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Sem falta de Pedro Henriques, fica também, como habitualmente, disponível através de podcast da Rádio Observador. Pedro, bem-vindo.
Boa noite, uma vez mais.
Muito boa noite. Começando logo com 10 minutos, há ou não pênalti de Gbene? Aquele corte à bola de Gyökeres. Acerto?
Sim, tudo legal. Havia aqui duas questões para analisar: se o Gyökeres estaria em fora de jogo no cruzamento. Não estava. E se depois o Gbene, de alguma maneira, tinha interceptado a bola com a mão ou com o braço. Não, a bola vai ali à zona do corpo e, portanto, a partir daí nem sequer há discussão. Lance legal e sem pênalti.
Minuto 28, amarelo para Santi Garcia. Bem dado?
Sim, é sobre o Hoolman, os tais pisões que muitas vezes andamos falando aqui. Chega tarde à bola, sola, pitons, caso de proceduras, tal questão da negligência, pé direito no pé direito e, portanto, bem mostrado este cartão amarelo.
Outra situação de área, minuto 44, há ou não pênalti sobre Mbeula?
É com o Debast. Há uma câmera que é uma câmera de tópico, que se vê bem os jogadores a correr lado a lado e, portanto, visto exatamente por trás, em que se percebe que é o próprio Mbeula que se inclina para a direita, porque o Debast ia passar pela direita, ou ia entrar, eventualmente, na disputa de bola pelo seu lado direito, e é o próprio jogador do Gil que se inclina para a direita e promove o contato com o Debast. E depois de analisar bem o lance, não há aquela questão que é uma tentação, normalmente, de quem está a defender, que é a utilização das mãos ou dos braços e depois colocando-os nas costas do adversário ou mesmo nos ombros, depois estamos a discutir as intensidades e se empurrou ou se não empurrou. Não foi o caso e, portanto, sendo o contato provocado pelo próprio Mbeula e ao mesmo tempo o contato sendo lateral e feito apenas com o corpo com o Debast, portanto, tudo legal, sem pênalti neste caso, que seria a favor do Gil.
Segunda parte. André Narciso, aqui uma situação de pênalti ou não sobre o Viktor Gyökeres. Minuto 55.
E este é um dos dois casos de jogo, na minha perspectiva, sendo que não é o mais midiático, curiosamente, aquilo que eu tenho visto já nas redes sociais, mas este para mim é um dos casos de jogo que provavelmente vai dividir opiniões relativamente ao ser ou não ser pênalti. É um lance típico que não é claro e óbvio, é um lance típico que se vai discutir aquilo que é a intensidade, vai-se discutir a consequência, se o Gyökeres, neste caso, cai com falta do Gbene ou não. Portanto, vai-se discutir exatamente essas questões todas. E vai caber aqui muitas opiniões, ou pelo menos a opinião de quem acha que é pênalti e que não é. Posto isto, eu vou começar já pela decisão. Eu considero que é pênalti. Repito, não sendo muito claro e óbvio, há três pontos de contato. Primeiro, o Gbene está sempre nas costas do Gyökeres. Portanto, o Gyökeres ganha-lhe a frente, quer quando corre na direção da linha de baliza, quer quando depois inverte para tentar, não sei se a rematar, se a cruzar a bola, o que quer que seja, quando ele depois que inverte e vai já na direção da baliza propriamente dita. E há três pontos de contato. Quem vem atrás, que é o Gbene, que é a mão direita, ligeiramente abaixo do ombro esquerdo, e sabe-se que mesmo não estando a agarrar ou puxar, é o suficiente para retardar alguém que vai a correr. Todos nós já corremos e sabemos que quando andamos a correr, se alguém nos colocar a mão ali no braço, já está a retardar aquilo que é a nossa movimentação, mas isso por si só não é suficiente. Há um contato ligeiro da coxa direita do Gbene ao nível da zona do glúteo, também do Gyökeres. Sabemos que estes contatos dados para quem vai a correr também podem provocar o seu desequilíbrio. E há, sobretudo, e é aqui que eu foco a infração, o pé direito por trás da zona do pé ou calcanhar, como queiram dizer, neste caso, esquerdo do Gyökeres, que é o pé que vai chutar, cruzar, o que quer que seja, com a bola e que faz com que o pé desse movimento para frente. Tudo isto, estes dois contatos de mão abaixo do ombro, da coxa, no glúteo e sobretudo o pé no pé, para mim, são suficientes para desequilibrar e para serem faltosos e para tirarem a possibilidade do Gyökeres dar outro seguimento àquela jogada. A questão aqui que se coloca, e que também muitas vezes é um ponto de análise, é a maneira como o Gyökeres cai. Quando nós analisamos a maneira como o Gyökeres cai, parece que não tem nada a ver com estas possíveis infrações, estes possíveis contatos. Mas nós também sabemos, por experiência, que os jogadores, mesmo quando sofrem falta, daquelas que são claras e evidentes, mesmo sem necessidade nenhuma, adornam sempre aquilo que é a sua queda. Não é até o caso do Gyökeres, que é um jogador que ainda na semana passada levou uma cotovelada na cabeça num lance de pontapé de canto, que era pênalti, e praticamente o homem não abanou. Portanto, não é propriamente um jogador que mais caia nas circunstâncias, mas para dizer que independentemente da queda, aparentemente não parecer ter nada a ver com estes contatos, eu considero, e estes três pontos de contatos que falei, sobretudo o pé por trás do pé do Gyökeres, é suficiente e tem consequência para a queda do jogador. Repito, não é um lance fácil, se calhar em jogo normal, decorrido, dificilmente um árbitro assinala um pênalti. O VAR, com tantas zonas cinzentas, não sendo um lance claro e óbvio, seguindo o protocolo, dificilmente iria intervir aqui. Como eu não estou abrido nenhum protocolo, e aqui a minha opinião é dizer se há ou não há, se há falta ou não há falta, por isso o programa se chama "Sem Falta", eu vou dar como uma decisão errada da equipe de arbitragem e vou dar como um lance pré-pênalti sobre o Gyökeres.
