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E para fechar esta 21ª jornada do campeonato, não podemos deixar de passar pelo Pedro Henriques. Mais uma edição do Sem Falta, desta feita para analisar o trabalho de Luís Godinho no clássico dos clássicos deste campeonato. Poderia ter terminado uma vantagem superior para o bloco do Porto. A verdade é que com o empate se mantém estes quatro pontos de distância, mas isto são contas de outro rosário. Vamos saber se houve ou não boa arbitragem hoje. Pedro Henriques, vamos analisar os lances deste clássico.
Vamos lá.
Em corrida, mais uma vez.
Exatamente. Vamos em corrida para não estarmos a perder tempo e sermos mais objetivos. Minuto 17, sem pênalti. Neste caso, sem pênalti no sentido de que poderia ter havido uma falta de Máxero Hugo sobre PP, mas o PP quando faz a inversão do seu movimento e quando roda, já estava com os apoios, os pés fora do relvado e em salto a escorregar. O Máxero Hugo tem um toque ligeiro com o braço no peito do seu adversário, mais concretamente com a mão direita no peito do PP, mas é o chamado toque ligeiro, inconsequente e sem motivo para pontapé de pênalti, por isso boa decisão da equipa de arbitragem. Ao minuto 32, dizer que o jogo esteve parado quatro minutos em função do fumo excessivo que se fez sentir por causa das tochas que foram deflagradas e que depois o árbitro viria a descontar também no período de descontos. Ao minuto 40, o Samu fica a cachaçar-se do joelho, percebe-se que ele está a ser marcado na área pelo Máxero Hugo, uma bola que está a ser jogada fora daquele local, e naquelas marcações, quando o Samu tenta de alguma maneira se escapar ou fugir à marcação, faz um movimento para frente e para trás, é nessa rotação que ele se lesiona. Não obstante haver ali o contacto, que é normal, sempre de mãos entre os jogadores, não houve ali um agarrar, um puxar ou um rasteirar, o que quer que seja. O Samu realmente lesionou-se, o Máxero Hugo não faz qualquer infração e por isso, neste caso, se houvesse infração, seria motivo para pontapé de pênalti, e não foi. Mais uma boa decisão. Dizer que ao minuto 45 foram dados sete minutos de tempo extra, a chamada recuperação de tempo perdido, por causa dos dois cartões amarelos, pelas assistências médicas no terreno de jogo ao Diogo Costa e ao Samu, e pelos tais quatro minutos de jogo interrompido por causa da tal questão dos fundos e das tochas. Minuto 45 mais um, o Froio abre a mão esquerda, acerta em cheio na cara do Pedro Gonçalves, uma chamada falta enquadrada na negligência. Já sabemos que a cabeça, a cara e o rosto é tudo protegido, é uma zona de proteção, tudo o que é mãos, braços e cotovelos ao nível da cara, para além do livre direto, normalmente ou amarelo ou vermelho, conforme a gravidade. Neste caso, cartão amarelo bem mostrado, porque realmente é chamada falta negligente. Ao minuto 45 mais dois, estamos ainda antes de terminar a primeira parte, a bola é cruzada do lado esquerdo, conforme atacava a equipa leonina, o Luís Soares fecha a bola para cabecear o esférico e ainda cabeceia, e tem do seu lado direito o Quiora a marcá-lo. Há um contacto normal, o Quiora encosta o corpo, mas não o empurra, não faz qualquer carga ilegal e não há pênalti sobre o Luís Soares nesse movimento. E finalmente, último lance da primeira parte, 45 mais três, o Diomande vê cartão amarelo, agarra o Samu com ambas as mãos. É chamada falta tática, porque aquele objetivo foi destruir aquela jogada, que o Samu fazia uma rotação e podia sair com algum perigo em contra-ataque, e o objetivo foi porque o Sporting estava desposicionado parar a jogada para que o Sporting se pudesse recompor. E assim terminávamos a primeira parte. Posso avançar para a segunda?
Podes avançar. Podes e deves, Pedro Henriques. Não nos esqueçamos que também no final vamos ter nota para Luís Godinho, mas para já os lances da segunda parte.
