mas seja qual for o fumo. E obviamente que ao nível da relva, como o fumo estava suspenso, mas estava ligeiramente levantado em relação ao nível da relva, para os jogadores não havia qualquer grau de dificuldade, não só de ver os colegas, adversários, a bola e de uma baliza via-se a outra. Isto é para dizer que poderia estar a perturbar a transmissão, mas sob o ponto de vista do jogo e para os jogadores, não havia qualquer impedimento e daí o árbitro não ter suspendido o jogo temporariamente, como poderia ter acontecido, caso realmente o fumo estivesse a prejudicar.

O primeiro gol é do Sporting, é um autogolo do Kimich aos 54 minutos. Aqui nada a analisar, mas depois, ao minuto 65, chega então o primeiro gol do Bayern.

Sim, é para dizer o seguinte: o Gnabry aparece nas costas praticamente sozinho e faz o gol. A questão é que há dois jogadores, que é o Stanišić e o Kane, que estão em situação de bloqueio. Ora, os bloqueios, conforme o nome indica, não são permitidos. A chamada obstrução com contacto sobre os adversários não é permitida. A questão é que os jogadores do Sporting que estão a ser bloqueados também estão a agarrar os seus adversários. Ou seja, aqui a questão que se coloca é que para que eventualmente houvesse aqui uma atuação no sentido de anular e considerar se é falta atacante, era preciso que os jogadores que estivessem a fazer os bloqueios usando o corpo ou eventualmente até usando os braços e estivessem a fazê-los unicamente sobre os seus adversários e que não tivessem nenhuma resposta. A partir do momento em que, sobretudo para o vídeo-árbitro, há jogadores que, no fundo, o que o vídeo-árbitro vê é dois jogadores, uma parelha, a agarrarem-se mutuamente, o vídeo-árbitro deixa seguir. E foi isso que aconteceu, por isso é que não há falta atacante, porque até na descrição que a gente fez, não, há ali dois bloqueios. Se há bloqueios, são faltas, mas não é o caso, quer dizer, há bloqueio na prática e na realidade, mas os jogadores do Sporting também estão a agarrar os seus adversários e portanto, automaticamente, não há nenhuma infração, neste caso, em termos atacantes. Portanto, gol legal.

E ao minuto 69 chega o segundo do Bayern de Munique.

Sim, este é o tal que deu que falar e até o próprio Rui Borges no Flash interview, penso que foi no Flash que eu ouvi, falou sobre isso, porque realmente há falta. Eu posso até entender que para o árbitro, no movimento normal do jogo, possa ter entendido ali uma certa teatralização do jogador do Sporting, o Luis Suárez. Enfim, mas a prática e a realidade mostram-nos depois na repetição, o Jonathan Tah está com os braços a envolver o Luis Suárez e depois com ambas as mãos agarra e puxa claramente o avançado colombiano e manda-o ao chão. E é isso que o retira da jogada. Ad continente, três toques e a bola entra na baliza. Na mesma fase, é assim que eles recuperam a bola, e na mesma fase de ataque, isso é importante, a bola nunca voltou para trás, nem foi interceptada pelos jogadores do Sporting, na mesma fase de ataque, em praticamente três toques, a bola chega à baliza e é gol. O VAR tinha claramente que intervir, porque é daquelas situações que não se trata de uma carga, de um contacto, que pode haver aqui uma interpretação, se é suficiente. Não, aqui é mãos, primeiro com os dois braços envolve o jogador do Sporting, depois agarra e puxa claramente o jogador do Sporting, o Luis Suárez, para o chão. Para mim, claramente este gol devia ter sido anulado porque nasce de uma jogada irregular.

Vamos para o minuto 71, saem amarelos para Kimmich e Ülman. Foi no reinício desse gol, no reinício da partida.

Exatamente. Está aqui o gol, depois a bola vai ao centro, depois os jogadores do Sporting não começaram logo a mandar a bola para frente, provavelmente para tentar demonstrar que há aqui qualquer coisa que tem que ser analisada. Depois vai lá um jogador do Bayern e coloca a bola no marco do centro. E é aqui que depois nasce o conflito. E de todos os que estiveram envolvidos, e foram vários, há dois jogadores para o árbitro, que é o Kimmich, do Bayern, e o Ülman, do Sporting, que acabam por se evidenciar um bocadinho neste conflito. E daí o árbitro mostrar o cartão amarelo para os dois, porque há uma indicação que é dada pela FIFA neste sentido, que é: quando muitas vezes um determinado conflito gera aglomerado de jogadores de ambas equipes, pelo menos ou dois jogadores que dão origem a esse conflito, ou os dois jogadores que mais se evidenciam nesse conflito, devem ser penalizados. E foi essa a lógica que o árbitro considerou, porque não pode passar só com a parte verbal para acalmar. Se fossem só dois jogadores, um com o outro, é uma coisa, e dá essa liberdade ao árbitro, de alguma maneira, poder resolver sem cartões. A partir do momento que há esse envolvimento e esse envolvimento acaba por estender a outros jogadores de ambas equipes, tem que sair sempre um cartão amarelo, pelo menos um para cada equipe, exatamente para mostrar que este tipo de aglomerados não podem acontecer e que alguém há de ser sempre penalizado por isso. Por isso aqui dou como boa decisão.

Seguimos então para o minuto 82. Vajánides faz penalti?

