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Seja bem-vindo a mais uma edição do programa "Sem Falta", especial Mundial 2026, com o áudio-árbitro da Rádio Observador, Pedro Henriques. Muito boa tarde, Pedro.
Boa tarde.
Vamos aos destaques desta semana de competições, já com menos jogos, já com a final definida para o próximo domingo. Amanhã, sábado, teremos também esse jogo de atribuição do terceiro lugar. Que análise fazes aos principais casos nestes últimos jogos do Mundial?
Olha, eu vou destacar dois casos, porque vão entroncar uma vez mais nas alterações que houve, e foram várias, e nós temos vindo aqui neste programa especial a dar destaque a isso mesmo. Uma tem a ver com o jogo entre a Noruega e Inglaterra. Os noruegueses queixam-se que esse gol anulado à Noruega podia ter ditado outra sorte nesse jogo, e os ingleses acabam por passar. E o protocolo VAR naquilo que é o alargamento e a alteração que teve, diz que se houver uma infração antes de uma bola parada, como é um caso de um pontapé livre, e neste caso, foi um pontapé de canto, era um canto a favor dos noruegueses. O Haaland, vocês se recordam, empurra claramente o seu adversário, mandando-o ao chão, mas ainda o canto não tinha sido executado e, portanto, antigamente, o VAR nunca podia intervir numa situação destas. E o que é que acontece? O Haaland empurra o seu adversário, manda ao chão e com isto ganha a posição de ficar sozinho, sem ninguém a marcá-lo e corre à vontade. O canto é batido, já depois da infração cometida, e o Haaland vai disputar a bola com adversários. Por acaso, não é ele que toca na bola, mas isso pouco importa. O que interessa é que se houver uma falta, como foi o caso, que depois tenha impacto na jogada, de qual dessa jogada resulte, se for uma equipa que esteja a atacar um gol ou se for numa situação de alguém que esteja a defender, que cometa um pênalti, mesmo que a bola não esteja em jogo, como foi o caso, o VAR vê o lance, chama o árbitro ao monitor, mostra-lhe o lance. Se o árbitro concorda que há falta e o Haaland empurra claramente o adversário, o pontapé de canto, neste caso, é repetido e é anulado o gol. E, portanto, esta situação é porque muitas vezes o que acontecia é que os jogadores, com o jogo parado e como o VAR não podia intervir, faziam claramente faltas e depois ganhavam vantagem posicional para isso. E depois, a partir daí, às vezes surgia um gol ou até um pontapé de canto, e o VAR não podia intervir, quando, na realidade, tinha havido uma infração com o jogo parado. E, portanto, a partir deste protocolo novo, por assim dizer, isto é possível e repõe um bocadinho mais de verdade e justiça. Vamos lá ver. Esta é uma daquelas alterações que depende das federações ou, neste caso, das confederações. Vamos ver o que é que a UEFA diz, de querer ou não ir para frente. E o segundo caso, e último, é a questão do João Pinheiro, que tem um lance que já não era inédito neste mundial, mas que tornou outra vez impacte no jogo da Argentina com a Suíça. Se recordam, o Paredes vê um cartão amarelo por uma falta supostamente que comete sobre o Embolo. Isto entra naquilo que é o alargamento do conceito de troca de identidade. Na prática e na realidade, este cartão amarelo mostrado ao Paredes é incorreto. Quem devia ter visto o cartão amarelo era o Embolo por uma falta que ele comete, que é a simulação, neste caso é a simulação. E, portanto, nestes casos, o VAR aparece, chama o árbitro, o árbitro vê se concorda, reverte-se o cartão mal mostrado à equipa, neste caso, a Argentina ao Paredes, e mostra-se cartão amarelo a quem realmente cometeu a falta, que foi Embolo. O azar aqui, que já é a segunda vez que acontece.
É um segundo amarelo.
Exatamente. Se fosse só um cartão amarelo, ninguém dizia nada, mas como é o segundo, dita a expulsão. E, portanto, com isto e esta alteração do protocolo, que eu também acho, porque já se ouve falar que a UEFA, este também é um daqueles exemplos que a UEFA não é obrigada a seguir e a UEFA pronunciou-se no sentido de provavelmente não levar isto pra frente, mas de qualquer maneira, esta nova situação permite terminar exatamente com esta questão, que é os árbitros incorretamente estarem a andar a mostrar cartões amarelos, quando na prática e na realidade, esses cartões amarelos resultam de simulações que adversários fazem e que enganam os árbitros.
A ver vamos se isso avança para a UEFA e para os campeonatos nacionais, mas o João esteve bem, porque está bem em vigor neste mundial.
Exatamente. Aplicou o protocolo.
Vamos então à lei traduzida. O que é que destacas do que temos feito aqui neste "Sem Falta", sempre um olhar para uma regra, uma mudança que foi aplicada nesta competição.