Sim, minuto 50. Começamos com o minuto 50, no interior da área do Sporting, o Morten Hjulmand com o pé direito tira a bola ao PP e o PP, que já tinha o pé armado, é que remata o pé direito do dinamarquês do Sporting. Aquilo que parecia eventualmente um possível pênalti do Hjulmand sobre o PP, o árbitro deu falta atacante e tinha toda a razão, porque o Hjulmand só tocou na bola, o PP acabou, sem querer, obviamente, de forma imprudente, e portanto, sem motivo para cartão amarelo, acabou por pontapear o seu adversário. Vamos avançar do minuto 50, passamos para o minuto 75, cartão amarelo bem apostado ao Morita, entra fora de tempo, picou a bola do pé direito, pisa o tornozelo direito do Fofana, uma entrada negligente, bem sancionada também disciplinarmente. Minuto 77 é o gol do Porto, o gol que tem dois momentos de análise, o mais importante, porque o Hjulmand ficou e o Sporting ficou a se queixar de uma falta do Gund sobre o Hjulmand, mas percebe-se que o Dennis Gund com o pé direito remata no ar, não acerta na perna esquerda do Morten Hjulmand, que acaba por cair sem que tenha sofrido qualquer pontapé e qualquer infração. Não há falta do Gund sobre o Hjulmand naquilo que no fundo era a construção da jogada de ataque e depois quando o Fofana remata para gol, o Alberto Costa está em fora de jogo posicional, mas completamente afastado e longe da jogada, e portanto sem qualquer impacto naquilo que seria a possível defesa do Rui Silva, portanto na ação do Rui Silva. Gol legal do Porto, não há falta do Gund sobre o Hjulmand, o fora de jogo posicional não tem impacto e não é de marcar. E por isso mais uma boa decisão da equipa de arbitragem. Minuto 69, cartão amarelo para o Hjulmand, em função do protesto, ou seja, isto foi ao minuto 67 o gol, e dois minutos depois o Hjulmand vê o cartão amarelo, porque protesta a decisão, porque o árbitro teve a espera que o VAR validasse também a decisão, e quando o VAR valida, o Hjulmand acaba por ver o cartão amarelo em consequência desse protesto. Minuto 86, o Luís Soares viu o cartão amarelo porque com o jogo interrompido, pontapeou a bola e isto insere-se naquilo que é o comportamento antidesportivo. E no minuto 90, em simultâneo com os minutos de descontos, e posso começar por aí, porque o lance ocorre praticamente ao mesmo tempo. Os oito minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido Bem, em função de várias incidências. Amostrajas de três cartões amarelos, quatro paragens para substituições onde entraram sete jogadores, o gol dos dragões, minuto 67, que necessitou de confirmação, foram cerca de três minutos, dois minutos e qualquer coisa, e também a assistência ao guarda-redes do Sporting, o Rui Silva, que esteve 2 minutos e 50 segundos no chão. Portanto, só os 2 minutos e 50 segundos, quase três minutos, do guardião, mais os dois e também quase 50 segundos do gol do Futebol do Porto, em que o VAR teve a analisar, aí esgotou-se cinco minutos, o resto foi para as respectivas substituições. Quando a placa está a ser levantada, há lance na área do Futebol Clube do Porto, Diomande cabeceia, a bola vai ao braço esquerdo do Bednarek, que tem o braço dobrado junto ao corpo, sem volumetria. Se a bola não batesse no braço, imaginemos que não estava lá o braço, batia no corpo, ou seja, o braço não está fora do plano do corpo. E isso é aquilo que vai fazer diferença para o momento decisivo, que é mesmo a acabar o jogo. Neste caso concreto, não obstante o Sporting ter pedido pontapé de penalti, sim, a bola bateu no braço esquerdo, mas encostado e junto ao corpo, sem volumetria, portanto, sem penalti. Boa decisão por parte da equipa de arbitragem. E depois, ao minuto 94, cartões amarelos mostrados ao Maxi Araújo, que carrega o Pepê nas costas e depois envolve-se com o banco do suplente do Futebol do Porto, e o Dennis Gud, que também vai de alguma maneira responder ao Maxi Araújo. Estes comportamentos antidesportivos de ambos os jogadores foram sancionados com cartão amarelo. Finalmente, o último lance, que acaba por ser importante e decisivo para o jogo, que é o pontapé de penalti, que foi claro e óbvio e assinalado pelo árbitro. Nós, na altura, nem tínhamos apercebido bem que ele tinha apitado para o penalti, porque os jogadores do Porto foram ter com ele e ele estava a explicar.
