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Pedro Henriques, mais uma vez muito boa noite. Vamos então analisar o trabalho deste Andris Treimanis da Letónia, 38 anos de idade. E a lista é grande e é muito variada. Seis minutos, VAR valida o gol do Benfica.
Sim, e neste caso, bem. O árbitro assistente anulou o gol ao João Mário, por fora de jogo do Tangsted no momento do passe do António Silva, mas depois percebemos que o Tangsted estava em jogo, quem o está a colocar é o Stefan de Vrij, que está a colocá-lo em jogo e, por isso, boa decisão depois de intervenção do VAR.
Próximo lance, aos 13, gol legal, sem falta, neste caso, é uma recuperação de bola, é o segundo gol do Benfica.
Exatamente. É mais um gol do João Mário. Aqui a questão não seria o gol do João Mário, mas se Rafa, e sobretudo Rafa, mas Rafa e Tangsted, que tentam tirar a bola e que tiram mesmo a bola ao jogador 21, ao Asllani, é o Rafa que estica a perna, tira claramente a bola, isto é, não faz falta, a bola depois sobra para o Tangsted e depois daí nasce o gol dois do Benfica e o gol dois de João Mário. Por isso, gol legal na recuperação de bola, Rafa não fez falta.
Segunda parte é mais complicada. O VAR valida um gol ao Inter ao minuto 52.
O VAR bem a reverter uma má decisão do árbitro assistente. Curiosamente, porque é na segunda parte, o mesmo árbitro assistente que tinha anulado o gol ao João Mário, que depois foi regularizado e valorizado, fez o mesmo aqui. Portanto, o árbitro assistente anulou o gol a Arnautović, mas no momento do passe do Bisseck percebemos que o Tangsted é que está a colocá-lo em jogo. E portanto, uma vez mais o VAR a recuperar bem e a reverter bem duas decisões erradas do mesmo árbitro assistente, primeiro, ao minuto seis, quando anulou o gol ao Benfica e agora quando anulou o gol ao João Mário. Resumindo e concluindo, gol bem revertido, bem validado, porque realmente o Tangsted está a colocar em jogo o jogador do Inter.
O grande erro parece-me aqui, minuto 69, Otamendi, de facto, comete falta, mas há uma falta anterior de João Neves no início da jogada.
Sim, a questão é o penalti que o árbitro assinala do Otamendi sobre o Thuram, para mim é correto. O Otamendi não é aquele pisão mais claro e evidente, mas o Thuram vai em velocidade e é pisado. Ainda por cima os dois tinham as botas da mesma cor e da mesma marca, azul bebê, curiosamente. Mas o Otamendi quando entra pisa o Thuram e à velocidade que ele vai, aquele pisão é suficiente para desequilibrar. E, portanto, o penalti é bem assinalado. A questão está, e esteve em análise no VAR, depois não reverteram, mas deviam ter revertido, é a recuperação de bola. Como é que o Benfica perdeu a bola? Como é que o Inter iniciou a sua chamada fase de ataque? Iniciou com uma falta do Alex Sanchez nas costas de João Neves. Não é tanto as mãos, mas é sobretudo com o peito a carregar as costas de João Neves. Eu relembro que as cargas só são corretas quando são feitas com o ombro contra igual região do corpo, ombro ou omoplata. Tudo o que seja cargas nas axilas, de baixo para cima, no esterno, na parte frontal e, neste caso, que é o mais importante, nas costas, e sobretudo feitas com o peito, são cargas incorretas e ilegais. E, portanto, o que acontece é que o João Neves tinha a posse de bola, o Alex Sanchez vem por trás e carrega-o claramente nas costas e é assim que recupera. E como o jogador do Inter agarrou na bola, a equipa do Inter agarrou na bola e foi na direção da baliza, tudo aquilo é fase de ataque. Se a bola, quando vai para a frente, ainda voltasse para o meio-campo ou passasse do lado esquerdo para o lado direito, essa falta já deixaria de fazer parte, de acordo com o protocolo, porque o protocolo só prevê ir recuperar o lance andando para trás do gol até o início da fase de ataque dessa equipa. Portanto, resumindo e concluindo, está dentro da mesma fase de ataque, o penalti, neste caso, deveria ter sido revertido, não pelo penalti em si, porque o penalti existiu, mas pela maneira como o Inter recuperou a bola com a falta sobre o João Neves. E portanto, este para mim é um erro muito óbvio, muito claro, com imagens televisivas, que o VAR devia ter feito a sua intervenção e que tem um impacto fortíssimo no jogo, obviamente.
Minuto 72, João Mário, cartão amarelo. A partir daqui, é série de amarelos.
Sim, é recorrente deste lance ainda. Portanto, isto foi ao 69, depois vir ao VAR, não vir, e portanto, é o João Mário que protesta de forma forte, sobretudo, penso já depois de assinalar o pontapé, de ter sido executado o pontapé de penalti, e portanto, é por protesto.
Setenta e seis, amarelo para o Cuadrado, jogador do Inter.
Sim, o João Mário vai fugir, vai na sua frente e o Cuadrado vem por trás, dá-lhe ali um ligeiro toque no braço para o desequilibrar e para impedir esta perseguida de jogada já com algum perigo, alguma velocidade, é chamada falta tática ou falta útil, em termos vulgares.
Minuto 78, uma conduta antidesportiva parece para Morata, que é um amarelo.
Exatamente. Estava aquela bola, não concordando com uma decisão do árbitro, lançamento de linha lateral, bola linha lateral, agarrou na bola e mandou um pontapé. Por muita razão que tivesse, não pode fazer exatamente isso que fez, foi pontapear a bola para longe e este cartão amarelo bem mostrado.