Minuto, então, 55, havia pênalti, primeiro erro mais visível do árbitro, logo a seguir, cartão amarelo, aqui bem dado ao Matheus Reis.
Sim, é o tal pisão, também pé direito no pé direito, chega tarde, negligente, com a sola, com os pitões, muito inserido no contexto daquele que há um bocado falámos do Santi Garcia, também sobre o Hoolman, muito parecido. E o árbitro aqui foi coerente.
Minuto já 63, amarelo também para N'Bala.
É situação de jogo parado, mandou uma bicarada na bola, descontente com a infração que o árbitro tinha assinalado contra ali entre o banco e o quarto árbitro e, portanto, este comportamento demasiado evidente, merece bem um cartão amarelo.
Minuto 77, caldeirada montada. O VAR reverte um pênalti, não é?
Pois, este é o caso que está a correr. E por que está a correr? Porque a bola acabou por entrar na baliza. As pessoas não estão centradas na questão do pênalti, porque com as repetições, e a repetição é muito óbvia, o Rúben Fernandes não toca, não rasteira, não pontapé ao Debast. Portanto, sob o ponto de vista daquilo que era a infração, que foi aquilo que o árbitro assinalou, não há pênalti. A câmara de trás da baliza percebe claramente o pé, tanto o direito como o esquerdo, a passarem à frente do pé do Debast. Mas eu vou mais longe e digo que o Debast simulou claramente a infração. Mais, o Debast também, quando tira a bola ao jogador 45, ao Mutombo, Mutombo também não fez infração. E portanto, Debast ganha a bola de forma correta e o Rúben Fernandes não faz pênalti e para mim até é uma simulação. O problema é que o árbitro apita. E quando apita, penso que é o Trincão que está com o pé armado para fazer o remate. A partir do momento que apita, interrompe o jogo e mata o jogo, no sentido que tudo que venha para frente não conta. E também é um facto, é só ver as imagens corridas, normais, que quando o árbitro apita, o guarda-redes, os jogadores do Gil Vicente, que podiam interferir no lance, no sentido de tentar parar aquele remate, desistem completamente. Aliás, tirando, penso que é o Trincão que remata, toda a gente desistiu, porque toda a gente parou, toda a gente ficou focada no pênalti, os jogadores do Sporting, porque queriam pênalti e achavam que era, e os jogadores do Gil Vicente, como é normal, não queriam pênalti. O que eu tenho a dizer em relação a isto? Até porque foi perguntado isto também durante o direto. Ao contrário do resto, em que o árbitro deve deixar seguir o lance até ao fim, nos pênaltis, isso não é para fazer. No pênalti, para já, nem sequer há uma questão que é a lei da vantagem no pênalti. Nem sequer é para seguir aquilo que o protocolo diz, por exemplo, em relação às fora de jogo. Aí sim, deixar esperar, deixar a bola entrar na baliza. Portanto, aqui o pênalti não se enquadra nessas circunstâncias. Mais, não há leis da vantagem no pontapé de pênalti. O árbitro assim que percebe que é um pênalti, apita, ponto final, parou e assinala o pênalti. A questão aqui que se coloca é que quando tens uma situação de pênalti, em que no ato contínuo, e estamos a falar de um, dois segundos, no máximo, percebes que pode haver a iminência de um gol, aquilo que é dito em todas e quaisquer circunstâncias, mesmo num pênalti claríssimo e evidente, é: como não podes usar a lei da vantagem, deves fazer o chamado compasso de espera. É mais ou menos uma paragem mental, tipo eu tenho o apito, eu vejo que há pênalti e eu tenho tempo para assinalar o pênalti. Tenho ali um segundo, dois segundos, que dá perfeitamente para puxar o apito e assinalar. E se eu percebo que pode haver um gol na sequência disso, o que eu devo fazer é um compasso de espera e se a bola entrar na baliza, excluo-se de apitar para pênalti e valido o gol. Se a bola não entrar na baliza, é o tempo em que eu estou a ver e a puxar o apito e assinalar o pênalti, porque tenho tempo de assinalar, porque não estou a dar a lei da vantagem. Portanto, não é uma situação de dar a lei da vantagem, depois volta atrás. Nada disso. É um compasso de espera mental, nem sequer há qualquer gesto, até porque fazer lei da vantagem, tens que esticar um braço e dizer simultaneamente: "Joga ou siga", que não é o caso. E portanto, faltou aqui este feeling ao árbitro, porque depois há aqui um aspecto que é interessante. Repara que o árbitro depois recomeça o jogo com o quê? Com bola ao solo.