Pensávamos todos que era pontapé de baliza.
Exatamente.
Até falámos de como é possível não ser canto, tendo em conta que tinha batido.
Exatamente, porque não fazia sentido. Tinha sido muito óbvio que depois do Freire Neto ter cruzado a bola, que a bola tinha tocado no Francisco Moura. De qualquer maneira, há penalti e o penalti é muito simples. O Freire Neto cruza a bola e o Francisco Moura tem a parte do braço encostada ao corpo, mas tem o antebraço perpendicular ao corpo, completamente afastado, e faz aquele movimento, que até é um movimento deliberado, mas tem o braço um pouco fora do plano do corpo e com volumetria, intercepta a trajetória da bola. E não é uma posição normal nem natural, porque se percebe que ele foi à procura daquele pedaço de braço que está de fora para interceptar a bola, e o antebraço faz exatamente um movimento deliberado. Portanto, pontapé de penalti bem assinalado, no momento crucial. O árbitro deu oito minutos e isto foi antes do minuto 98, depois a execução é que foi para lá disso. Mas também relembro que quando o árbitro assinala um pontapé de penalti e se olhar para o relógio e vir, que não era o caso, que o tempo está esgotado, é o único lance do jogo que o árbitro tem. Passe um minuto, dois ou três, é obrigado a deixar executar. Enquanto em todas as outras situações, se o árbitro entender que o jogo já terminou, não é obrigado a deixar executar um determinado recomeço. Isso caso já tivesse esgotado. Mas como o árbitro deu oito minutos, e isto foi ainda antes do minuto 98, foi 97 e uns pauzinhos, portanto, pontapé de penalti bem assinalado e este foi o lance decisivo, neste caso para o jogo, e que termina a análise dos casos do jogo.
E resta saber, para fecharmos este "Sem Falta", Pedro Henriques, em base de clássico.
Certo.
Que nota merece, Luís Godinho?
Vou só dizer uma coisa, o árbitro foi o melhor em campo. Um penalti no último minuto, bem assinalado, o gol dos dragões foi legal, na área tudo bem decidido, os assistentes estiveram em muito bom plano. E por isso vou dar uma nota 9, uma nota de excelência, porque é um clássico, não é um jogo normal, não é um jogo igual aos outros. Os árbitros, mesmo que todos apitem muito bem, quando chegam a este tipo de jogos, a experiência conta muito e a decisão que tu achas que tomas num jogo com menos impacto, depois tens mais dificuldade em tomar num jogo de altíssimo nível. Só quem passa por isso consegue compreender, mas acho que as pessoas conseguem compreender isto que eu estou a dizer. E o Luís Godinho acabou por ter uma prestação extremamente positiva num jogo que ficou um a um, que era um jogo que podia ser decisivo. Claro que agora vai haver outros contextos decisivos para o título. Sabemos se o Porto ganhasse, as contas seriam todas mais difíceis e mais favoráveis ao Futebol do Porto. Este empate, de alguma maneira, mantém o Porto à frente e confortável, mas ainda deixa tudo em aberto. E portanto, era muito importante que a arbitragem tivesse uma nota positiva no sentido de sair daqui sem que se dissesse Porto ou Sporting, que ou o título é ganho ou é perdido, ou o campeonato foi relançado, ou o que quer que seja, porque o árbitro falhou num determinado lance. Não foi o caso. Arbitragem completamente positiva. Nota 9 para o Luís Godinho, que teve uma prestação de excelência. Obviamente, quando digo Luís Godinho, toda a sua equipa e sem precisar do VAR para tomar decisões, isto é, o VAR limitou-se a confirmar todas as boas decisões que foram tomadas em campo.
Uma das notas mais altas dadas em sede "Sem Falta" pelo nosso Pedro Henriques. Nove para Luís Godinho neste clássico entre Futebol Clube do Porto e Sporting. Empate a uma bola na 21ª jornada do campeonato. Vamos estar de regresso já na próxima sexta-feira com o "Sem Falta", porque o Pedro Henriques anda por aí sempre no
Exato.
Ingá Pio. Um grande abraço, Pedro.
Um abraço, obrigado.