E depois é a expulsão. António Silva é expulso ao minuto 86.
Sim. Eu não concordo com a expulsão. É uma falta sobre o Barella Vou explicar de forma rápida o porquê. O António Silva estica a perna direita em tackle e com essa perna direita não comete infração nenhuma. Depois é a perna esquerda, que vem dobrada, em posição absolutamente normal e a deslizar, que entre o joelho e a coxa, perna dobrada junto ao chão, acaba por apanhar o calcanhar do Barela. E ao apanhar, plasticamente, quando vemos a imagem, fica feio pela perspectiva que se vê o calcanhar dobrar, e é uma zona realmente de grande sensibilidade. A questão está é que não foi a perna da frente que entrou de sola, de pitons, nem foi a perna de trás que fez uma tesoura, como às vezes acontece, ou que também com o peito do pé ou com os pitons acabava por ter uma entrada muito dura. Não, é uma sequência do movimento que o árbitro foca, e sobretudo o VAR, focaram-se na consequência de ver o calcanhar de trás a ser pisado pelo joelho e dobrado, e focaram-se sobretudo naquilo que para eles sendo uma consequência mais plástica do que propriamente aquilo que é a entrada. Em termos técnicos, e quando digo técnicos, de técnica de arbitragem, a questão é que eu não considero que, e eles acham que aqui pode ter posto em segurança a integridade física do adversário. Para mim, isto enquadra-se claramente. Nós temos três níveis: de nada, de amarelo e de vermelho, que é a imprudência, a negligência e a força excessiva. E este, para mim, enquadra-se claramente na negligência, e a definição é esta: quando um jogador, na sua forma de entrar, neste caso não é pôr em risco a segurança e integridade física, isso seria cartão vermelho, mas é quando não tem atenção e concentração à maneira como entra e as consequências do seu ato para com o adversário, na maneira como entra em relação ao adversário. E é muito isto, ou seja, ele entra pela frente com uma perna direita, essa sim seria para vermelho, se realmente os pitons tocassem no pé, na perna, o que fosse. A perna esquerda vem dobrada, vem em posição normal, vem a deslizar, é um contacto de joelho, nem sequer é de solas, nem de pitons, e é da ação desse movimento. E por isso é que é muito mais negligência do que propriamente força excessiva. Portanto, eu não concordo nada com este respectivo cartão vermelho, para mim é cartão amarelo. Acho que foi uma má intervenção e quanto mais vezes vejo o lance, muitas vezes as consequências dão para a gente dizer: "Não, realmente é muito feio o que aconteceu, depois chegou a deitar sangue ou partiu", etc. Aqui não é o caso. Realmente há um dobrar, mas é muito mais o aparato do que propriamente mais do que isso. E portanto, para mim, negligência, cartão amarelo, nada de vermelho, nada de falta grosseira, nada de integridade física ou de força excessiva e por isso não concordo nada com este cartão vermelho.
Pedro, suponho que há aqui uma nota negativa para Andris Treimanis.
Sim. Eu tinha feito a minha desconfiança no início do jogo, quando disse que este árbitro da Letónia tinha apenas quatro jogos arbitrados, não tinha nenhum jogo interno.
É mesmo muito estranho, não é?
Muito estranho. Tinha feito uma qualificação da Champions League, duas Ligas Europa e uma Conference League. Tinha poucos dados sobre ele, obviamente, embora seja um árbitro já internacional desde 2011. Depois quando vi que eles estavam a reforçar muito o vídeo-árbitro com árbitros experientes, como foi o croata Ivan Bebek e com o alemão, este mais conhecido ainda, o Bastian Dankert, que são vídeo-árbitros que andam na alta roda, percebi claramente que havia aqui um reforçar. Talvez por a UEFA não ter tanto apoio nem tanta confiança neste árbitro e querer dar-lhe uma oportunidade, estar a reforçar o vídeo-árbitro. Só que depois a videoarbitragem podia ter dado aqui uma ajuda flagrante, nomeadamente no reverter o penálti, porque era falta sobre o João Neves, e neste caso, uma intervenção péssima em ir buscar um vermelho, olhando para a consequência e não olhando propriamente para a entrada. Eu acho que a coisa não correu bem e por isso é que eu digo que nem árbitro nem VAR hoje estiveram bem. Eu não gosto muito de fazer críticas com expressões muito agressivas em relação à arbitragem lá dentro, e quando faço a crítica, faço sempre com respeito pelas pessoas, obviamente, e pela atividade profissional dos árbitros, mas acho que foi uma arbitragem muito desastrosa, ou seja, não correu bem. Foi daquelas noites que correu mal, correu mal ao árbitro, correu mal ao VAR. Percebia-se muito a sua insegurança. Na Liga dos Campeões não é normal os jogadores acabarem de volta do árbitro e, portanto, este penálti que devia ter sido revertido, porque foi falta sobre o João Neves, e este vermelho a António Silva, remetem para uma nota extremamente negativa, nota 2 para a equipa de arbitragem no seu todo.
Nota 2 então dada pelo Pedro Henriques a Andris Treimanis. Clement Turpin, que esteve no Braga-Union de Berlim, levou uma nota 4. Pode-se dizer que não correu bem às equipas de arbitragem que estiveram em Portugal.
Nada bem. Esperemos que amanhã tenhamos melhores notícias do jogo do Sporting com o Atalanta.
Está entregue este "Sem Falta", Pedro Henriques, com uma nota muito negativa, nota 2 para este árbitro da Letónia, Andris Treimanis, que hoje esteve muito mal mesmo no Estádio da Luz.