Neste caso, é uma regra que não foi alterada, mas acontece poucas vezes esta circunstância. Aliás, acontece muitas vezes que é um jogador marcar um gol e ir comemorar com os adeptos. Só que desta vez, uma vez mais, é um lance que, na opinião de quem olha para este lance, acha que é cartão amarelo, neste caso, para os jogadores da Argentina, que acabou de marcar um gol, saltou as placas publicitárias e foi comemorar, neste caso, até com os seus adeptos. E a lei, há uns anos atrás, dizia que quem realmente saltasse trepassas vedações, que hoje em dia a maior parte dos campos não têm, saltasse os placares publicitários, era penalizado com cartão amarelo. Isso já não é verdade, já não é assim, só é verdade parcialmente. E é este parcialmente que eu quero explicar, que diz o seguinte, isto é a lei 12, Faltas e Infracções, é da página 116, diz que deixar o terreno para celebrar um gol já não é uma infração passível de advertência. Quando diz que já não é, é porque já foi, obviamente. No entanto, os jogadores devem regressar o mais rapidamente possível. Até aqui tudo bem. E depois diz que o jogador só leva cartão amarelo, eles dizem só deve ser advertido, se esse jogador, ao trepar as redes da vedação ou se aproximar dos espectadores, eles já nem colocam lá a questão dos placares publicitários para as pessoas verem como estão desatualizados e ainda falam em placares publicitários, já não existe. Mas repito, o jogador só leva amarelo se se aproximar desses espectadores ou se trepar redes de vedação, se daí resultar, oiçam bem, problemas de segurança. Isto é, foi comemorar com o público adversário, e depois lançaram-se cadeiras ou papéis, ou não sei o quê, foi comemorar com os próprios e daí a malta invadiu o campo, caíram todos uns em cima dos outros, houve acidentes. Ou seja, é preciso que essa ação resulte num problema para a segurança, e aí leva cartão amarelo, até para ser desassosiego para todos os outros. Não sendo, saltou o painel publicitário, que já nem sequer faz parte, porque todos os estádios têm. Foi comemorar com os seus adeptos, aproximou-se dos seus adeptos, está tudo certo, não há problemas de segurança, não houve tumultos, não houve situação, está tudo certo. E, portanto, mais uma daquelas mentiras, e quando eu digo mentiras, não estou a dizer que as pessoas estão a mentir de propósito, mas utilizam muito isso quando não estão a dizer realmente aquilo que está. Portanto, aconselho a ler a lei 12, página 116, 117, e sobretudo, eu sou muito crente nessas coisas, para as pessoas se atualizarem. Estou a dizer isto, porque o problema não é o público em geral achar isto, é comentadores, ex-árbitros, neste caso nem são portugueses, que vieram para as redes sociais e que fazem comentários, estarem a dizer aquilo que não está escrito na lei. E esta lei não é no Brasil, ou na Itália, ou em Portugal, é em todo o mundo
Muito bem, vamos à nota da semana. De facto, também já temos os árbitros definidos para esse jogo do terceiro lugar e para a final. Imaginei que fosse por aqui a tua nota deste "Sem Falta".
Sim, a minha nota vai para dois árbitros, por acaso não do terceiro e quarto lugar, que é mais honorífico, já não tem tanta relevância e importância, embora se o João Pinheiro tivesse a possibilidade de arbitrar este jogo era ótimo, mas quando dão a final a um europeu, ainda por cima entre uma seleção da Europa e uma seleção da América do Sul, obviamente que o terceiro e quarto lugar teria que ser arbitrado por árbitros fora do continente europeu. E vou dar 20, por diferentes motivos, para o João Pinheiro, porque todas as semanas andámos aqui a falar dele, porque entretanto quando nós fizemos o programa, ele tinha acabado de ser nomeado. Ele fez três jogos, chegou aos quartos de final, teve uma prestação boa nos três jogos, independentemente destes casos, até inclusivamente com a Suíça, ele esteve bem. E uma vez mais, não são as redes sociais que determinam a nota, são os observadores. Daí ele ter ficado naquele lote restrito de 13 e depois de 11 árbitros que ficaram até ao fim, praticamente. Só agora é que se soube quem vai apitar a final e daí agora os árbitros virem-se embora. E obviamente para o Slavko Vincic, o esloveno que está na final. Recordo que é um árbitro muito experiente. Em 21/22 apitou a final da Liga Europa, em 23/24 apitou a final da Liga dos Campeões, na altura o Real Madrid contra o Dortmund, venceu o Real Madrid, já esteve no outro mundial anterior 20/22. Quando eu digo árbitro, digo toda a equipa de arbitragem que esteja nomeada e que seja nomeada para uma final desta envergadura e deste peso, está de parabéns. Agora é esperar que corra tudo bem, porque todas estas arbitragens, todos os jogos praticamente, foram sem pau de críticas. Mas parabéns para João Pinheiro, para o Slavko Vincic, por razões diferentes, mas porque ambos estiveram no mundial, na competição mais alta e são árbitros de excelência e de classe. E agora esperemos que a final seja ganha sem estes tumultos, estas críticas que são fortes, que têm havido, sobretudo em relação às equipas de arbitragem.
Pedro, contamos contigo para essa emissão especial domingo, na final. Arranca às 19h esse Espanha-Argentina. Vamos contar também com o Pedro Henriques este "Sem Falta" especial Mundial 2026. Chega já de seguida às plataformas de podcast. Pedro, bom fim de semana.
Bom fim de semana. Obrigado.