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Sem falta na Rádio Observador. 34ª jornada, a derradeira do nosso campeonato e no Porto jogou-se FC Porto contra Santa Clara no Estádio do Dragão, um jogo que teve a arbitragem do jovem árbitro João Gonçalves. Pedro Henriques, vamos começar pelo jogo do Porto. Sagrou-se campeão e o que é certo é que acredito que o jogo de hoje não tenha tido acrescidos problemas.
Exato. Foi um jogo fácil. Vamos lá, então. Temos aqui poucos lances para falar. Começamos exatamente pelo minuto 16, que é uma situação que nós dizemos de ressalto na área do Futebol Clube do Porto, em que ficou-se a pedir um penalti por mão de Dennis Gühl. E aqui a questão é que se pararmos uma imagem em que a bola está a bater na mão esquerda de Dennis Gühl, podemos ser sempre induzidos em erro. É por isso que eu vou insistindo com isso. Estas situações de mão, é preciso perceber. Parar a imagem, sim, pode ajudar a ver. É um pontapé de canto, a bola é cabeçada pelo Pedro Pacheco, que acaba por bater na zona do baixo-vento de Dennis Gühl e daí é que ressalta para a sua mão esquerda. Ora, é para relembrar que, embora já tenha havido erros no campeonato em relação a estes lances, a realidade diz-nos, e a lei, que sempre que a bola ressalta de uma parte do nosso próprio corpo ou às vezes até do corpo do adversário e que de perto vai, de forma inesperada, à nossa mão, e quando digo nossa, estamos a falar do mesmo jogador, isso é um atenuante para não ser assinalada infração. A não ser que o jogador, obviamente, ressalte no corpo e vá deliberadamente com a mão interceptar a bola. Não foi o caso. Ressalto de baixo-vento para a mão, o braço está em posição natural, a mão mais concretamente, e por isso tudo certo e sem motivo para penalti. Depois, dos poucos lances que há, também um lance talvez em que o Futebol Clube do Porto ficou a pedir um cartão amarelo. É uma situação em que o árbitro assinala livre direto, não mostra cartão amarelo. É uma entrada imprudente na tentativa de jogar a bola do Pedro Pacheco sobre o Rodrigo Mora. Na ocasião acaba por chocar e derrubar o jogador do Futebol Clube do Porto. É distante da área, descaído para a zona mais próxima da linha lateral e, portanto, a falta existiu. É aquela situação em que tenta chegar à bola, a bola já não está lá, o jogador já tinha dominado e tirado e depois acaba por derrubar o adversário. Portanto, livre direto bem, embora depois, na sequência, ou na consequência, aliás, o jogador do Porto tenha ficado ali queixoso e até recebeu assistência. Mas, de qualquer maneira, nada tem a ver com a entrada no sentido de ser para cartão amarelo. Depois ao minuto 43, é um remate também muito à queima do Rodrigo Mora, com a bola a ir bater no André. Fica a ideia, e vou dizer que fica a ideia porque temos péssimas repetições neste jogo, sob o ponto de vista de lance de área, nomeadamente em dois lances, e este é um deles, em que a bola vai bater entre a mão e a cara do André. Não há nenhuma repetição que mostre mais algo que pudesse ter acontecido e com esta única repetição e de longe, da câmera master, para mim não há motivo para pontapé de penalti, até porque lá está, bola rematada de muito perto e aparentemente o braço numa posição normal. Minuto 54, mais um lance na área, neste caso nem repetição televisiva houve e que merecia, naturalmente, uma melhor observação. Na ocasião é o Bednarek que cabeceia e uma vez mais a bola de muito perto e de forma inesperada vai ao braço do Sidnei Lima. Fico com a ideia que também, pela única imagem do direto, sem repetição, que o braço estando junto ao corpo não tem a tal volumetria e, portanto, para mim também sem penalti. Últimos dois lances, minuto 69, o gol do Porto, o autogol, mais concretamente, na construção da jogada no corredor direito do ataque e no momento do passe que é feito do Heleno Gomes para o Vítor França, ele está em posição legal, não está em fora de jogo, é o Paulo Vítor que o está a colocar em jogo e por isso mais uma decisão correta. Finalmente, o último lance, minuto 84, é um choque entre o Paulo Vítor e o Lima, Lima do Porto. O Paulo Vítor chega primeiro à bola, mas depois o Lima, quase imediatamente, à contínua tentativa de cabecear, não para o movimento e choca frontalmente. Relembrar o aspeto que o árbitro assinou a falta, e bem, porque realmente o jogador do Porto acaba por fazer falta porque chega depois e cabeceia o adversário, mas não há mais nada, nomeadamente em termos disciplinares, porque digamos que a fração de tempo de um em relação ao outro é quase inexistente, é meio segundo, se é que podemos dizer assim. E, portanto, há um choque inevitável, porque ambos tentam chegar à bola. O livre direto aceita-se bem, porque realmente o jogador do Santa Clara chegou primeiro e também se cumpriu o protocolo, porque assim que o árbitro percebeu que um dos jogadores, e neste caso o Paulo Vítor, ficou no chão, fez logo com que esse jogador tivesse sido assistido. E relembro, por acaso só tivemos isso na primeira jornada do campeonato e hoje foi a última, e foi no jogo entre o Estrela e o Amadora, que se porventura um jogador se lesionar na cabeça, a chamada concussão cerebral, que pode sempre fazer uma substituição extra, que nada tem a ver com as cinco substituições normais do jogo. Nesse caso, o delegado dessa equipa levanta um cartão roxo na mão, que é o quarto árbitro fornece, para dar a indicação que essa equipa está a fazer uma substituição, que pode ser para além das cinco que tem e que não conta por causa da concussão cerebral. Neste caso, se isso acontecer, a outra equipa ganha automaticamente também direito a mais uma substituição. Não foi o caso, não foi preciso, só foi na primeira jornada e por isso com isto terminamos aqui os lances.
E resta saber que nota merece João Gonçalves neste Porto 1, Santa Clara 0, jogo de fecho do campeonato.
Nota positiva, nota 7. O jogo foi muito fácil, mas foi bem arbitrado e num jogo cujo grau de dificuldade foi praticamente nulo, a equipa de arbitragem, no meu ponto de vista, decidiu sempre bem, quer no plano técnico, quer no plano disciplinar e sobretudo com esta nuance, que é apenas 20 faltas e a não mostrar nenhum cartão amarelo. E por isso a equipa cumpriu menos bem a questão do tempo útil, mas aqui a responsabilidade é um bocadinho também do contexto, do jogo de todos. Só para termos uma ideia, com os descontos foram jogados 99 minutos e desses 99 minutos jogaram-se 54. Portanto, abaixo de 54%, é muito pouco.
Nota 7 para João Gonçalves no Santa Clara 1, aliás, Futebol Clube do Porto 1, Santa Clara 0. Assim é que é.