Bola ao solo.
Quer dizer que ele entende que, de acordo com a lei, o pênalti não existiu e não há mais nada também, por isso vai começar com bola ao solo, porque interrompeu inadvertidamente. Porque se ele tem considerado que havia simulação por parte do Debast, ele recomeçava o jogo com o quê? Cartão amarelo ao Debast e livre indireto contra o Debast. E aqui as pessoas podiam dizer: "Ok, ele até se calhar não devia ter interrompido, mas não adiantava porque ele ia dar sempre a falta que existiu primeiro, que foi a simulação". Mas o árbitro não considerou simulação. E é por isso que há, de certa forma, aqui alguma polémica em torno disto, que era: "Ok, ele não deu pênalti porque realmente não existiu pênalti, mas se não existiu pênalti, fazia um compasso de espera e se calhar era gol do Sporting". E aí tínhamos o gol do Sporting. E é aqui que está esta polémica. Era importante desmontar esta circunstância em relação à lei da vantagem, que não existe, ponto número um. Não tem nada a ver com as situações de protocolo e de VAR das fora de jogo. Se é pênalti, apita e assinala-os, mas também dá essa indicação, porque os árbitros têm todo esse conhecimento. O feeling é este: se sentes que vai haver gol, compasso de espera e deixa ver se a bola entra na baliza. Se entra, validas o gol, se não entra, tens tempo de apitar. E foi isso que faltou aqui e daí esta circunstância toda, ainda por cima com a agravante do árbitro não ter considerado que houve uma simulação. Isso também anularia a situação do eventual gol. Enfim, como tu disseste, alguma caldeirada no meio disto tudo. Centrando no pênalti, que é talvez o mais relevante e importante aqui, é dizer que realmente não existiu pênalti, portanto o Rúben Fernandes não fez falta.
E finalmente, cartão amarelo para Rúben Fernandes, minuto 97.
É aquele lance que depois dá um livro bastante estranho, que o Sporting enfiou a bola por cima da baliza, mas é uma entrada ao Geni, em taicle, deslizante, com dureza, com negligência, livre direto e cartão amarelo bem mostrado.
Então, assim sendo, que nota para o árbitro André Narciso, o árbitro de Estugol?
Eu vou dar nota 4,0, porque ontem tivemos uma situação de um pênalti que não foi assinalado, mas o jogo ficou 3x0 e o pênalti era a favor, neste caso, do Porto, que podia fazer 4x0 ou não, se marcasse. E portanto, não teve impacto, entre aspas, naquilo que são os pontos do jogo. Este, não sabemos se o pênalti é gol, mas quando tens 0x0 e ele conserta um pênalti, eu automaticamente, por uma coerência, nunca dou nota positiva, porque deduzo ou parto do princípio que isso tem impacto naquilo que ia ser o resultado final. Porque para mim há pênalti ao minuto 55 e sobretudo por isso, o minuto 77, embora seja algo que já dá polémica, na prática e na realidade, o Rúben Fernandes não fez falta para pênalti, portanto não há pênalti. E nesse aspecto, o VAR fez uma intervenção correta. A questão está naquilo que dissemos de ter apitado a não ter apitado. Mas porque para mim há realmente esse lance de pênalti sobre o Gyökeres, do que o Rúben, eu vou dar nota negativa, nota 4,0.
Nota 4,0 fica dada então pelo Pedro Henriques para o árbitro André Narciso, o árbitro que apitou o empate de 0x0 em Barcelos entre Gil Vicente e também o Sporting. Amanhã, Pedro, há mais.
Certo, temos o Benfica amanhã à noite.
Sem falta, disponível também através de podcast, como habitualmente, da Rádio Observador.