Faz. Eu na altura disse aquilo que era óbvio, que era perante aquele contato, eu não tinha visto nenhuma repetição ainda, perante o contato, se ele não marcou falta clara do agarrão sobre o Suárez, eu até tinha referido o árbitro e toda a equipe de arbitragem é de País de Gales e portanto era difícil, por causa dessa cultura que eles têm desportiva, muitas vezes vão muito para além daquilo que são contatos aceitáveis e deixar jogar e privilegiar o contato físico. E foi o caso. E neste caso aqui o que acontece é muito simples. O Vajánides está por trás do Stanísic, que vai receber um cruzamento, e o Vajánides não tem qualquer interesse nem intenção de jogar a bola e vai com o corpo carregar lateralmente, com a sua parte direita, carrega lateralmente o corpo do lado esquerdo do Stanísic. E dir-me-ão: "Mas as cargas são corretas, isso é contato". Não. A única forma que tu tens de fazer uma carga para ser correta, tem que ser com o ombro contra igual região do corpo, isto é, o meu ombro contra o ombro ou omoplata, que é isso é que é considerado a mesma região do corpo, e tem que ser na disputa de bola, isto é, com a bola à distância jogável. A bola à distância jogável vinha no ar, é discutível. Agora, a carga é claramente para ir contra o adversário e não é com o ombro, é usando todo o lado direito do Vajánides para carregar e derrubar o seu adversário. Portanto, é um lance difícil de análise em primeira instância, mas no meu ponto de vista é um lance de penalti de vídeo-árbitro. E ficou, para mim, um penalti por assinalar sobre o Stanísic, neste caso por parte do Vajánides, a favor do Bayern.

Fechamos a análise desta partida ao minuto 93, quando sai um amarelo para Laimer.

Sim, é aquela falta que ele vem por trás e carrega o jogador do Sporting. Por acaso com isto agora não tirei o nome do jogador do Sporting que foi carregado, mas não importa. Carregou o jogador do Sporting quando ele vai pelo corredor esquerdo, já próximo da área, corta um ataque promissor. E é esse corte de ataque promissor que o árbitro acaba por penalizar. Só de referir que tanto o jogador do Bayern, que leva aqui o cartão amarelo, quer depois o Ülman, ambos, por causa do acumulado de cartões amarelos, ficam de fora da próxima jornada da Liga dos Campeões.

Não antevejo aí uma nota muito alta para Nikolaus Walz, principalmente por esse lance com o Luís Suárez, que acaba por dar o segundo gol para o Bayern.

Eu vou dar nota quatro, nota negativa. Em termos globais, temos aqui dois erros, que é o segundo gol do Bayern, que é por causa de falta, e depois o penalti sobre o Stanísic. São dois erros, obviamente. Vão dizer: "Ia dar a mesma coisa, que não leva o 2 x 1, mas depois era um penalti, fazia também o gol". A questão aqui é a questão cronológica. São duas coisas completamente distintas. O penalti acontece quando já está 3 x1 e, portanto, o impacto é muito menor. Se calhar, nem sei se haveria penalti ou não. A questão do 2 x 1 é que desbloqueia o jogo. Podia até depois o Bayern marcar mais gols a seguir, mas aquele gol não podia ter acontecido. Isto é, acontecendo de forma irregular, tinha que ser anulado. Eu acho que esse ainda tem mais impacto, sobretudo porque desbloqueia o jogo, faz o 2 x 1 e penaliza a equipe, que no fundo acaba por perder. Tem mais impacto até do que o penalti, quando o jogo já está 3 x 1 e é a favor, neste caso, da equipe que já está a ganhar 3 x 1. No caso são dois erros importantes. Eu aqui divido a responsabilidade entre o árbitro, mas também entre a vídeo-arbitragem. E é por isso que eu muitas vezes defendo, e termino com isto, digo muitas vezes isto, que embora compreenda que muitas vezes o vídeo-árbitro, se for da confiança do árbitro, é importante, no sentido vem do mesmo país, fala a língua, etc. Isso pode ser relevante e importante, está habituado a trabalhar, mas eu acho que neste plano internacional de Champions League, como eles todos estão pela mesma bitola, eu acho que cruzar árbitros e vídeo-árbitros de países diferentes é mais relevante. Para não haver aquela questão da hierarquia, que é eu sou vídeo-árbitro de um árbitro do mesmo país, conhecemos muito bem, e se um é vídeo-árbitro do teu árbitro, é porque o árbitro está num patamar sempre acima do vídeo-árbitro, em termos de carreira, em termos daquilo que é a própria hierarquia. E às vezes é mais difícil um vídeo-árbitro poder intervir, porque depois fica sempre aquela ideia de se vou intervir, vou contrariar uma decisão, mesmo que seja a decisão correta, ou ele, o árbitro, vai ser penalizado na nota, e isso é mais complicado. Se for um vídeo-árbitro de outro país, está muito mais à vontade para entrar neste tipo de intervenções sem qualquer problema, até porque não viajam juntos, não estão no mesmo país, e é mais fácil fazer a intervenção. Nota negativa, nota 4, porque acho que neste jogo, sobretudo a questão do gol irregular do Bayern, o 2 x 1, acho que acaba por desbloquear o jogo e ter relevância, importância e impacto no jogo.

Muito bem, está feito sem falta com a análise do Pedro Henriques. Pedro, um abraço. Até à próxima.

Até amanhã.